eSolar: bom para a Google. Bom também para o Brasil?

Rômulo de Araújo Mendes
4 min de leitura

eSolar - usina termelétrica movida a energia solar - tecnologia emergente - recebeu investimentos da fundação Google.org em 17/01/2008

Ontem, quinta-feira, a fundação Google.org, o braço filantrópico da Google Inc., anunciou diversos investimentos. O principal se refere a medidas destinadas à redução da pobreza em países pobres, conforme já anunciado aqui pelo Renê Fraga. Pouca visibilidade pelo mundo o anúncio de investimento de USD$ 10 milhões na startup eSolar, que desenvolve e produz usinas termoelétricas a vapor, movidas a energia solar.

Vale lembrar que não se trata de produção de energia fotovoltaica, que já tem investimentos da Google e até uma usina em sua sede, em Mountain View, esta construída pela El Solutions. Trata-se, sim, de produção de energia elétrica a partir do aquecimento de fluidos (provavelmente água), por meio de luz solar, para acionamento de turbinas elétricas, tal como em uma térmica comum.

O site da eSolar promete construir usinas térmicas a energia solar e, portanto, livres de emissão de gases do efeito estufa, com a potência de até 500 MW (quinhentos megawatts).

Ao ler as especificações do projeto, fiquei pensando: não seria esta uma boa solução emergencial para a atual crise energética brasileira?

Como é de conhecimento geral, estamos à beira de um racionamento de energia elétrica gerado por quatro fatores básicos:

  • falta de investimentos em usinas hidrelétricas;
  • incertezas e carências quanto ao fornecimento do gás natural boliviano;
  • baixo regime de chuvas neste verão; e
  • crescimento econômico.

É urgente que o Brasil faça investimentos em energia elétrica.

Parte das térmicas de contingência já foram colocadas em funcionamento. Algumas usando gás natural, em prejuízo da indústria e outras sendo convertidas a óleo. Mesmo assim, não há certeza se a quantidade de energia disponível para a produção de eletricidade será suficiente.

Fiz uma pesquisa na Internet e descobri que o Brasil possui aproximadamente 50 usinas termelétricas (aqui não contadas as térmicas movidas a energia nuclear do complexo de Angra dos Reis). Todas produzem, quando em operação, entre 20 MW (Pitanga – PR) e 750 MW (Termosul – RS e Carioba – SP). Assim, no geral, se encontram na faixa de atendimento das usinas térmicas movidas a energia solar.

A nova tecnologia tem como vantagem não queimar combustíveis fósseis, não dependendo, portanto, de fornecedores incertos, produtos caros e poluentes, além de estarmos em um país de forte incidência de raios solares durante todo o ano. Certamente, ficaria muito cara a construção das usinas, mas não teríamos os custos de queima de gás, carvão ou óleo.

Esta tecnologia parece ser competitiva também se comparada à produção das PCH’s (pequenas centrais hidrelétricas) e centrais atômicas, ambas tidas como soluções para o problema energético. A título de exemplo, a Revista Exame do dia 31/12/2007, em sua página 19, trouxe um informe publicitário do grupo Energias do Brasil, na qual comemora a inauguração da PCH de São João, em Castelo – ES, com a capacidade de 26 MW, na qual foram investidos R$ 90 milhões. No que tange à energia nuclear, vale lembrar que a usina atômica de Angra III deverá produzir 1.359 MW a um custo de construção de USD 8.5 Bilhões. Poder-se-ía, facilmente, substituir a usina de Angra III por três usinas térmicas a energia solar, com as vantagens de ser uma energia totalmente limpa e uma construção muito mais rápida.

Se nós construíssemos uma usina térmica a energia solar de 500 MW em cada Estado Brasileiro e algumas a mais nos Estados mais populosos, resolveríamos, em 5 anos, o problema energético nacional, sem agredir o meio-ambiente.

É claro que esta tecnologia ainda precisa ser testada, antes de ser usada em escala, mas precisamos ficar atentos.

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