Google AI Mode vira quase um agente de viagens e agora monitora voos, encontra hotéis e calcula milhas

Renê Fraga
15 min de leitura

Principais destaques

✈️ Passagens sob monitoramento: o AI Mode pode acompanhar os preços de um voo e enviar um alerta por e-mail quando houver mudança.

🏨 Hotéis dentro da conversa: nos Estados Unidos, a ferramenta começou a permitir que usuários encontrem e encaminhem reservas de hotéis sem sair da experiência do AI Mode.

🎟️ Pontos e milhas: o Google também passou a mostrar quanto uma viagem pode custar em programas de recompensas, facilitando a comparação para quem usa milhas.

O Google está transformando o AI Mode em algo que vai muito além de uma ferramenta para responder perguntas.

A partir das novas funções anunciadas nesta semana, o sistema começa a participar de etapas que tradicionalmente exigiam uma sequência de pesquisas, comparações e acessos a diferentes sites.

A ideia é simples de entender: em vez de pesquisar separadamente passagens, preços, hotéis e programas de fidelidade, o usuário pode explicar o que pretende fazer em uma conversa.

E o Google tenta cuidar de uma parte cada vez maior do trabalho.

A empresa anunciou três novidades voltadas para viagens: monitoramento de preços de voos, consulta de valores em pontos ou milhas e reservas de hotéis pelo AI Mode. As informações foram divulgadas pelo Google em 27 de agosto e também confirmadas pelo TechCrunch.


✈️ O Google agora pode ficar de olho no preço da passagem

Uma das novidades mais interessantes é a chegada do acompanhamento de preços do Google Flights diretamente ao AI Mode.

O funcionamento tenta eliminar uma das partes mais cansativas de planejar uma viagem: decidir se vale a pena comprar a passagem agora ou esperar mais um pouco.

O usuário pode conversar com o AI Mode, informar origem, destino e datas e receber opções com os preços mais recentes. Segundo o Google, os resultados são baseados em informações de mais de 300 companhias aéreas e sites parceiros de viagens.

Depois vem a parte que pode fazer diferença para quem costuma pesquisar bastante antes de comprar.

Se o preço parecer alto, basta pedir para a ferramenta acompanhar aquela tarifa.

Ao confirmar o monitoramento, o Google passa a observar os valores relacionados ao destino e às datas escolhidas. Caso o preço mude, o usuário recebe um alerta por e-mail.

Uma função antiga ganha uma nova forma de uso

O recurso não surgiu do nada. O Google Flights já oferecia acompanhamento de preços, mas agora a empresa está colocando essa capacidade dentro de uma experiência conversacional.

Isso muda a lógica da pesquisa.

Em vez de entrar em uma página específica, preencher campos e procurar a opção de monitoramento, a pessoa pode simplesmente explicar o que pretende fazer e pedir que o AI Mode acompanhe aquela viagem.

O monitoramento de preços em voos está disponível em mais de 180 países e territórios, embora existam algumas limitações regionais. O Google informa, por exemplo, que essa função não está disponível nos países e territórios do Espaço Econômico Europeu.

Na prática: o AI Mode começa a funcionar menos como uma página de resultados e mais como um assistente que continua trabalhando depois da pesquisa.


🏨 Encontrou o hotel? Agora o Google quer ajudar na reserva

A segunda grande mudança está nos hotéis.

O usuário pode contar ao AI Mode para onde vai viajar, quando pretende ficar e quais características procura em uma hospedagem. A ferramenta então apresenta uma seleção visual de hotéis, incluindo avaliações de hóspedes e informações que ajudam na comparação.

É uma mudança importante porque o Google não está apenas tentando responder à pergunta “onde posso ficar?”.

Agora, a experiência passa a caminhar em direção a “qual hotel faz mais sentido para mim e como posso reservá-lo?”

Quando o usuário escolhe uma opção, pode pedir ao AI Mode para ajudar com a reserva. Surge então a opção “Continuar no Google”, acompanhada dos parceiros disponíveis para aquela hospedagem.

