Principais destaques
- Quatro novas métricas: o Chrome passa a medir quantidade, densidade, tráfego de rede e uso de CPU gerados por anúncios.
- Dados do mundo real: as informações vêm do Chrome User Experience Report e já podem ser consultadas por APIs e pelo DevTools.
- Uma possível nova moeda do anúncio: ainda experimentais, as métricas podem abrir caminho para mudanças na avaliação de inventário, embora o Google não tenha definido limites nem confirmado uso em lances.
A publicidade na web sempre teve um problema difícil de transformar em número: quando um site deixa de estar monetizado e passa a estar simplesmente pesado demais?
O Google decidiu começar a medir essa fronteira.
A empresa apresentou quatro métricas experimentais no Chrome User Experience Report, o CrUX, para quantificar o impacto dos anúncios durante a navegação real. A ideia é dar a anunciantes, publishers e desenvolvedores uma linguagem comum para falar sobre algo que, até agora, era muito mais percebido do que medido.
Não é só contar banners 👀
As novas métricas cobrem quatro dimensões diferentes da experiência publicitária:
| Métrica | O que mede |
|---|---|
| Ad Count | Número médio de anúncios distintos visíveis durante a rolagem |
| Ad Density | Proporção da área da tela ocupada por publicidade |
| Ad Weight: Network Usage | Consumo acumulado de rede provocado por anúncios |
| Ad Weight: CPU Usage | Uso acumulado de CPU provocado por scripts e recursos publicitários |
Isso muda um pouco a conversa.
Um site pode, por exemplo, ter poucos anúncios, mas carregar arquivos pesados. Outro pode ter muitos espaços publicitários relativamente leves, mas ocupar boa parte da tela com eles.
🔎 O detalhe importante: as métricas tentam separar quantidade de publicidade de impacto técnico. É uma diferença pequena no nome, mas grande na prática.
O Chrome observa o que acontece na tela
O sistema usa uma combinação de filtragem em nível de rede, baseada na lista de filtros de anúncios do Chrome, e análise da execução de scripts para identificar publicidade.
Para Ad Count e Ad Density, o navegador faz uma amostragem da viewport visível uma vez por segundo. Já os indicadores de peso acumulam o consumo de recursos durante toda a sessão de navegação.
Ou seja, não se trata simplesmente de olhar o código-fonte de uma página e perguntar quantos anúncios existem.
O Chrome tenta observar o que o usuário efetivamente encontra durante a visita.
E como esses números chegam ao CrUX?
Os resultados são reportados no percentil 75, seguindo a lógica de agregação utilizada pelo relatório de experiência do usuário do Chrome.
Os dados estão disponíveis por três caminhos:
• CrUX API
• CrUX History API
• Painel de anúncios do Chrome DevTools
Há ainda uma restrição importante: os relatórios agregados ficam limitados a sites que possuem um arquivo ads.txt com pelo menos um vendedor autorizado.
Uma espécie de balança para o peso dos anúncios ⚖️
O movimento interessa especialmente porque coloca diferentes problemas sob a mesma lente.
Até agora, discutir “excesso de anúncios” podia depender de impressões, taxa de preenchimento, receita, layout ou reclamações dos usuários. As novas métricas acrescentam uma camada técnica: quanto espaço a publicidade ocupa e quantos recursos ela consome?
💡 Pela primeira vez, a carga publicitária pode ser observada de forma padronizada também como um problema de recursos do dispositivo, e não apenas como uma questão visual.
Isso pode ser particularmente relevante em páginas acessadas por dispositivos ou conexões com recursos mais limitados, embora as métricas, por si só, não estabeleçam qual nível de publicidade seria aceitável.
O setor já está olhando para a novidade 🗣️
Segundo o Google, as métricas despertaram interesse de uma “grande variedade de partes interessadas do ecossistema de anúncios”.
O lançamento também recebeu declarações de apoio de empresas e organizações como WPP, The Guardian, Mediavine, Index Exchange e Adelaide.
Bill Reardon, gerente-geral da plataforma empresarial do Google Ads, afirmou que o Display & Video 360 “apoia esta iniciativa para trazer transparência à qualidade do layout de páginas”.
A escolha das palavras é significativa: transparência, por enquanto, é justamente o que está sendo oferecido.
Mas o Google ainda não disse o que é “demais” 🚧
Todas as quatro métricas continuam classificadas como experimentais.
Elas não fazem parte dos Core Web Vitals, e o Google ainda não estabeleceu limites recomendados que permitam dizer automaticamente que uma experiência publicitária é boa ou ruim.
Isso evita, pelo menos neste momento, uma transformação direta do indicador em uma espécie de semáforo para sites.
Também permanece em aberto uma pergunta importante: o Google está usando esses sinais para decidir quanto vale determinado espaço publicitário?
A empresa não informou se o Display & Video 360 já testa as métricas em lances ou avaliação de inventário.
E se isso entrar no mercado de anúncios? 💰
É aqui que a novidade pode ficar bem mais interessante.
O Google disse ao Digiday que plataformas independentes de publicidade terão acesso aos dados do CrUX ao mesmo tempo que os negócios de publicidade do próprio Google.
A questão ganha atenção adicional porque existe um julgamento sobre medidas corretivas pendente no processo antitruste envolvendo a tecnologia de publicidade do Google.
Se as métricas permanecerem apenas como dados públicos de diagnóstico, seu papel será principalmente ajudar publishers e desenvolvedores a entender a carga publicitária.
Se começarem a alimentar decisões comerciais, porém, a história muda.
💸 O mesmo número que hoje serve para explicar uma página pode amanhã ajudar a determinar quanto vale o espaço dentro dela.
Ainda não há confirmação de que isso acontecerá.
E o SEO entra nessa história? 🔎
Para proprietários de sites e profissionais de SEO, existe outro ponto de interrogação.
Os dados foram apresentados principalmente como instrumentos para anunciantes, publishers e desenvolvedores. Mas métricas produzidas pelo Chrome e associadas à experiência real de navegação inevitavelmente chamam atenção de quem acompanha o funcionamento da busca.
O Search Engine Journal observou que proprietários de sites podem considerar a possibilidade de esses indicadores se tornarem, em algum momento, métricas relacionadas a rankings.
Isso é uma possibilidade levantada no setor, não uma política anunciada pelo Google.
Hoje, não há indicação apresentada no material de que essas quatro métricas tenham sido incorporadas aos sinais de ranking.
Uma nova métrica, vários interesses 🎯
A novidade coloca diferentes grupos diante do mesmo conjunto de dados:
| Quem | Possível uso |
|---|---|
| Publishers | Avaliar quantidade, espaço e consumo de recursos dos anúncios |
| Anunciantes | Comparar características técnicas do inventário |
| Desenvolvedores | Identificar o impacto da publicidade no desempenho |
| Profissionais de SEO | Acompanhar uma possível evolução futura da relação entre anúncios e experiência |
Por enquanto, ninguém precisa correr para cortar metade dos anúncios de um site por causa dessas métricas.
O Google ainda está medindo antes de estabelecer uma régua.
E essa talvez seja justamente a parte mais importante da novidade. Primeiro vem o termômetro. Depois, alguém inevitavelmente começa a perguntar qual temperatura é considerada alta demais.
No Chrome, essa pergunta agora ganhou quatro números para começar a conversa.