Google testa IA que pode decifrar a linguagem dos golfinhos

Renê Fraga
2 min de leitura
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Uma parceria inusitada entre o Google e o Wild Dolphin Project (WDP) pode abrir caminho para um dos maiores sonhos da ciência e da ficção: conversar com golfinhos.

A ideia, que parece saída de um filme futurista, está sendo colocada em prática com o apoio da inteligência artificial desenvolvida pelo Google, que está sendo treinada para interpretar os sons emitidos por esses animais marinhos.

Desde 1985, o WDP estuda golfinhos nas águas das Bahamas, utilizando microfones subaquáticos para gravar os sons produzidos por uma espécie chamada golfinho-pintado-do-Atlântico.

Esses sons, que incluem assobios, estalos e chiados, formam um tipo de linguagem que, até hoje, permanece um mistério para os cientistas. Com o avanço da IA, no entanto, esse cenário pode começar a mudar.

Para isso, o Google desenvolveu o DolphinGemma, um modelo de linguagem baseado em IA que tenta identificar padrões nos sons dos golfinhos – algo semelhante ao que a IA faz ao prever palavras e frases em serviços como o Gmail.

A grande diferença é que, nesse caso, a tecnologia está sendo usada para prever o que um golfinho “diria” a seguir, com o objetivo de entender o significado por trás de sua comunicação.

O DolphinGemma é alimentado por um imenso banco de dados de sons coletados pelo WDP e processado com a tecnologia SoundStream, criada pelo Google para transformar esses ruídos em dados compreensíveis para o modelo.

E o mais curioso: essa IA não está apenas em servidores de data centers. Os testes estão sendo feitos diretamente em celulares da linha Pixel — inicialmente o Pixel 6, agora atualizados para o Pixel 9 — acoplados a um dispositivo chamado CHAT, desenvolvido pelo WDP.

Ainda não é hora de sonhar com um “Google Tradutor para golfinhês”, mas a ciência está, pela primeira vez, flertando com essa possibilidade.

Se a iniciativa for bem-sucedida, podemos estar diante de uma das maiores conquistas da história da comunicação entre espécies.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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