A partir dessa etapa, é possível selecionar o tipo de quarto, verificar informações como a política de cancelamento e finalizar o pagamento com Google Pay.

O Google não assume toda a responsabilidade pela reserva

Existe, porém, uma distinção importante.

Embora toda a experiência seja apresentada de maneira integrada, o Google deixa claro que o hotel ou a plataforma parceira continua sendo responsável pela transação e pelo atendimento ao cliente.

Isso significa que o AI Mode pode ajudar o usuário a encontrar a hospedagem, comparar alternativas e avançar no processo, mas problemas relacionados à reserva continuam sendo tratados pelo hotel ou pelo serviço responsável pela venda.

O lançamento começou nos Estados Unidos, em inglês, e está sendo ampliado gradualmente.

Entre os parceiros anunciados estão:

Booking.com • Choice Hotels International • Expedia • Hilton • Hotels.com • IHG Hotels & Resorts • Marriott International • Priceline • Trip.com • Wyndham Hotels & Resorts

A previsão do Google é disponibilizar o recurso com esses parceiros ao longo das próximas semanas.


🎟️ E se a viagem for paga com milhas?

Talvez essa seja a função mais interessante para quem já está acostumado a usar programas de fidelidade.

O AI Mode agora consegue mostrar preços de voos e hotéis em pontos ou milhas, além dos valores tradicionais.

O usuário pode, por exemplo, dizer que quer viajar entre duas cidades, informar as datas e especificar qual programa de recompensas deseja utilizar.

Em vez de receber apenas uma lista de passagens em dinheiro, o sistema pode apresentar quantas milhas são necessárias para as opções encontradas.

O mesmo princípio vale para hotéis.

A pesquisa pode ficar muito mais natural

Imagine alguém que tenha acumulado milhas ao longo do ano e queira descobrir qual é a melhor maneira de utilizá-las.

Hoje, essa pessoa pode precisar visitar diferentes sites, conferir disponibilidade, comparar datas e descobrir quantos pontos são exigidos em cada alternativa.

Com o AI Mode, a proposta é transformar parte desse processo em uma conversa.

O usuário pode explicar:

“Quero viajar em determinada data, usando minhas milhas. Encontre opções sem escalas.”

A ferramenta então pesquisa as alternativas disponíveis e mostra o custo em pontos ou milhas com base nos dados fornecidos pelos parceiros.

O recurso de visualização de pontos e milhas já está disponível globalmente. No lançamento, o Google anunciou suporte inicial para Alaska Airlines/Hawaiian Airlines, American Airlines, Choice Hotels International, Hilton e Wyndham Hotels & Resorts. A empresa também informou que pretende adicionar Accor, Flying Blue, Hyatt, LATAM Airlines e Lufthansa Group Miles & More nas semanas seguintes.


🧠 O Google está transformando a Busca em um agente?

É aqui que a novidade fica maior do que simplesmente “mais uma função do Google”.

Nos últimos meses, a empresa vem aproximando suas ferramentas de uma experiência em que a inteligência artificial não apenas encontra informações, mas ajuda a executar tarefas.

O próprio Google já vinha expandindo o uso de IA para planejamento de viagens. Em agosto, a empresa mostrou como o Gemini consegue combinar informações de serviços como Maps, Flights e Hotels para montar itinerários personalizados, levando em consideração planos existentes e preferências do usuário.

Também existem recursos anteriores para acompanhar preços de hotéis, montar itinerários e até encontrar restaurantes com disponibilidade em plataformas parceiras.

Agora, o AI Mode reúne mais dessas etapas dentro da própria conversa.

Isso ajuda a explicar por que a mudança é relevante.

A busca deixa de ser apenas uma porta de entrada

Durante décadas, o Google funcionou principalmente como intermediário.

O usuário fazia uma pergunta.

O Google mostrava resultados.

A pessoa entrava em outro site e realizava a tarefa.

O modelo que está surgindo com o AI Mode é diferente.

Pesquisar → comparar → decidir → acompanhar → reservar

Cada vez mais dessas etapas podem acontecer dentro da experiência do Google.

