Intrinsic se une ao Google e reforça aposta da Alphabet em IA física para robótica industrial

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • A Intrinsic, empresa de software para robótica da Alphabet, passa a integrar o Google
  • A companhia seguirá como unidade própria, mas trabalhará de perto com o Google DeepMind e o Gemini
  • Movimento reforça estratégia do Google em expandir a IA para o mundo físico e a automação industrial

A Alphabet decidiu aproximar ainda mais sua aposta em robótica do núcleo de inteligência artificial do grupo. A Intrinsic, empresa criada dentro do laboratório X e focada em tornar robôs industriais mais acessíveis por meio de software e IA, agora passa a fazer parte do Google.

A empresa continuará operando como uma entidade distinta, mas com colaboração direta com o Google DeepMind e acesso aos modelos Gemini, além da infraestrutura em nuvem do Google. O valor do acordo não foi divulgado.

Da incubadora X ao ecossistema Google

A Intrinsic nasceu dentro da divisão de projetos experimentais da Alphabet, a X, e tornou-se uma empresa independente do grupo em 2021, após cinco anos de desenvolvimento interno. O caminho é semelhante ao de outras iniciativas que também saíram da X, como a Waymo e a Wing.

Desde então, a empresa acelerou sua expansão. Em 2022, adquiriu a Vicarious, startup de software para robótica que havia captado cerca de US$ 250 milhões de investidores, incluindo Jeff Bezos. Pouco depois, comprou divisões com fins lucrativos da Open Robotics, ampliando sua presença no setor.

Apesar do crescimento, a Intrinsic enfrentou ajustes. Em janeiro de 2023, a companhia reduziu cerca de 20% de sua equipe. Meses depois, lançou seu primeiro produto, o Flowstate, plataforma voltada para desenvolvedores que não possuem experiência avançada em robótica, alinhada à proposta de democratizar o uso de robôs industriais.

Flowstate, Vision AI e o avanço na automação

O Flowstate foi pensado como uma ferramenta para simplificar a criação de fluxos de trabalho robóticos. A proposta é permitir que mais empresas integrem automação sem depender exclusivamente de especialistas altamente técnicos.

Em 2025, a Intrinsic apresentou o Intrinsic Vision AI, modelo voltado à visão computacional aplicada à robótica. No mesmo ano, firmou uma joint venture com a fabricante de eletrônicos Foxconn para desenvolver robôs inteligentes de uso geral, com foco na automação completa de fábricas.

A meta é transformar profundamente a produção industrial, alterando tanto a lógica econômica quanto a operação das linhas de montagem.

IA física ganha força no Vale do Silício

A integração da Intrinsic ao Google ocorre em um momento em que líderes do setor defendem que o próximo grande salto da inteligência artificial está na chamada IA física, ou seja, sistemas capazes de atuar diretamente no mundo real por meio de máquinas e robôs.

Executivos como Jensen Huang, da Nvidia, e Cristiano Amon, da Qualcomm, já apontaram a robótica como etapa natural na evolução e monetização da IA.

Com o suporte dos modelos Gemini e da infraestrutura global do Google, a Intrinsic passa a ter acesso a recursos de escala e capacidade computacional que podem acelerar significativamente seus planos. Para o Google, o movimento reforça a ambição de levar sua inteligência artificial além do software e colocá-la para operar diretamente no chão de fábrica.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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