Google Beam leva reuniões em 3D para seis países e começa a sair dos grandes escritórios

Renê Fraga
8 min de leitura

Principais destaques

  • Expansão internacional: O Google Beam começa a chegar a clientes corporativos nos EUA, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha e Japão.
  • Coworking entra no jogo: Uma parceria com a Industrious permitirá reservar salas equipadas com a tecnologia em quatro cidades americanas a partir de outubro.
  • Reuniões mais próximas do presencial: Um estudo interno do Google apontou aumento de 50% na sensação de conexão e redução de 21% nas reuniões de acompanhamento.

Imagine entrar em uma sala de reunião e encontrar alguém que está a milhares de quilômetros de distância, mas que parece estar sentado na sua frente.

É essa experiência que o Google quer transformar em algo mais comum com o Google Beam, plataforma de comunicação em vídeo 3D que nasceu como Project Starline.

Agora, a tecnologia começa a dar um passo importante: sair dos projetos experimentais de grandes empresas e chegar a mais mercados e espaços compartilhados.

O Beam está deixando de ser experimento 🌎

O Google começou a entregar unidades do Beam para clientes corporativos em seis países:

• Estados Unidos
• Canadá
• Reino Unido
• França
• Alemanha
• Japão

A implantação conta com 18 parceiros de canal responsáveis por instalar e dar suporte ao hardware.

O produto é comercializado como HP Dimension with Google Beam e funciona tanto com Google Meet quanto com Zoom.

Isso é importante porque o Beam não depende de uma plataforma de videoconferência criada exclusivamente pelo Google. A proposta é funcionar como uma camada de hardware e comunicação espacial integrada às ferramentas que as empresas já utilizam.

💻 E o preço ajuda a explicar o público inicial: uma unidade HP Dimension with Google Beam foi anunciada anteriormente por cerca de US$ 25 mil, colocando o equipamento claramente no território corporativo.

De Starline a Beam: a ideia ficou mais concreta

O projeto começou como Project Starline, uma das experiências mais ambiciosas do Google para reinventar a videoconferência.

Em vez de simplesmente transmitir uma imagem bidimensional, o sistema utiliza câmeras, telas e processamento para criar uma representação tridimensional da pessoa do outro lado.

O objetivo é recuperar elementos que desaparecem em uma chamada convencional.

Contato visual.

Linguagem corporal.

Percepção de profundidade.

A sensação de estar compartilhando o mesmo espaço.

É justamente esse aspecto que chamou a atenção de empresas como Bain & Company, Netflix e Capital Group, que estão entre os primeiros clientes.

Para a Bain, o recrutamento virou um dos casos de uso 👥

Keith Bevans, vice-presidente executivo e sócio da Bain & Company, destacou o potencial do Beam para entrevistas de candidatos.

“Uma das coisas mais desafiadoras para nós na avaliação de candidatos é entender como eles se comportarão com os clientes.”

Segundo Bevans, nuances de linguagem corporal e contato visual podem fazer diferença nesse processo.

Com o Beam, a empresa consegue realizar entrevistas remotamente mantendo parte da experiência de uma interação presencial, sem exigir que candidato e entrevistador estejam fisicamente no mesmo lugar.

🔎 A diferença está justamente no que normalmente não aparece na webcam: não é apenas ouvir o que a outra pessoa diz, mas perceber como ela interage.

O Google mediu o efeito nas reuniões 📊

A expansão acontece depois de um estudo interno de oito semanas realizado pelo Google.

As equipes que utilizaram o Beam relataram:

IndicadorResultado
Sensação de conexão com colegas+50%
Facilidade para garantir compreensão do feedback+33%
Reuniões de acompanhamento-21%

Os números são resultados reportados pelo próprio Google em seu estudo interno, portanto não representam uma avaliação independente da tecnologia.

Ainda assim, eles ajudam a explicar por que a empresa está ampliando a implementação do Beam dentro da própria organização ao mesmo tempo em que aumenta sua disponibilidade comercial.

💡 A aposta do Google é transformar a videoconferência de uma janela para outra pessoa em algo mais próximo de compartilhar uma sala.

Agora vem a parte interessante: coworking 🏢

Até aqui, o custo e a infraestrutura tornavam o Beam especialmente adequado para grandes empresas.

Mas o Google encontrou uma maneira de ampliar o acesso sem exigir que cada empresa compre e instale seu próprio sistema.

A companhia fechou parceria com a Industrious, operadora de espaços de trabalho flexíveis, para criar o que chama de primeira “rede estendida Beam”.

A partir de outubro, usuários poderão reservar equipamentos HP Dimension with Google Beam em unidades selecionadas da Industrious em:

• Atlanta
• Chicago
• Nova York
• Palo Alto

Isso muda um pouco a lógica do produto.

Uma startup que não teria justificativa para investir US$ 25 mil em uma instalação própria poderá, em determinadas situações, simplesmente reservar uma sala equipada.

O teste já mostrou alguns usos

Um programa piloto realizado no início deste ano indicou que equipes distribuídas utilizaram os equipamentos para diferentes situações.

Entre elas estavam:

• reuniões de acompanhamento com gestores;
• entrevistas de candidatos;
• consultas e reuniões com clientes.

Ou seja, o Beam não está sendo posicionado apenas como uma ferramenta para reuniões corporativas tradicionais.

🧩 A estratégia é transformar o hardware em infraestrutura compartilhada: empresas menores podem acessar uma experiência que seria difícil justificar financeiramente como investimento permanente.

Mas isso ainda está longe de virar a webcam de todo mundo

Apesar da expansão, o Beam continua sendo uma solução bastante especializada.

O hardware dedicado, a necessidade de uma sala apropriada e o custo de implantação fazem com que a tecnologia esteja distante da realidade de uma chamada comum no Google Meet ou Zoom.

Por enquanto, portanto, o Beam parece ocupar uma categoria intermediária entre videoconferência convencional e presença física.

É uma espécie de “sala remota” construída para situações nas quais a comunicação precisa transmitir mais do que rosto e voz.

E se a sala de reunião começar a desaparecer?

Essa talvez seja a consequência mais interessante da expansão.

Em vez de obrigar uma equipe distribuída a escolher entre uma chamada de vídeo comum e uma viagem de avião, tecnologias como o Beam tentam criar uma terceira alternativa.

Para entrevistas, reuniões estratégicas e interações com clientes, a diferença pode ser relevante.

Mas o próximo teste será menos tecnológico e mais econômico: quantas situações justificam pagar por uma experiência de presença 3D quando uma webcam continua custando uma fração disso?

Com o Beam chegando a seis mercados e começando a aparecer em coworkings, o Google parece querer descobrir justamente isso. A sala de reunião do futuro pode continuar existindo, mas talvez nem todos os participantes precisem estar fisicamente dentro dela.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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