Após 25 anos de preparo, Google lidera era da IA enquanto Apple corre atrás do prejuízo

Renê Fraga
3 min de leitura

O Google está colhendo os frutos de mais de duas décadas de investimento em inteligência artificial.

Desde os primeiros anos da empresa, os fundadores Larry Page e Sergey Brin já viam a IA como o futuro da tecnologia.

O sonho maluco de Larry Page no ano 2000

Hoje, com a explosão dos modelos generativos, como o Gemini, essa visão se materializa em produtos poderosos que mostram o quanto a empresa estava se preparando para esse momento.

Diferente do que muitos imaginam, a criação de soluções em IA não acontece da noite para o dia. Ela exige uma base técnica profunda e robusta, construída com tempo, dados, poder computacional e talentos. O Google domina todos esses pilares.

Além de ter inventado o Transformer, estrutura base por trás de ferramentas como ChatGPT, a empresa conta com modelos próprios de geração de imagens (Imagen), vídeos (Veo) e até chips de processamento avançado (TPUs), usados em seus datacenters e alugados a desenvolvedores pelo Google Cloud.

Para alcançar esse patamar, o Google também se fortaleceu com aquisições estratégicas, como a compra da DeepMind em 2014, laboratório que hoje lidera várias das inovações mais avançadas da empresa em IA.

Outro marco foi a compra da DNNresearch, que trouxe para dentro do Google os fundamentos do AlexNet, um dos primeiros modelos a “enxergar” imagens como um ser humano.

Todo esse histórico criou uma base sólida, que agora impulsiona ferramentas como o Flow, novo serviço de criação de vídeos que mostra o quanto a empresa está à frente.

Enquanto isso, a Apple parece apenas começar sua corrida no setor. A empresa tem enfrentado dificuldades para atualizar a Siri com recursos de IA generativa, e rumores indicam que precisou recorrer à infraestrutura do próprio Google para treinar seus modelos.

Além disso, por priorizar privacidade, a Apple demorou para explorar seu imenso volume de dados de maneira efetiva para IA, o que agora representa um atraso estratégico.

Para compensar, pode ter que gastar bilhões ou até firmar parcerias com rivais, num cenário que revela o contraste claro: enquanto o Google passou 25 anos se preparando para esse momento, a Apple ainda está tentando descobrir como dar seus primeiros passos.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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