Google rebate Apple após insinuação de queda nas buscas

Renê Fraga
3 min de leitura

Durante o julgamento antitruste que investiga o domínio do Google sobre o mercado de buscas, uma fala do executivo Eddie Cue, da Apple, chamou a atenção e gerou forte reação da gigante das buscas.

Segundo Cue, o volume de pesquisas feitas pelo navegador Safari — que tem o Google como buscador padrão — caiu em abril.

Essa foi a primeira vez que a Apple observou uma queda nesse indicador, o que levanta a possibilidade de que as pessoas estejam buscando informações de outras formas, como por meio de assistentes de inteligência artificial.

O Google, por sua vez, reagiu rapidamente. Em um comunicado emitido ainda no mesmo dia, a empresa afirmou que o volume total de buscas continua crescendo, inclusive em dispositivos da Apple.

O posicionamento oficial foi direto:

“Continuamos a observar crescimento no número total de buscas no Google. Isso inclui um aumento nas consultas feitas a partir de dispositivos e plataformas da Apple. De forma mais ampla, à medida que aprimoramos a Busca com novos recursos, as pessoas estão percebendo que o Google está mais útil para mais tipos de perguntas — e estão acessando a ferramenta de novas formas, seja por navegadores, pelo app do Google, usando comandos de voz ou o Google Lens. Estamos empolgados em continuar essa inovação e esperamos compartilhar mais novidades durante o Google I/O.”

A declaração de Cue foi feita durante seu depoimento no julgamento que analisa se o Google estaria agindo de forma anticompetitiva ao pagar para ser o buscador padrão em dispositivos da Apple e no navegador Firefox.

O Departamento de Justiça dos EUA alega que esse tipo de contrato prejudica a concorrência e limita a escolha dos usuários. A defesa do Google sustenta que essas parcerias ajudam a oferecer uma experiência mais integrada e eficiente.

O momento é delicado para o Google. Além do processo judicial, a empresa enfrenta uma nova realidade: o avanço das inteligências artificiais como o ChatGPT e outras plataformas está mudando a forma como as pessoas acessam informações.

Se o futuro da busca for dominado por IA, o modelo atual pode precisar se reinventar. A queda nas ações da empresa, que despencaram 8% após as declarações de Cue, mostra como o mercado está atento a esses sinais de mudança.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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