Patentes de TPU do Google disparam e mostram ofensiva direta contra a Nvidia

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • O Google multiplicou por 2,7 os registros de patentes ligadas às TPUs entre 2018 e 2023, alcançando quase 400 pedidos em um único ano.
  • A estratégia reforça a disputa direta com a Nvidia, hoje dominante no mercado de hardware para inteligência artificial.
  • Parceiros industriais e grandes clientes já se movimentam para ampliar produção e adoção dos chips personalizados do Google.

O avanço acelerado das patentes de Unidades de Processamento Tensor sinaliza que o Google não está apenas refinando sua tecnologia interna, mas construindo uma base sólida para competir no mercado global de aceleradores de IA.

Segundo relatório publicado pela TrendForce, a companhia vem consolidando as TPUs como alternativa estratégica às GPUs tradicionais usadas em data centers.

Dados analisados pelo Nikkei mostram que, enquanto o Google quase atingiu 400 patentes relacionadas a TPU em 2023, concorrentes como Amazon, Apple e Microsoft ficaram abaixo de 100 registros no período recente. O contraste evidencia uma aposta agressiva e de longo prazo em chips próprios.

A corrida por chips próprios ganha força

A expansão das patentes acompanha uma tendência mais ampla entre hyperscalers, que buscam reduzir dependência de fornecedores externos e otimizar custos e desempenho para cargas de trabalho de IA. A TrendForce estima que os embarques de TPU do Google seguirão como os maiores entre provedores de nuvem, com crescimento anual acima de 40% em 2026.

Esse ritmo reforça a visão de que o controle do hardware se tornou peça central na estratégia de inteligência artificial. Ao dominar desde o silício até o software, o Google tenta criar um ecossistema fechado e altamente eficiente para treinar e executar modelos avançados.

Cadeia de suprimentos se prepara para escalar

Nos bastidores, a infraestrutura industrial já se ajusta. Parceiros como Broadcom e MediaTek ampliam a capacidade de wafers reservada na TSMC. A MediaTek, inclusive, vem realocando equipes de chips móveis para áreas de ASIC e automotiva, mirando diretamente a demanda de data centers.

A oitava geração de TPU do Google deve entrar em produção em massa no terceiro trimestre de 2026, usando o processo de 3 nanômetros da TSMC. As projeções apontam para 5 milhões de unidades em 2027 e até 7 milhões em 2028, embora limitações no empacotamento avançado possam reduzir o volume inicial.

Clientes estratégicos reforçam a aposta

O interesse do mercado já aparece em acordos de peso. A Meta negocia investir bilhões em TPUs para seus data centers a partir de 2027, sinalizando um possível afastamento gradual das GPUs da Nvidia. Já a Anthropic fechou um acordo que pode garantir acesso a até 1 milhão de TPUs, inclusive com a possibilidade de compra direta dos chips.

Esses movimentos mostram que o Google deixou de ver suas TPUs apenas como infraestrutura interna. Elas passam a ser um produto estratégico, capaz de redesenhar o equilíbrio de forças no mercado global de hardware para inteligência artificial.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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