
Ontem, quinta-feira, a fundação Google.org, o braço filantrópico da Google Inc., anunciou diversos investimentos. O principal se refere a medidas destinadas à redução da pobreza em países pobres, conforme já anunciado aqui pelo Renê Fraga. Pouca visibilidade pelo mundo o anúncio de investimento de USD$ 10 milhões na startup eSolar, que desenvolve e produz usinas termoelétricas a vapor, movidas a energia solar.
Vale lembrar que não se trata de produção de energia fotovoltaica, que já tem investimentos da Google e até uma usina em sua sede, em Mountain View, esta construída pela El Solutions. Trata-se, sim, de produção de energia elétrica a partir do aquecimento de fluidos (provavelmente água), por meio de luz solar, para acionamento de turbinas elétricas, tal como em uma térmica comum.
O site da eSolar promete construir usinas térmicas a energia solar e, portanto, livres de emissão de gases do efeito estufa, com a potência de até 500 MW (quinhentos megawatts).
Ao ler as especificações do projeto, fiquei pensando: não seria esta uma boa solução emergencial para a atual crise energética brasileira?
Como é de conhecimento geral, estamos à beira de um racionamento de energia elétrica gerado por quatro fatores básicos:
- falta de investimentos em usinas hidrelétricas;
- incertezas e carências quanto ao fornecimento do gás natural boliviano;
- baixo regime de chuvas neste verão; e
- crescimento econômico.
É urgente que o Brasil faça investimentos em energia elétrica.
Parte das térmicas de contingência já foram colocadas em funcionamento. Algumas usando gás natural, em prejuízo da indústria e outras sendo convertidas a óleo. Mesmo assim, não há certeza se a quantidade de energia disponível para a produção de eletricidade será suficiente.
Fiz uma pesquisa na Internet e descobri que o Brasil possui aproximadamente 50 usinas termelétricas (aqui não contadas as térmicas movidas a energia nuclear do complexo de Angra dos Reis). Todas produzem, quando em operação, entre 20 MW (Pitanga – PR) e 750 MW (Termosul – RS e Carioba – SP). Assim, no geral, se encontram na faixa de atendimento das usinas térmicas movidas a energia solar.
A nova tecnologia tem como vantagem não queimar combustíveis fósseis, não dependendo, portanto, de fornecedores incertos, produtos caros e poluentes, além de estarmos em um país de forte incidência de raios solares durante todo o ano. Certamente, ficaria muito cara a construção das usinas, mas não teríamos os custos de queima de gás, carvão ou óleo.
Esta tecnologia parece ser competitiva também se comparada à produção das PCH’s (pequenas centrais hidrelétricas) e centrais atômicas, ambas tidas como soluções para o problema energético. A título de exemplo, a Revista Exame do dia 31/12/2007, em sua página 19, trouxe um informe publicitário do grupo Energias do Brasil, na qual comemora a inauguração da PCH de São João, em Castelo – ES, com a capacidade de 26 MW, na qual foram investidos R$ 90 milhões. No que tange à energia nuclear, vale lembrar que a usina atômica de Angra III deverá produzir 1.359 MW a um custo de construção de USD 8.5 Bilhões. Poder-se-ía, facilmente, substituir a usina de Angra III por três usinas térmicas a energia solar, com as vantagens de ser uma energia totalmente limpa e uma construção muito mais rápida.
Se nós construíssemos uma usina térmica a energia solar de 500 MW em cada Estado Brasileiro e algumas a mais nos Estados mais populosos, resolveríamos, em 5 anos, o problema energético nacional, sem agredir o meio-ambiente.
É claro que esta tecnologia ainda precisa ser testada, antes de ser usada em escala, mas precisamos ficar atentos.
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Legal Rômulo seria uma ótima idéia realmente. Mas aqui, no Brasil, não sei não. Ainda mais com esse presidente Mula, ops… Nulo… ops.. Lula…
E a tecnologia, está pronta? Totalmente desenvolvida e comercialmente viável?
UsuárioCompulsivo,
Muito obrigado pelo comentário.
Eu não sei se a tecnologia da eSolar está totalmente desenvolvida, porque o site não informa isso.
Entretanto, em 2007, foi noticiado que a Austrália e a Espanha estariam construindo usinas com esta tecnologia. Não sei se a da eSolar.
Para você ter idéia, segundo esta empresa, se 1% do Deserto do Sahara fosse coberto com estas usinas, toda a necessidade de energia elétrica mundial estaria satisfeita.
Você está sendo otimista demais.
André,
acho bom ser otimista. Afinal, nenhum pessimista é capaz de quebrar paradigmas.
Acho que no Brasil, e principalmente no nordeste esta tecnologia seria muito proveitosa! A divulgação deste tipo de tecnologia é interessante para todos.
O Ministério da Ciência e Tecnologia deveria sugerir ao Presidente Lula um estudo para implantação desse sistema de geração de energia limpa para a Amazônia. Quem sabe não ser mais necessário derrubar milhares de árvores para formação do lago para o sistema hidrelétrico?!