Chrome passa a permitir exclusão de modelos de IA armazenados no dispositivo

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • O Google adicionou ao Chrome uma opção que permite excluir modelos de IA generativa salvos localmente.
  • A mudança afeta diretamente a Proteção Aprimorada, recurso de segurança que usa IA no próprio dispositivo.
  • A novidade reacende o debate sobre privacidade e controle do usuário sobre recursos de inteligência artificial.

Usuários do navegador Google Chrome vão ganhar mais controle sobre como a inteligência artificial funciona no programa.

O Google começou a testar uma nova configuração que permite excluir os modelos de IA armazenados no próprio dispositivo, usados principalmente para detectar golpes, sites maliciosos e downloads perigosos.

A opção foi identificada recentemente pelo pesquisador de segurança Leopeva64 e já aparece nas versões de teste do navegador. A iniciativa sinaliza uma tentativa de dar mais transparência e escolha aos usuários, especialmente em um momento de discussões intensas sobre privacidade e uso de IA.

Nova opção aparece nas configurações do Chrome

A configuração recebe o nome de “IA generativa no dispositivo ativada” e fica dentro do menu Sistema, nas configurações do navegador.

Ao desativar essa opção, o Chrome remove do computador os modelos de IA responsáveis por alimentar a Proteção Aprimorada.

Na prática, isso significa que o navegador deixa de usar inteligência artificial local para identificar golpes de suporte técnico, tentativas de phishing e outras ameaças em tempo real. A decisão fica totalmente nas mãos do usuário, que pode optar por manter ou não esses modelos instalados.

Proteção usa IA local para detectar golpes rapidamente

Segundo o Google, a Proteção Aprimorada já ajuda a proteger mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo.

O recurso funciona com o modelo de linguagem Gemini Nano, que analisa páginas da web diretamente no dispositivo, sem enviar dados pessoais para a nuvem.

Essa análise local permite identificar sites perigosos que ainda não foram catalogados. De acordo com a empresa, muitos sites maliciosos ficam ativos por poucos minutos, o que torna essencial uma detecção rápida, baseada no conteúdo, na estrutura da página e em comportamentos suspeitos, como tentativas de capturar o teclado do usuário.

Debate sobre privacidade e escolhas do usuário

A chegada do botão de desativação também levanta questionamentos. Hoje, o uso da IA no dispositivo segue um modelo de ativação automática, no qual o usuário precisa optar por desligar o recurso, e não o contrário.

Embora o processamento local reduza riscos de privacidade em comparação com soluções em nuvem, parte do público ainda teme usos futuros desses modelos.

Outro ponto é que a escolha atual é do tipo tudo ou nada. Ao desativar os modelos de IA, o usuário também perde completamente a proteção avançada contra golpes, sem a possibilidade de manter a segurança ativa e apenas limitar possíveis usos adicionais da tecnologia.

Por enquanto, a novidade está disponível apenas no Chrome Canary, versão experimental do navegador. A expectativa é que a opção chegue em breve a todos os usuários do Chrome nas versões estáveis.

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Seguir:
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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