Google compara gastos com IA a investimentos em ferrovias

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Sundar Pichai compara os investimentos em inteligência artificial às grandes obras de infraestrutura como ferrovias e rodovias
  • A Alphabet projeta investir até US$ 185 bilhões em 2026, quase o dobro do ano anterior
  • Índia se torna peça-chave na estratégia global de infraestrutura de IA do Google

O CEO do Google, Sundar Pichai, saiu em defesa dos gastos crescentes da indústria de tecnologia com inteligência artificial e fez uma comparação histórica para justificar a estratégia.

Segundo ele, os aportes atuais lembram os investimentos feitos no passado em ferrovias e rodovias, que mais tarde se tornaram pilares do crescimento econômico mundial.

A declaração foi feita durante o India AI Impact Summit, em Nova Délhi, onde Pichai afirmou que a IA representa uma transformação comparável à Revolução Industrial, só que em ritmo muito mais acelerado.

A nova infraestrutura da economia digital

Para Pichai, os bilhões direcionados à IA não devem ser vistos como exagero, mas como construção de infraestrutura estratégica.

Ele argumenta que, assim como trilhos e estradas conectaram mercados e impulsionaram o comércio no século XIX e XX, os data centers, cabos submarinos e sistemas de computação em larga escala serão a base da economia digital nas próximas décadas.

Essa visão vem acompanhada de números expressivos. A Alphabet, controladora do Google, estima investir entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em 2026. O montante é praticamente o dobro dos US$ 91,5 bilhões aplicados em 2025. Para efeito de comparação, o valor mais alto projetado supera o PIB anual de alguns países.

Google Cloud impulsiona a confiança

Parte da segurança do executivo vem do desempenho do Google Cloud. A divisão registrou crescimento de receita de 48 por cento no quarto trimestre de 2025 na comparação anual.

Além disso, sua carteira de contratos assinados alcançou US$ 240 bilhões, o dobro do registrado anteriormente.

Para o Google, esses números indicam que a demanda por infraestrutura de IA já é real e crescente. A empresa afirma que seus investimentos acompanham essa expansão e buscam evitar gargalos futuros.

Ao mesmo tempo, o mercado mantém cautela. Mesmo com resultados financeiros acima das expectativas, ações da Alphabet recuaram após o anúncio do plano agressivo de capex para 2026. Investidores questionam se o retorno virá no curto prazo ou se parte do entusiasmo atual pode se revelar excessivo.

Índia ganha papel estratégico

Durante a visita à Índia, Pichai também reforçou o compromisso da empresa com o país. Ele anunciou a iniciativa America India Connect, um conjunto de rotas de cabos submarinos que promete ampliar a conectividade entre Estados Unidos, Índia e o Hemisfério Sul.

O projeto complementa um hub de IA de US$ 15 bilhões que será construído em Visakhapatnam, no estado de Andhra Pradesh. O complexo contará com um campus de data center projetado para operar em escala de gigawatt. O Google firmou parceria com a AdaniConnex e com a Airtel para viabilizar a estrutura.

Segundo Pichai, a Índia tem potencial para se tornar uma das principais potências em inteligência artificial, e o Google pretende atuar como parceiro nesse crescimento.

Hoje, a IA já sustenta áreas centrais da empresa, como Busca, YouTube e Cloud. O assistente Gemini ultrapassou 750 milhões de usuários ativos mensais e a companhia também fechou um acordo com a Apple para integrar sua tecnologia à nova versão da Siri, ampliando o alcance para bilhões de dispositivos.

Mesmo reconhecendo anteriormente que o boom da IA apresentava sinais de euforia, Pichai agora sustenta que o maior risco não é investir demais, mas investir de menos.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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