Google TV perde fôlego e Google redireciona foco para o YouTube

Renê Fraga
4 min de leitura

📺 Principais destaques:

  • Google TV enfrenta dificuldades para gerar lucro, mesmo com crescimento global.
  • Rivalidade com Amazon e Roku pressiona a estratégia da plataforma.
  • YouTube assume papel central, recebendo mais investimentos e atenção da empresa.

O Google está passando por uma reavaliação importante em sua atuação no mercado de TVs inteligentes.

Segundo informações obtidas pelo The Verge, a empresa alterou discretamente a forma como monetiza o Google TV, plataforma que reúne conteúdo e aplicativos em diferentes modelos de televisores e dispositivos.

Antes, o Google seguia um modelo semelhante ao de concorrentes como Roku e Vizio: exigia que produtores de conteúdo cedessem parte dos espaços publicitários, que eram vendidos diretamente pela própria empresa.

No último ano, porém, a companhia devolveu esse controle aos parceiros e passou a receber apenas uma parte da receita obtida, um reconhecimento implícito de que os próprios provedores de conteúdo conseguem vender anúncios com mais eficiência.

Apesar do crescimento, com 270 milhões de dispositivos ativos mensalmente no fim de 2024, boa parte da expansão ocorreu em mercados internacionais, onde o potencial de faturamento é mais limitado.

Além disso, muitas versões da plataforma são personalizadas por operadoras, reduzindo as oportunidades de lucro direto.

Pressão dos concorrentes e cortes internos

A concorrência no setor está acirrada. A Amazon, por exemplo, oferece incentivos agressivos, pagando “bônus” de até US$ 50 por cada dispositivo Fire TV vendido em varejistas como o Costco.

Esses subsídios dificultam a competição, já que produtos como o Fire TV Stick 4K podem custar apenas US$ 30 ao consumidor.

Embora o Google também ofereça incentivos a fabricantes e lojistas, não chega ao mesmo patamar da Amazon. Internamente, cresce o debate sobre até que ponto vale a pena investir quantias tão altas para manter a relevância no mercado.

Fontes ouvidas pelo The Information afirmam que a empresa já reduziu orçamentos, cortou equipes ligadas ao Google TV e renegociou contratos para prazos mais curtos.

A vice-presidente e gerente geral da plataforma, Shalini Govil-Pai, destacou o compromisso com inovação e experiência do usuário, mas não comentou sobre rentabilidade.

YouTube assume o protagonismo

Enquanto o Google TV enfrenta obstáculos, o YouTube segue em ascensão no consumo de vídeo via TV.

De acordo com a Nielsen, em fevereiro de 2025 o serviço representou 11,6% de toda a audiência televisiva nos Estados Unidos e faturou US$ 9,8 bilhões em publicidade no último trimestre.

Esse desempenho tem levado executivos e equipes comerciais a priorizarem o YouTube em negociações com parceiros, deixando a plataforma de TV inteligente em segundo plano.

Internamente, há quem questione se não seria mais vantajoso redirecionar recursos do Google TV para o serviço de vídeos, que já possui enorme alcance sem depender de hardware próprio.

Apesar das incertezas, é improvável que o Google abandone totalmente o segmento.

Especialistas acreditam que o Google TV pode seguir o caminho da Apple nesse setor: manter presença estratégica, mas sem buscar uma liderança agressiva, tornando-se mais um complemento de ecossistema do que um negócio central.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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