Google é processado em US$ 1,67 bilhão por suposto roubo de tecnologia de IA

Renê Fraga
3 min de leitura

O Google está enfrentando mais uma ação judicial, dessa vez movida pela Singular Computing, uma empresa de tecnologia sediada em Massachusetts.

A Singular alega que a gigante das buscas roubou parte de sua tecnologia patenteada de Unidades de Processamento Tensorial (TPUs) para inteligência artificial.

O processo afirma que o Google incorporou tecnologias patenteadas nos processadores baseados em IA após várias reuniões entre 2010 e 2014 com o fundador da Singular, Joseph Bates, que compartilhou suas ideias com a empresa.

Durante o julgamento em um tribunal federal de Boston, o advogado da Singular, Kerry Timbers, afirmou aos jurados que essas tecnologias copiadas foram usadas como base para recursos de IA nos serviços da Google, como Search, Gmail, Translate e outros.

Os jurados também viram e-mails escritos pelo atual cientista-chefe da Google, Jeff Dean, que mencionavam como a tecnologia da Singular poderia ser “muito adequada” para os produtos da Google (via Reuters).

Por sua vez, o advogado da Google, Robert Van Nest, argumentou que as pessoas envolvidas no desenvolvimento desses chips nunca se encontraram com o fundador da Singular, afirmando que a equipe desenvolveu os designs independentemente.

Além disso, Van Nest afirmou que Bates era um “inventor decepcionado” e que a Singular já tentou abordar outras empresas focadas em IA, como Amazon, Meta, Microsoft e OpenAI.

Segundo Van Nest, a tecnologia da Singular era capaz de realizar cálculos “incorretos” devido ao uso de matemática aproximada, enquanto os chips da Google eram “fundamentalmente diferentes” dos descritos nas patentes da Singular.

Curiosamente, documentos pré-julgamento da Google afirmaram que a Singular Computing buscava até US$ 7 bilhões em indenização pelo suposto uso indevido de suas tecnologias.

No entanto, como observa a Reuters, os advogados da Singular estavam buscando apenas US$ 1,67 bilhão durante o julgamento.

A primeira TPU da Google foi anunciada em 2016, e a empresa as utiliza em seus data centers desde pelo menos 2015. Na época, a Google destacou como suas primeiras TPUs ajudaram a fornecer resultados de busca mais relevantes, além de melhorar o Street View, entre outras coisas.

Segundo o The Register, as TPUs da Google estão atualmente em sua quinta geração e são usadas para treinar modelos de IA em sua infraestrutura de nuvem. A publicação especula que esse julgamento pode durar pelo menos algumas semanas.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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