Novo livro revela bastidores do acordo histórico entre Google e DeepMind

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques

  • Negociação entre Google e DeepMind envolveu estratégia, competição e tensão
  • Livro mostra como Demis Hassabis foi convencido por Larry Page
  • Aquisição de US$ 400 milhões virou um dos marcos da história da inteligência artificial

Um novo livro promete lançar luz sobre um dos acordos mais importantes da tecnologia moderna. Em “The Infinity Machine”, o jornalista Sebastian Mallaby detalha como o Google conseguiu adquirir a DeepMind, uma startup britânica que viria a redefinir os rumos da inteligência artificial.

A obra revela não apenas números e datas, mas também encontros improváveis, estratégias ousadas e a visão de futuro que guiou os envolvidos nesse negócio histórico.

Um encontro improvável que mudou tudo

A história começa em um cenário pouco convencional: uma festa de aniversário de Elon Musk em um castelo nos Estados Unidos, em 2013. Entre convidados fantasiados e situações inusitadas, foi ali que Larry Page abordou Demis Hassabis com uma proposta direta.

Segundo o relato, Page sugeriu que Hassabis não perdesse anos construindo infraestrutura do zero. Em vez disso, poderia aproveitar o poder computacional do Google para acelerar sua missão de criar inteligência artificial avançada.

A ideia ficou na mente de Hassabis, que enxergou na proposta uma oportunidade de avançar rapidamente em direção ao que ele considerava o objetivo final: a inteligência geral artificial.

Negociações estratégicas e uma disputa silenciosa

Meses depois, as conversas evoluíram para negociações formais. A equipe da DeepMind adotou uma postura estratégica ao evitar falar sobre valores no início, focando apenas no potencial tecnológico.

Para fortalecer sua posição, citaram investidores influentes como Peter Thiel e Elon Musk, além de manter conversas paralelas com o então Facebook, liderado por Mark Zuckerberg.

Essa movimentação criou uma espécie de leilão silencioso. No fim, o Google fechou o acordo em janeiro de 2014 por cerca de US$ 400 milhões, garantindo o controle de uma das equipes mais promissoras da área.

IA vista como poder transformador e risco global

Desde o início, o impacto da inteligência artificial foi tratado com seriedade dentro do Google. Executivos compararam a tecnologia à energia nuclear, destacando seu potencial tanto para avanços quanto para riscos.

O livro também traz entrevistas com nomes importantes do setor, como Ilya Sutskever e Geoffrey Hinton, reforçando a relevância histórica do momento.

Além disso, revela tensões entre os próprios protagonistas. Musk, por exemplo, chegou a descrever Hassabis como um “gênio do mal”, refletindo os conflitos e receios que acompanham a corrida pela inteligência artificial.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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