Escassez de chips de memória trava avanço da IA, alerta CEO do Google DeepMind

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Demis Hassabis afirma que a falta de chips de memória virou um gargalo físico para a inteligência artificial
  • Fabricantes já venderam toda a capacidade de memória HBM até 2026
  • Google e outras gigantes disputam fornecimento enquanto ampliam investimentos bilionários em infraestrutura

A corrida pela inteligência artificial acaba de esbarrar em um limite bem concreto: a falta de chips de memória.

O CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, afirmou que a escassez global desses componentes está restringindo tanto o treinamento de novos modelos quanto a operação de sistemas já existentes.

Em entrevista à CNBC, o executivo classificou a situação como um verdadeiro gargalo para a indústria. Segundo ele, toda a cadeia de suprimentos está pressionada, obrigando laboratórios de IA a tomar decisões difíceis entre manter serviços ativos ou investir na próxima geração de modelos.

A memória que sustenta a inteligência artificial

No centro do problema estão os chips de memória de alta largura de banda, conhecidos como HBM. Eles são fundamentais para alimentar aceleradores de IA, pois permitem que grandes volumes de dados sejam processados rapidamente.

Produzir esse tipo de memória é muito mais complexo do que fabricar a DRAM tradicional. Executivos da Micron explicam que, para cada unidade de HBM fabricada, é necessário abrir mão de aproximadamente três unidades de memória convencional.

A oferta também é concentrada. Apenas três empresas no mundo produzem HBM em larga escala: Samsung Electronics, SK Hynix e a própria Micron. Todas já venderam integralmente sua capacidade de produção até 2026, o que elevou preços e intensificou a disputa entre gigantes da tecnologia.

Disputa acirrada entre gigantes da tecnologia

A escassez desencadeou uma verdadeira corrida global. O Google teria substituído executivos de compras na Coreia do Sul após dificuldades para fechar contratos de longo prazo. Segundo relatos da imprensa local, pedidos adicionais foram considerados impossíveis de atender.

Executivos da Microsoft e da Meta também viajaram ao país asiático para negociar diretamente com fabricantes. Em um dos episódios relatados, um representante da Microsoft teria deixado uma reunião na sede da SK Hynix sem acordo após ter o fornecimento negado.

O cenário revela que nem mesmo as maiores empresas do mundo conseguem escapar das limitações físicas da cadeia de suprimentos quando a demanda explode.

Investimentos bilionários não resolvem o curto prazo

Apesar das restrições, a Alphabet decidiu acelerar ainda mais seus investimentos. Durante a divulgação de resultados do quarto trimestre, o CEO Sundar Pichai informou que os gastos de capital previstos para 2026 podem chegar a até US$ 185 bilhões, quase o dobro do registrado no ano anterior.

Mesmo assim, Pichai reconheceu que a empresa continua limitada pela oferta de hardware. Enquanto isso, o aplicativo Gemini ultrapassou 750 milhões de usuários ativos mensais, e o backlog do Google Cloud atingiu US$ 240 bilhões, evidenciando uma demanda que cresce mais rápido do que a infraestrutura consegue acompanhar.

Especialistas do setor avaliam que a escassez pode persistir até 2027, já que novas fábricas levam anos para entrar em operação.

Como resumiu Hassabis, o desafio é equilibrar o serviço ao usuário com o treinamento de modelos cada vez mais avançados. E, por enquanto, a inteligência artificial esbarra não em falta de ideias, mas na limitação de silício.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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