Google: sistema de alerta de terremotos do Android está ativo no Brasil e recebeu melhorias após falso alarme

Renê Fraga
10 min de leitura

Principais destaques

  • O Google confirmou ao Google Discovery (GD) que o Sistema de Alertas de Terremotos do Android continua funcionando normalmente no Brasil.
  • Segundo a empresa, o recurso foi reativado em abril de 2025, após passar por mudanças para reduzir o risco de falsos alertas.
  • A confirmação chega poucos dias depois de o sistema ganhar destaque ao alertar milhões de pessoas antes dos fortes terremotos registrados na Venezuela.

Mais de um ano após um falso alerta de terremoto surpreender usuários brasileiros, o Google confirmou ao Google Discovery (GD) que o Sistema de Alertas de Terremotos do Android está ativo no Brasil e passou por mudanças importantes para tornar sua operação ainda mais confiável.

A informação foi obtida exclusivamente pela reportagem do Google Discovery diretamente com o Google Brasil e esclarece uma dúvida que ainda persistia entre muitos usuários desde fevereiro de 2025, quando milhares de celulares Android emitiram uma notificação informando um terremoto que nunca aconteceu.

Na época, o episódio rapidamente ganhou repercussão nacional. Usuários relataram ter recebido um alerta indicando um terremoto de grande magnitude que supostamente atingiria regiões do Sudeste brasileiro durante a madrugada. Pouco depois, ficou claro que não havia qualquer atividade sísmica capaz de justificar a notificação.

Após o incidente, o Google suspendeu temporariamente o funcionamento do recurso no Brasil enquanto iniciava uma investigação interna para identificar a origem da falha. Desde então, embora a empresa tenha informado que trabalhava em melhorias, não havia confirmado publicamente quando o sistema havia voltado a operar no país.

Agora, em resposta ao Google Discovery, o Google esclareceu que o serviço foi restabelecido ainda em 2025, após receber alterações destinadas justamente a reduzir a possibilidade de novos falsos positivos.

Google confirma ao GD que o sistema voltou em abril de 2025

Em comunicado enviado ao Google Discovery, o Google explicou que a suspensão do recurso foi temporária e que a tecnologia voltou a funcionar cerca de dois meses após o incidente registrado em fevereiro de 2025.

Segundo a empresa:

“Reativamos rapidamente o Sistema de Alertas de Terremotos do Android em abril do ano passado (2025), logo após implementarmos medidas significativas de mitigação. Para ajudar a evitar detecções falsas, reforçamos as verificações do sistema quanto a padrões incomuns e excluímos certos critérios para restringir o foco do sistema.”

A declaração confirma oficialmente que o recurso continua disponível para usuários brasileiros de Android.

Embora o Google não tenha detalhado quais critérios técnicos foram removidos nem quais verificações passaram a fazer parte do sistema, a empresa afirma que realizou mudanças importantes justamente para aumentar a confiabilidade da plataforma e minimizar a possibilidade de novos alertas incorretos.

Na prática, isso significa que o algoritmo responsável por analisar as informações recebidas pelos smartphones passou a ser mais criterioso antes de confirmar que um terremoto realmente está em andamento.

A confirmação obtida pelo Google Discovery encerra uma das principais dúvidas deixadas pelo episódio ocorrido no ano passado: o sistema voltou a funcionar e continua disponível no Brasil.

Relembre o falso alerta que assustou brasileiros

O caso aconteceu durante a madrugada de 14 de fevereiro de 2025. Milhares de usuários de celulares Android em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais receberam uma notificação automática informando um suposto terremoto de magnitude superior a 5.

O alerta recomendava que as pessoas buscassem proteção imediatamente. Poucos minutos depois, usuários começaram a questionar a autenticidade da notificação nas redes sociais, já que nenhum tremor havia sido registrado pelos órgãos oficiais brasileiros.

Naquele mesmo dia, o Google confirmou que a mensagem havia sido emitida pelo próprio Sistema de Alertas de Terremotos do Android e não por instituições como a Defesa Civil.

Como medida preventiva, a empresa desativou temporariamente a funcionalidade no Brasil enquanto investigava o ocorrido e pediu desculpas aos usuários pelo transtorno.

