Google rebate críticas e nega que IA prejudique tráfego de notícias no Brasil

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • Google afirma que queda de audiência não está ligada aos resumos de IA
  • Cade investiga possível abuso de posição dominante no uso de conteúdo jornalístico
  • Empresa aponta redes sociais e vídeos curtos como principais responsáveis pela mudança no consumo

O Google enviou ao Cade uma resposta oficial negando que seus resumos gerados por inteligência artificial estejam prejudicando o tráfego de sites de notícias no Brasil. O documento, protocolado em março de 2026, pede o arquivamento do inquérito que apura possíveis impactos da tecnologia no setor jornalístico.

Segundo a empresa, a redução de acessos aos portais não é consequência dos chamados AI Overviews, mas sim de uma transformação mais ampla no comportamento dos usuários na internet.

Mudança no consumo digital está no centro da discussão

De acordo com o Google, o público tem migrado cada vez mais para plataformas de conteúdo rápido e contínuo, como TikTok, Instagram e YouTube. Nesses ambientes, a informação é consumida diretamente no feed, sem necessidade de acessar o site original.

A empresa argumenta que esse novo formato reduz naturalmente os cliques em links externos, afetando métricas tradicionais usadas por veículos de imprensa. Para o Google, medir sucesso apenas por visitas ao site já não reflete a realidade do consumo atual.

Investigação envolve uso de conteúdo jornalístico

O processo no Cade busca entender se o Google estaria utilizando sua posição dominante para se beneficiar do conteúdo produzido por veículos de imprensa, especialmente ao alimentar sistemas de inteligência artificial com essas informações.

Associações do setor alegam que os resumos exibidos no buscador entregam respostas completas, diminuindo o incentivo para o usuário clicar nas matérias originais. Isso, segundo elas, impacta diretamente a receita publicitária dos portais.

O caso não é recente. As discussões começaram anos atrás com foco no Google News e evoluíram para incluir as novas funcionalidades baseadas em IA.

Google defende ferramentas de controle e evita falar em pagamento

Na defesa apresentada, o Google afirma que os próprios veículos já possuem mecanismos para controlar como seus conteúdos aparecem nas buscas, como o uso de tags que impedem a exibição de trechos.

No entanto, a empresa evitou aprofundar o debate sobre remuneração obrigatória pelo uso de conteúdo jornalístico, tema que vem sendo discutido globalmente e já gerou legislações em países como Canadá e Austrália.

Enquanto isso, entidades como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor defendem medidas mais rígidas, incluindo a desativação dos resumos de IA por padrão.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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