Principais destaques
- O Google começou a considerar o uso de ferramentas de inteligência artificial nas avaliações de desempenho dos funcionários.
- A exigência, antes focada em engenheiros, agora também atinge equipes de vendas, estratégia e outras áreas não técnicas.
- A mudança reflete uma estratégia maior da empresa para integrar IA em praticamente todas as atividades internas.
A inteligência artificial entra nas avaliações de desempenho
O Google deu mais um passo para incorporar a inteligência artificial no cotidiano da empresa. Segundo uma reportagem do Business Insider, gerentes passaram a informar funcionários de diversas áreas que o uso de ferramentas de IA será levado em conta nas avaliações de desempenho realizadas este ano.
A orientação foi comunicada nas últimas semanas e amplia uma expectativa que antes era mais comum entre engenheiros de software. Agora, profissionais de setores como vendas, estratégia e operações também devem integrar recursos de IA em suas tarefas diárias.
Alguns funcionários disseram que foram avisados de que o uso dessas ferramentas poderá influenciar diretamente o processo interno de avaliação conhecido como GRAD, sigla para Googler Reviews and Development. Isso significa que demonstrar familiaridade com IA pode se tornar um fator relevante para progressão de carreira dentro da empresa.
De engenheiros para toda a empresa
O incentivo ao uso de inteligência artificial não começou agora. Em junho de 2025, a vice-presidente de engenharia Megan Kacholia enviou um e-mail pedindo que engenheiros adotassem ferramentas de IA no desenvolvimento de software e atualizassem suas descrições de cargo para refletir essa mudança.
Agora a política está se expandindo para além das equipes técnicas.
Funcionários não técnicos estão sendo estimulados a utilizar IA para tarefas como elaboração de documentos estratégicos, análise de chamadas com clientes e geração de insights comerciais.
Em algumas equipes de vendas, por exemplo, sistemas internos de IA gravam conversas com clientes e produzem automaticamente anotações e resumos. Há relatos de que alguns funcionários receberam metas semanais de uso dessas ferramentas.
Outra iniciativa envolve o uso do Yoodli, uma plataforma com avatar de inteligência artificial que permite aos representantes de vendas treinar apresentações antes de reuniões com clientes.
A senioridade também pesa nesse cenário. Funcionários mais experientes são incentivados a demonstrar maior domínio das ferramentas de IA em comparação com colegas em início de carreira.
Ferramentas internas e estratégia liderada por Pichai
Para evitar riscos com dados sensíveis, os funcionários do Google são orientados a utilizar principalmente ferramentas internas de inteligência artificial aprovadas pela empresa.
Entre elas estão o Duckie, uma versão personalizada do chatbot Gemini treinada com documentação interna, e o Goose, um assistente de programação baseado em décadas de histórico de engenharia do Google.
Essa transformação reflete uma prioridade estratégica definida pelo CEO Sundar Pichai. Nos últimos anos, ele tem reforçado que a adoção ampla de IA dentro da empresa é essencial para manter o Google competitivo frente a rivais do setor.
Durante a divulgação de resultados do quarto trimestre de 2025, a CFO Anat Ashkenazi afirmou que cerca de 50% do código produzido no Google já é gerado por agentes de IA e depois revisado por engenheiros humanos. Meses antes, a estimativa divulgada por Pichai era de pouco mais de 30%.
Um movimento que se espalha pelo Vale do Silício
O Google não é a única empresa de tecnologia a vincular o uso de inteligência artificial ao desempenho dos funcionários.
A Meta informou a seus colaboradores que o impacto gerado por IA será um elemento central nas avaliações a partir de 2026. Na Microsoft, executivos também passaram a comunicar que o uso de IA deixou de ser opcional no ambiente de trabalho.
Esse movimento conjunto sugere uma mudança profunda no mercado de tecnologia. A fluência em inteligência artificial está rapidamente deixando de ser apenas um diferencial e passando a ser tratada como uma habilidade básica para profissionais de praticamente todas as áreas.