O episódio chamou atenção porque o recurso vinha sendo considerado uma das iniciativas mais inovadoras do Google na área de segurança pública, utilizando bilhões de smartphones como sensores sísmicos distribuídos ao redor do planeta.

Agora, a empresa informa que aproveitou o incidente para fortalecer os mecanismos internos responsáveis pela detecção de terremotos.

Como funciona o Sistema de Alertas de Terremotos do Android?

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o sistema desenvolvido pelo Google não prevê terremotos.

Na verdade, ele identifica rapidamente um terremoto que já começou. O segredo está em um pequeno componente presente em praticamente todos os smartphones Android: o acelerômetro.

Esse sensor é utilizado diariamente para funções simples, como girar automaticamente a tela, contar passos ou identificar movimentos do aparelho.

Entretanto, ele também consegue detectar as primeiras vibrações produzidas por um terremoto.

Quando milhares de celulares registram praticamente o mesmo padrão de movimento ao mesmo tempo, essas informações são enviadas de forma automática e anônima aos servidores do Google.

Em questão de segundos, algoritmos analisam os dados recebidos para verificar se realmente existe um evento sísmico em andamento.

Se houver evidências suficientes, o sistema estima a localização do epicentro, calcula a intensidade do terremoto e identifica quais regiões ainda podem ser atingidas pelas ondas sísmicas mais destrutivas.

Como os dados trafegam pela internet muito mais rapidamente do que as ondas sísmicas percorrem o solo, o Google consegue enviar notificações antes que muitas pessoas sintam os tremores mais intensos.

Dependendo da distância em relação ao epicentro, esse tempo pode variar de poucos segundos até cerca de um minuto ou mais.

Embora pareça pouco, especialistas afirmam que esse intervalo pode ser suficiente para que pessoas saiam de áreas de risco, se afastem de janelas, interrompam atividades perigosas ou procurem abrigo.

O sucesso na Venezuela mostra por que o sistema é importante

A confirmação enviada ao Google Discovery acontece poucos dias depois de o Android Earthquake Alerts ganhar repercussão internacional durante os fortes terremotos registrados na Venezuela.

Na ocasião, o sistema detectou rapidamente a atividade sísmica e enviou alertas para aproximadamente 11,4 milhões de usuários de Android.

Segundo informações divulgadas pelo Google, os primeiros alertas começaram a ser disparados apenas nove segundos após o início do terremoto, permitindo que muitas pessoas recebessem o aviso antes da chegada das ondas sísmicas mais destrutivas.

Dependendo da localização dos usuários em relação ao epicentro, algumas notificações chegaram com até dois minutos de antecedência, um tempo considerado extremamente valioso em situações de emergência.

O episódio também evidenciou uma característica importante da tecnologia do Google.

Enquanto países como Japão, México e Estados Unidos possuem redes oficiais de alerta sísmico, a Venezuela não conta com um sistema nacional comparável.

Mesmo assim, milhões de pessoas conseguiram receber avisos graças aos próprios smartphones Android, que funcionaram como uma gigantesca rede colaborativa de sensores.

O Brasil continua protegido pelo sistema do Google

Com a confirmação enviada ao Google Discovery, fica claro que o episódio do falso alerta em 2025 não levou ao encerramento definitivo do serviço no Brasil. Pelo contrário.

Segundo o Google, a empresa utilizou o incidente para revisar o funcionamento da plataforma, implementar medidas de mitigação, reforçar a análise de padrões considerados incomuns e restringir determinados critérios de detecção antes de reativar o recurso.

O que significa que usuários brasileiros de celulares Android continuam contando com uma tecnologia capaz de identificar rapidamente terremotos e emitir alertas quando houver tempo para que a população possa reagir.

Embora terremotos de grande magnitude sejam raros no Brasil, o sistema também pode detectar eventos sísmicos em países vizinhos que tenham potencial para produzir tremores sentidos em território brasileiro.

A confirmação obtida pelo Google Discovery também representa o primeiro posicionamento claro do Google Brasil sobre a situação atual da plataforma desde o incidente ocorrido em 2025, encerrando as dúvidas sobre a disponibilidade do recurso e indicando que a empresa segue investindo em sua evolução para torná-lo cada vez mais preciso.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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