Isso aproxima o AI Mode daquilo que a indústria vem chamando de agente de IA, ou seja, sistemas capazes de interpretar uma intenção e realizar uma sequência de ações para chegar a um objetivo.

O próprio movimento do Google mostra essa direção. Em 2026, a empresa afirmou que o interesse por termos relacionados a “assistente de viagens com IA” e “concierge de IA” cresceu 350% em um ano, enquanto buscas relacionadas a reservas de voos com IA tiveram um aumento de 315%.


🌎 E no Brasil?

Existe um detalhe importante para quem acompanha essas novidades de fora dos Estados Unidos.

O Modo IA já chegou ao Brasil em português, lançado pelo Google em 2025 para a Busca e os aplicativos da empresa em Android e iOS.

Isso não significa, porém, que todas as novas funções de viagem estarão disponíveis imediatamente para usuários brasileiros.

A disponibilidade varia conforme o recurso, idioma, país e parceiros integrados. No caso da reserva de hotéis anunciada agora, o lançamento inicial acontece nos Estados Unidos e em inglês.

Já a consulta de preços em pontos e milhas possui disponibilidade global, embora os programas compatíveis dependam das integrações oferecidas pelo Google.

Portanto, para o usuário brasileiro, a tendência é que a experiência fique mais completa à medida que novos mercados, idiomas e parceiros sejam adicionados.


🔎 O que muda para quem planeja uma viagem

A principal mudança não está em uma única função.

Está na forma de pesquisar.

Antes, uma viagem podia exigir várias abas abertas: uma para passagens, outra para hotéis, outra para avaliações, outra para milhas e mais algumas para acompanhar preços.

Agora, o Google tenta colocar boa parte desse processo dentro de uma conversa.

Você pode começar com uma intenção bastante ampla, como:

“Quero viajar no próximo mês e gastar pouco.”

Depois, pode refinar:

“Prefiro um voo direto.”

E então:

“Tenho milhas, veja quanto custa usando meu programa.”

Se ainda não estiver satisfeito:

“Procure hotéis próximos ao centro e acompanhe os preços.”

Essa capacidade de continuar a conversa é justamente uma das características que diferencia o AI Mode da busca tradicional.

O usuário não precisa necessariamente começar tudo de novo a cada etapa.


💡 Menos abas, mais decisões

É fácil imaginar o impacto disso para quem viaja com frequência.

Uma pessoa pode começar pesquisando um destino sem ter certeza das datas. Depois, comparar preços, verificar se compensa usar milhas, escolher um hotel e pedir para acompanhar uma tarifa antes de tomar a decisão final.

O Google está tentando transformar todas essas pequenas tarefas em uma única jornada.

E existe uma razão estratégica para isso.

Quanto mais etapas da viagem acontecem dentro do ecossistema do Google, maior é a importância do AI Mode como ponto de partida para decisões que envolvem dinheiro.

A empresa, portanto, não está apenas melhorando a busca.

Está tentando mudar o papel que a Busca desempenha na vida do usuário.

O buscador tradicional ajudava a encontrar.

O novo AI Mode quer ajudar a fazer.


✈️ A viagem começa antes do aeroporto

As novas funções ainda estão em expansão e não significam que o Google esteja assumindo integralmente todas as etapas de uma viagem.

Companhias aéreas, hotéis e plataformas de reservas continuam envolvidos nas transações. A disponibilidade de recursos também depende do país e dos parceiros.

Mas a direção é clara.

O Google quer que o usuário consiga começar com uma ideia, transformar essa ideia em um plano e avançar até a reserva sem precisar navegar por uma quantidade enorme de serviços diferentes.

Para quem viaja, isso pode representar menos trabalho.

Para o Google, representa algo ainda maior: transformar a Busca em uma ferramenta capaz de participar ativamente das decisões do usuário.

E, quando uma inteligência artificial começa a acompanhar preços, comparar opções, entender preferências e encaminhar reservas, a diferença entre “pesquisar algo” e “delegar uma tarefa” começa a ficar cada vez menor.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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