Google testa ferramenta no Gemini para importar conversas do ChatGPT e rivais

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • O Google está testando um recurso no Gemini que permite importar históricos de conversas de outros assistentes de IA.
  • A ferramenta pode facilitar a migração de usuários do ChatGPT, Claude e Microsoft Copilot.
  • O teste levanta debates sobre privacidade, já que os dados importados entram na Atividade do Gemini e podem ser usados para treinar modelos.

O Google começou a testar de forma discreta uma nova funcionalidade no Gemini que promete reduzir uma das maiores dificuldades para quem pensa em trocar de assistente de inteligência artificial: levar consigo o histórico de conversas.

A ferramenta, identificada em versões iniciais por grupos de monitoramento, aparece com o nome “Importar conversas de IA” e ainda está em fase beta.

A ideia é simples, mas poderosa. Em vez de começar do zero em um novo assistente, o usuário poderia transferir diálogos antigos, preservando contexto, preferências e até fluxos de trabalho construídos ao longo de meses ou anos.

Como funciona a importação de conversas

De acordo com capturas de tela divulgadas e relatos de veículos como a PCMag, a opção surge no menu de anexos do Gemini, acessado pelo ícone de “mais” na interface principal. O processo exige que o usuário baixe previamente seu histórico de outro serviço de IA e, em seguida, faça o upload do arquivo diretamente no Gemini.

Ainda assim, o recurso parece restrito a um grupo pequeno de contas. Testes independentes não conseguiram ativar a função na maioria dos perfis, o que indica que o Google está avaliando a novidade com cautela. Outro ponto importante é que, ao menos por enquanto, a importação não inclui memórias salvas, apenas threads de conversação, e não há clareza sobre quais formatos de arquivo são aceitos.

Privacidade e uso dos dados importados

Durante o processo, o Gemini exibe um aviso informando que todo o conteúdo enviado passa a fazer parte da Atividade do usuário no serviço. Esses dados podem ser utilizados para melhorar produtos do Google, inclusive no treinamento de modelos de IA generativa.

Esse detalhe pode gerar preocupação, especialmente para quem pretende importar conversas antigas com informações sensíveis ou profissionais. Na prática, a facilidade de migração vem acompanhada de uma decisão importante sobre como esses dados serão tratados dentro do ecossistema do Google.

Outros recursos em teste no Gemini

Além da importação de conversas, versões experimentais do Gemini também mostram avanços na geração de imagens. Testadores encontraram novas opções de download em resoluções 2K e 4K, associadas ao modelo Nano Banana Pro, sendo a opção mais alta indicada como ideal para impressão.

Outro recurso identificado recebe o nome de “Likeness”. Por enquanto, ele redireciona para a página de verificação de vídeos do Gemini, usada para identificar conteúdo gerado por IA do Google. No futuro, a função pode evoluir para ajudar usuários a detectar o uso não autorizado de rosto ou voz em conteúdos sintéticos.

O impacto para a disputa entre assistentes de IA

Se a ferramenta de importação chegar ao público de forma estável, o Gemini pode ganhar uma vantagem estratégica importante. Um dos principais fatores que mantêm usuários presos a um assistente é justamente o histórico acumulado, que cria uma barreira prática para a troca.

Com o crescimento acelerado dos chatbots e hábitos cada vez mais enraizados, oferecer portabilidade de dados pode se tornar um diferencial decisivo. Embora o Google ainda não tenha anunciado um cronograma oficial, o rótulo beta sugere que o lançamento não deve estar muito distante.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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