Apple tenta enfraquecer imagem do Google em buscas para proteger acordo bilionário?

Renê Fraga
3 min de leitura

Durante uma audiência do processo antitruste contra o Google nos EUA, uma declaração da Apple chamou atenção: pela primeira vez, segundo a empresa, houve uma queda nas buscas feitas pelo Safari, navegador padrão do iPhone.

A fala veio de Eddy Cue, vice-presidente sênior da Apple, que apontou a crescente popularidade de ferramentas como ChatGPT e Perplexity como possíveis responsáveis pela mudança.

A afirmação parece sugerir que o Google estaria perdendo espaço — especialmente em um dos ambientes mais importantes para a empresa: os dispositivos da Apple.

Mas, para analistas de mercado, o movimento pode ter outra motivação. Acredita-se que a Apple esteja tentando construir a narrativa de que o Google já não é tão dominante assim, justamente para proteger o acordo que rende cerca de US$ 20 bilhões por ano à companhia, em troca de manter o Google como mecanismo de busca padrão no Safari.

Se o Google for visto como uma empresa em declínio no setor de buscas, o raciocínio é que não faria sentido para a Justiça obrigar o rompimento desse contrato entre as duas gigantes. Seria, portanto, uma forma de garantir que esse fluxo bilionário de receita continue chegando aos cofres da Apple.

O problema, no entanto, é que os dados públicos indicam o contrário: o tráfego de buscas do Google continua crescendo, inclusive em aparelhos da Apple — só que agora mais via app do Google do que pelo navegador Safari.

Enquanto a Apple aponta uma suposta perda de espaço do Google, o buscador avança com mudanças importantes.

Desde o lançamento do ChatGPT, o Google tem investido fortemente em inteligência artificial, com o lançamento do Gemini, os resumos gerados por IA nos resultados de busca (AI Overview) e a nova interface chamada AI Mode, que transforma a busca tradicional em algo mais conversacional.

Mais de 1,5 bilhão de pessoas já utilizam essas novas funções mensalmente — um número que reforça que o domínio do Google, longe de enfraquecer, está apenas se reinventando.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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