Brasil precisa deixar de apenas consumir IA e começar a criar suas próprias tecnologias, diz CEO do Google

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • CEO do Google Brasil afirma que o maior desafio do país é desenvolver tecnologia própria de inteligência artificial.
  • Especialistas destacam que a matriz energética limpa brasileira pode atrair investimentos em infraestrutura para IA.
  • Empresas como Google e Uber ampliam investimentos locais para acelerar inovação e produtividade.

O Brasil tem uma oportunidade histórica de ocupar um papel mais relevante na revolução da inteligência artificial. No entanto, para que isso aconteça, o país precisa superar uma barreira importante: deixar de ser apenas um consumidor de tecnologia e se transformar em um produtor de soluções de IA.

A avaliação foi feita por Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, durante o Seminário Econômico LIDE EUA-Brasil, realizado em São Paulo.

Segundo o executivo, o país já conta com iniciativas e centros voltados ao desenvolvimento da inteligência artificial, mas a estrutura atual ainda é insuficiente para democratizar o acesso à tecnologia em larga escala. Para ele, o próximo passo é criar condições para que o conhecimento seja desenvolvido localmente, permitindo que o Brasil construa suas próprias soluções em vez de depender exclusivamente de tecnologias importadas.

O desafio de criar IA com identidade brasileira

Durante sua participação no evento, Fábio Coelho destacou que o desenvolvimento de inteligência artificial no país deve considerar características e necessidades específicas da economia brasileira. Áreas como agricultura, logística e redes de energia foram apontadas como setores onde a IA nacional poderia gerar impactos significativos.

A proposta vai além da adoção de ferramentas estrangeiras. O objetivo seria criar tecnologias adaptadas à realidade brasileira, capazes de resolver desafios locais e aumentar a competitividade do país em mercados estratégicos.

Energia limpa pode se tornar vantagem competitiva

Para Magno Maciel, CEO do X-VIA Group, o Brasil possui um diferencial importante na corrida global pela inteligência artificial: sua matriz energética predominantemente limpa e com custos competitivos.

De acordo com o executivo, a crescente demanda por processamento de dados e treinamento de modelos de IA aumenta a necessidade de infraestrutura energética robusta. Nesse cenário, o país pode se tornar um destino atrativo para empresas que buscam instalar centros de processamento e operações ligadas à inteligência artificial.

Além de hospedar essa infraestrutura, Maciel acredita que o Brasil também pode assumir um papel relevante na exportação de serviços relacionados ao treinamento e à execução de modelos de IA para outros mercados.

Investimentos aceleram a transformação digital

As discussões do evento também destacaram iniciativas concretas de grandes empresas para fortalecer o ecossistema tecnológico brasileiro. O Google anunciou recentemente a inauguração de um novo centro de engenharia em São Paulo, ampliando sua capacidade de pesquisa e desenvolvimento no país.

Já a Uber informou que está investindo cerca de R$ 2 bilhões em tecnologia no mercado brasileiro. Internamente, a companhia vem utilizando inteligência artificial para acelerar processos de inovação. Segundo Silvia Penna, diretora-geral da empresa no Brasil, o tempo necessário para lançar novos projetos foi reduzido pela metade, passando de aproximadamente um ano para apenas seis meses.

Para a executiva, os resultados demonstram como a inteligência artificial pode aumentar a eficiência operacional e reforçam a importância de integrar a tecnologia de forma ampla dentro das organizações.

O debate reforça que o Brasil possui ativos valiosos para participar da nova economia da inteligência artificial. A combinação de energia limpa, mercado consumidor relevante e investimentos crescentes pode abrir caminho para que o país deixe de apenas utilizar soluções desenvolvidas no exterior e passe a criar tecnologias capazes de competir globalmente.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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