IA está quebrando o modelo de negócios da web, diz CEO da Cloudflare

Renê Fraga
3 min de leitura

O CEO da Cloudflare, Matthew Prince, alertou recentemente que a inteligência artificial está desestabilizando o modelo de negócios que sustentou a internet por mais de uma década.

Segundo ele, a forma como buscamos e consumimos informações online mudou drasticamente — e o principal protagonista dessa mudança é o Google.

Em entrevista ao Conselho de Relações Exteriores dos EUA, Prince explicou que, nos últimos 15 anos, a internet girava em torno da busca: o usuário pesquisava algo, o buscador entregava uma lista de links e, ao clicar, o tráfego era direcionado aos sites que produziram aquele conteúdo.

Essa mecânica criava um ecossistema: gerava valor tanto para quem buscava informações quanto para quem as criava.

Mas essa troca justa, segundo o executivo, entrou em colapso. “Antes, o Google acessava duas páginas de um site e, em troca, enviava um visitante. Hoje, são seis páginas para gerar apenas um clique”, disse Prince.

Esse declínio se deve, em grande parte, ao aumento das chamadas buscas de clique zero — quando a resposta já aparece diretamente na página do Google, sem necessidade de visitar outros sites. Estima-se que 75% das buscas já são respondidas dessa forma.

O problema se agrava com o avanço da inteligência artificial. Ferramentas como o ChatGPT e outros modelos de linguagem generativa usam milhares de páginas da web para gerar respostas, muitas vezes sem citar as fontes originais ou redirecionar tráfego para elas.

Prince aponta que, enquanto o Google ainda mantém alguma taxa de retorno, empresas como OpenAI e Anthropic chegam a proporções como 250 para 1 e 6.000 para 1, respectivamente — ou seja, milhares de páginas consultadas para cada visita gerada.

O executivo alerta: se os criadores de conteúdo não conseguirem mais extrair valor do que produzem — seja em forma de audiência, receita ou reconhecimento —, o incentivo para continuar criando desaparece. E, sem conteúdo original, a própria web corre o risco de entrar em colapso.

Apesar de acreditar no potencial transformador da IA, Prince critica o que chama de “corrida maluca por investimentos”, onde 99% dos recursos aplicados podem ser inúteis, enquanto apenas 1% tem chance de trazer verdadeiro valor.

A Cloudflare, que fornece infraestrutura para cerca de 80% das empresas de IA e entre 20% a 30% da internet, diz estar buscando soluções para proteger o futuro da web.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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