Ex-CEO do Google: AGI pode desencadear conflitos mundiais se não for controlada

Renê Fraga
3 min de leitura

A inteligência artificial (IA) tem avançado a passos largos, trazendo grandes inovações e transformações para a tecnologia.

No entanto, algumas figuras importantes do setor começam a se preocupar com os riscos de um desenvolvimento desenfreado da IA, especialmente no caso das chamadas AGIs (Inteligências Artificiais Gerais).

Eric Schmidt, ex-CEO do Google, é um desses especialistas que está alertando sobre os perigos de uma corrida global por AGIs, lembrando os riscos de uma situação que poderia ter sérias repercussões internacionais.

Recentemente, Schmidt se uniu a outros especialistas como Alexandr Wang, CEO da Scale AI, e Dan Hendrycks, diretor do Center for AI Safety, para assinar um documento de políticas que alerta para a possibilidade de retaliações caso os Estados Unidos tentem liderar o desenvolvimento das AGIs.

O estudo, intitulado “Superintelligence Strategy”, aponta que países tecnologicamente poderosos, como a China, poderiam reagir a essa corrida com ciberataques, o que provocaria uma grande instabilidade nas relações internacionais e poderia até aumentar a tensão entre as nações.

A ideia de criar uma “superarma” por meio de AGIs, que traria controle global, é comparada ao Projeto Manhattan, o programa secreto dos Estados Unidos que desenvolveu a bomba atômica.

O documento sugere que, assim como no caso das armas nucleares, o desenvolvimento de AGIs poderia desencadear uma série de represálias e aumentar ainda mais os riscos de um conflito global.

Segundo o estudo, algo que começa como uma busca por mais poder e controle pode rapidamente se transformar em um jogo perigoso de escalada de tensões.

A recomendação do estudo é que os Estados Unidos adotem uma postura mais defensiva, monitorando e, se necessário, desativando projetos de IA considerados ameaçadores em outros países. Isso incluiria expandir o arsenal de ciberataques para se proteger contra essas tecnologias e limitar o acesso a chips avançados e modelos de IA.

A mudança de opinião de Schmidt, que anteriormente defendia uma competição agressiva no campo da IA, reflete uma preocupação crescente de que a busca por AGIs precisa ser feita com muita cautela, para evitar uma corrida desenfreada que possa colocar o mundo em risco.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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