Hackers estão usando o Gemini do Google para planejar ataques cibernéticos

Renê Fraga
2 min de leitura

Uma descoberta recente do Google revelou que hackers patrocinados por governos estão utilizando o Gemini, a inteligência artificial da empresa, para fortalecer seus ataques cibernéticos.

De acordo com o Google Threat Intelligence Group (GTIG), esses grupos, conhecidos como APTs (Ameaças Persistentes Avançadas), estão usando o Gemini principalmente para agilizar tarefas como pesquisa de vulnerabilidades, reconhecimento de alvos e desenvolvimento de ferramentas maliciosas.

A boa notícia é que, por enquanto, eles ainda não criaram ataques completamente novos com ajuda da IA, mas estão usando a tecnologia para tornar seus métodos mais eficientes.

Entre os países com maior atividade estão Irã e China. Hackers iranianos, por exemplo, usaram o Gemini para pesquisar vulnerabilidades conhecidas, criar campanhas de phishing e até traduzir documentos técnicos relacionados a tecnologias militares, como drones e sistemas de defesa.

Já os grupos chineses focaram em espionagem de organizações militares e governamentais dos EUA, além de desenvolver scripts para se mover dentro de redes invadidas e evitar detecção.

A Coreia do Norte também entrou na lista, utilizando o Gemini para auxiliar no desenvolvimento de malware e em técnicas para evitar sistemas de segurança.

Um caso curioso foi o uso da IA para ajudar em um esquema de trabalhadores de TI clandestinos, onde hackers criavam currículos e cartas de apresentação falsas para se infiltrar em empresas ocidentais.

Por outro lado, os hackers russos tiveram um uso mais limitado da ferramenta, focando em tarefas como tradução e criação de scripts, possivelmente por preferirem modelos de IA desenvolvidos em seu próprio país.

O Google afirma que, apesar das tentativas de hackers de burlar as medidas de segurança do Gemini, como o uso de “jailbreaks” ou reformulação de prompts, essas tentativas não tiveram sucesso.

No entanto, outros modelos de IA no mercado, como o DeepSeek R1 e o Qwen 2.5 da Alibaba, já demonstraram vulnerabilidades que facilitam o uso indevido.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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