YouTube Music amplia rádio com IA, mas usuários reclamam de excesso de músicas artificiais

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • O YouTube Music está liberando a função Ask Music para mais assinantes, permitindo criar rádios personalizadas com IA.
  • Usuários Premium reclamam que o algoritmo passou a priorizar músicas totalmente geradas por inteligência artificial.
  • A polêmica reflete um problema maior do streaming, que já afeta plataformas como Deezer e Spotify.

O YouTube Music começou a expandir o acesso à sua nova funcionalidade de rádio personalizada com inteligência artificial ao mesmo tempo em que enfrenta uma onda de críticas de usuários pagantes.

A novidade promete playlists mais inteligentes e sob medida, mas, para parte do público, o resultado prático tem sido um feed dominado por músicas artificiais de baixa qualidade.

A ferramenta, chamada Ask Music, usa IA conversacional para criar estações de rádio a partir de comandos de texto ou voz.

A ideia é simples: o usuário descreve um clima, atividade ou estilo, e o sistema gera automaticamente uma playlist com nome e descrição personalizados.

Como funciona o Ask Music na prática

O Ask Music aparece no aplicativo como um card colorido com a mensagem “Peça música da forma que quiser”. A partir daí, o assinante pode solicitar algo como “pop animado para treinar” ou “músicas calmas para relaxar à noite”, e a IA monta uma rádio personalizada em segundos.

A funcionalidade exige assinatura do YouTube Music Premium e, neste momento, está disponível para Android e iOS em países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Irlanda. O recurso começou como experimento em julho de 2024 e agora entra em uma fase de liberação mais ampla.

A revolta contra o algoritmo e o “lixo de IA”

Apesar da proposta inovadora, usuários têm recorrido ao Reddit para relatar frustração com as recomendações automáticas do serviço.

Segundo os relatos, rádios, mixes e filas de reprodução automática estão cada vez mais tomadas por faixas geradas por IA, atribuídas a artistas desconhecidos com nomes genéricos e catálogos gigantescos.

Muitos afirmam que marcar músicas como “não tenho interesse” ou usar o botão de dislike não impede que conteúdos semelhantes voltem a aparecer. Em alguns casos, os mesmos artistas artificiais surgem repetidamente, o que levanta dúvidas sobre a capacidade do algoritmo de aprender com as preferências reais do usuário.

Um problema que vai além do YouTube Music

A situação não é exclusiva do Google. Em novembro de 2025, o Deezer revelou que músicas totalmente geradas por IA já representam cerca de 34% de todas as faixas enviadas diariamente à plataforma, algo em torno de 50 mil músicas por dia.

Já o Spotify anunciou em setembro de 2025 que passaria a rotular músicas criadas por inteligência artificial e a reforçar filtros contra spam musical. O YouTube Music, por enquanto, não comentou oficialmente as reclamações nem informou se pretende identificar ou limitar esse tipo de conteúdo.

Enquanto isso, parte dos usuários avalia migrar para serviços concorrentes ou até resgatar bibliotecas de música offline, em busca de mais controle sobre o que realmente querem ouvir.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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