Meta assina acordo para alugar chips de IA do Google, diz relatório

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Meta firmou acordo para alugar chips de inteligência artificial do Google para treinar e executar novos modelos de IA.
  • As TPUs do Google podem complementar o desenvolvimento do modelo Llama e outras tecnologias da empresa.
  • A estratégia da Meta inclui acordos simultâneos com Nvidia, AMD e também chips próprios.

Meta busca mais poder computacional para seus modelos de IA

A corrida global por infraestrutura de inteligência artificial ganhou um novo capítulo. A Meta Platforms assinou um acordo para alugar chips de IA desenvolvidos pelo Google, ampliando sua capacidade de processamento para criar novos modelos avançados.

Segundo informações divulgadas pelo The Information, a empresa passará a utilizar as unidades de processamento tensorial do Google, conhecidas como TPUs, por meio da plataforma Google Cloud. Esses chips são especializados em tarefas de inteligência artificial e podem acelerar tanto o treinamento quanto a execução de modelos complexos.

Além do aluguel, a Meta também estaria negociando a compra direta dessas unidades para instalação em seus próprios data centers a partir do próximo ano. Se confirmado, o movimento representaria uma integração ainda mais profunda entre as duas gigantes da tecnologia no campo da IA.

Uma estratégia com vários fornecedores de chips

O acordo com o Google é apenas uma peça de um plano muito maior. A Meta vem fechando parcerias com diferentes fabricantes de semicondutores para sustentar o crescimento de seus sistemas de inteligência artificial.

Recentemente, a empresa anunciou um acordo multibilionário com a AMD para utilizar GPUs da linha Instinct, com potencial de chegar a 60 bilhões de dólares ao longo de cinco anos. Pouco antes disso, também ampliou sua colaboração com a Nvidia, incluindo o uso de milhões de processadores da próxima geração.

De acordo com analistas do setor, a Meta está adotando uma estratégia de múltiplas frentes. Nesse modelo, a Nvidia continua sendo usada para treinar modelos mais avançados, enquanto a AMD ajuda na expansão da capacidade de inferência. As TPUs do Google podem servir para ampliar o processamento de projetos como o Llama, enquanto os chips próprios da empresa, chamados MTIA, seguem responsáveis por tarefas internas como algoritmos de recomendação.

Google quer transformar seus chips em um novo negócio

Para o Google, o acordo também representa um passo importante. Durante anos, as TPUs foram usadas principalmente dentro da própria empresa, ajudando a alimentar serviços como busca, tradução e ferramentas de inteligência artificial.

Agora, a companhia quer transformar esse hardware em uma plataforma comercial. Nos últimos meses, o Google começou a expandir o acesso às TPUs para parceiros externos, incluindo grandes empresas de IA.

Um exemplo foi o acordo assinado em 2025 com a Anthropic, que garantiu acesso a até um milhão desses chips. A empresa também trabalha para melhorar a compatibilidade das TPUs com o framework PyTorch, um dos mais populares no desenvolvimento de IA, reduzindo barreiras para novos clientes.

Executivos do Google Cloud acreditam que a comercialização das TPUs pode se tornar um negócio bilionário e até disputar uma parcela significativa da receita atualmente dominada pela Nvidia no mercado de chips para inteligência artificial.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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