Google passa a exigir autorização dos pais para adolescentes removerem supervisão

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques

  • O Google mudou uma política antiga e agora exige consentimento dos pais para que adolescentes encerrem a supervisão no Family Link.
  • Antes, jovens a partir de 13 anos podiam desativar sozinhos os controles parentais.
  • A decisão veio após forte repercussão de críticas sobre segurança infantil e autonomia digital.

O Google anunciou uma mudança relevante em sua política de controle parental.

A partir desta semana, adolescentes não poderão mais remover a supervisão das contas sem a autorização explícita dos pais.

A alteração vale globalmente e afeta usuários do Family Link, ferramenta usada por famílias para monitorar e limitar o uso de dispositivos e serviços digitais por crianças e jovens.

Até então, o sistema permitia que adolescentes, ao completarem 13 anos, assumissem o controle total da conta de forma independente. Com isso, os pais perdiam acesso a recursos como definição de tempo de uso, bloqueio de aplicativos e acompanhamento de transações.

Reação pública acelerou a mudança

A revisão ganhou força após uma publicação no LinkedIn de Melissa McKay, presidente do Digital Childhood Institute. O post viralizou ao relatar que seu filho recebeu um e-mail explicando como poderia desativar sozinho a supervisão parental.

Na publicação, McKay criticou duramente a prática, afirmando que empresas de tecnologia estariam incentivando crianças a contornar a participação dos pais. A repercussão gerou centenas de comentários e pressionou o Google a se posicionar publicamente.

O que muda na prática para as famílias

Com a nova política, a supervisão só poderá ser encerrada se pais e adolescentes concordarem com a decisão. Segundo o Google, o objetivo é garantir que o processo reflita a maturidade do jovem e a confiança da família, evitando transições abruptas.

Na regra anterior, ao remover a supervisão, o adolescente passava a ter acesso livre a serviços como pagamentos digitais e downloads de aplicativos, sem qualquer controle parental. Agora, essas permissões permanecem ativas até que os responsáveis autorizem a mudança.

Debate sobre autonomia digital continua

Apesar de elogiar a reversão, McKay e outros defensores da segurança infantil afirmam que ainda há lacunas importantes. Muitos pais relatam conflitos semelhantes com outras plataformas, apontando uma disputa constante entre empresas de tecnologia e famílias sobre quem deve definir os limites da independência online.

O episódio reforça um debate cada vez mais presente: como equilibrar autonomia, privacidade e proteção de menores em um ambiente digital que evolui mais rápido do que as regras e expectativas sociais.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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