Google envolvido em projeto de vigilância com IA na fronteira dos EUA, aponta investigação

Renê Fraga
2 min de leitura

Uma investigação do site The Intercept revelou que o Google está envolvido em um projeto do governo dos Estados Unidos para modernizar torres de vigilância na fronteira com o México, utilizando inteligência artificial.

O objetivo é transformar o monitoramento tradicional em um sistema automatizado capaz de identificar pessoas e veículos sem a necessidade de supervisão humana constante.

Segundo documentos federais analisados pela reportagem, a empresa estaria fornecendo infraestrutura de computação em nuvem por meio da plataforma Google Cloud, que serve como base para o processamento dos dados de vídeo captados pelas câmeras.

Esse sistema será usado pela agência americana de proteção de fronteiras (CBP), que planeja atualizar cerca de 50 torres com até 100 câmeras na região do Arizona, uma das mais sensíveis da fronteira sul.

O projeto envolve outras empresas, como IBM, que fornece ferramentas de inspeção visual, e a Equitus, especializada em vigilância por vídeo com foco em segurança nacional.

Apesar disso, o papel do Google é central: é nos seus servidores que os dados são reunidos, processados e utilizados para treinar os modelos de inteligência artificial usados no sistema.

A plataforma usada pela CBP é chamada MAGE — ModulAr Google Cloud Platform Environment — e será responsável por integrar as diferentes soluções de monitoramento.

Em 2020, o CEO da Google Cloud, Thomas Kurian, havia afirmado que a empresa não participava de projetos ligados à fiscalização de imigração na fronteira sul. No entanto, os documentos recentes indicam o contrário.

Em resposta à reportagem, um executivo do Google afirmou que a empresa não tem contrato direto com a CBP e que seus serviços podem ser adquiridos por terceiros, como revendedores autorizados.

Ainda assim, especialistas em privacidade alertam que o envolvimento do Google, direto ou indireto, levanta preocupações sobre a proteção dos dados e a responsabilidade das big techs em políticas públicas de vigilância.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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