Trump pressiona Apple para acabar com políticas de diversidade

Renê Fraga
4 min de leitura

Em um momento de intenso debate sobre diversidade e inclusão no ambiente corporativo, duas das maiores empresas de tecnologia do mundo, Apple e Google, estão adotando abordagens distintas em relação às suas políticas de DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão).

Enquanto a Apple mantém sua defesa firme dessas iniciativas, o Google optou por abandonar metas específicas de diversidade, refletindo as pressões políticas e regulatórias atuais.

Apple mantém o curso, apesar das críticas de Trump

No final de fevereiro de 2025, o ex-presidente dos EUA Donald Trump fez um apelo público para que a Apple abandonasse suas políticas de DEI, que visam promover oportunidades para grupos historicamente sub-representados.

A declaração de Trump ocorreu logo após os acionistas da Apple votarem a favor da manutenção dessas políticas, mesmo em um cenário em que muitas empresas americanas têm revisto ou eliminado programas semelhantes desde o início de seu mandato.

Tim Cook, CEO da Apple, respondeu com firmeza, afirmando que a diversidade e a inclusão são valores fundamentais da empresa.

“A força da Apple sempre veio de contratar as melhores pessoas e proporcionar uma cultura de colaboração, onde indivíduos com diferentes origens e perspectivas se unem para inovar”, disse Cook.

Ele também destacou que, embora a empresa possa precisar ajustar suas políticas para se adequar a mudanças legais, o compromisso com a dignidade e o respeito permanece inabalável.

Google abandona metas de diversidade

Por outro lado, o Google anunciou em fevereiro de 2025 uma mudança significativa em sua estratégia de DEI. A empresa decidiu abandonar metas específicas para aumentar a representatividade de grupos sub-representados em suas contratações.

Embora iniciativas internas de inclusão continuem, como os Grupos de Recursos para Funcionários (ERG), a comunicação sobre o tema foi reformulada para uma abordagem mais genérica.

Fiona Cicconi, chefe de Recursos Humanos do Google, explicou que a empresa está adotando uma postura mais ampla, sem estabelecer objetivos concretos de diversidade.

Essa mudança também foi refletida na página de “Pertencimento” do Google, que antes destacava esforços direcionados para inclusão de pessoas com deficiência, igualdade de gênero, comunidade LGBTQ+, equidade racial e inclusão de veteranos.

Agora, o foco é em mensagens mais amplas sobre criar um ambiente onde todos possam prosperar.

As decisões do Google ocorrem em um contexto de pressões políticas, incluindo uma ordem executiva de Donald Trump que eliminou programas federais de diversidade.

Embora o Google não seja obrigado a seguir essa determinação, a empresa parece estar ajustando sua estratégia para evitar conflitos e manter contratos governamentais.

A Alphabet, controladora do Google, também removeu referências à diversidade em seu relatório anual para a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), sinalizando um alinhamento com essa nova abordagem.

Outras gigantes da tecnologia, como Meta e Amazon, também estão revisando suas políticas de diversidade, indicando uma tendência de reavaliação no setor.

Enquanto isso, a Apple se mantém como uma exceção, defendendo publicamente seus valores de inclusão e equidade.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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