Alphabet ultrapassa Apple em valor de mercado pela primeira vez desde 2019

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • A Alphabet superou temporariamente a Apple em valor de mercado, algo que não acontecia desde 2019
  • O avanço foi impulsionado pelo crescimento do Google Cloud e pela estratégia de inteligência artificial
  • A Apple entrou em 2026 sob pressão, com analistas apontando menor potencial de valorização

A Alphabet voltou a chamar a atenção de Wall Street ao ultrapassar a Apple em valor de mercado pela primeira vez em quase sete anos.

As ações da controladora do Google subiram 1,6% no pregão de quarta-feira, levando a companhia a uma avaliação aproximada de US$ 3,864 trilhões.

O número superou momentaneamente os US$ 3,861 trilhões da Apple, colocando a Alphabet como a segunda empresa mais valiosa dos Estados Unidos, atrás apenas da Nvidia.

Um ano histórico para a Alphabet

O movimento coroou um desempenho excepcional em 2025. As ações da Alphabet acumularam alta próxima de 65% no ano, a melhor performance entre as chamadas Sete Magníficas da tecnologia.

Investidores reagiram de forma positiva a uma combinação de fatores, como a resolução de um importante processo antitruste sem a imposição de um desmembramento da empresa e o avanço consistente de seus negócios em nuvem.

Outro ponto central foi a confiança crescente na estratégia de inteligência artificial. O mercado passou a enxergar a Alphabet como uma das empresas mais bem posicionadas para transformar IA em receita recorrente, sem comprometer margens.

IA e nuvem no centro do crescimento

O Google Cloud foi um dos grandes motores dessa virada. A divisão registrou crescimento anual de 35%, superando a marca de US$ 15 bilhões em receita no terceiro trimestre de 2025. Além do volume, as margens operacionais quase dobraram, sinalizando ganhos de escala e maior eficiência.

A Alphabet também alcançou um marco inédito ao reportar, no mesmo período, sua primeira receita trimestral acima de US$ 100 bilhões. Buscas, YouTube e serviços corporativos mostraram fôlego, reforçando a diversificação do modelo de negócios.

Pressão crescente sobre a Apple

Enquanto a Alphabet avançava, a Apple enfrentava um início de 2026 mais cauteloso.

Analistas do Raymond James rebaixaram a ação para Market Perform, citando avaliação elevada e perspectivas limitadas de alta no curto prazo.

Entre os fatores de preocupação estão o crescimento moderado nas vendas de iPhone, riscos na cadeia de suprimentos e a falta de novos catalisadores imediatos.

As ações da Apple recuaram cerca de 7% desde o pico registrado em dezembro, refletindo um momento de maior incerteza para a empresa que liderou o ranking de valor de mercado na maior parte dos últimos seis anos.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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