Gemini ganha mapa interativo para entender lugares no celular

Renê Fraga
7 min de leitura

Principais destaques

  • Mapa vira contexto: Gemini passa a permitir que o usuário escolha um ponto no mapa e use aquele local diretamente nos prompts.
  • @ substitui a barra: a versão beta do app Google começa a trocar o atalho / por @ para reunir skills, conectores e outros recursos.
  • Gemini fica mais contextual: as mudanças aproximam o assistente de uma interface em que localização e ferramentas extras podem ser acionadas sem sair da conversa.

Você aponta. O Gemini entende. 📍

O Google adicionou uma ferramenta de Mapa ao app Gemini para Android e iOS. A ideia é simples: em vez de explicar por texto onde fica determinado lugar, o usuário pode simplesmente encontrá-lo no mapa e pedir ao Gemini que use aquela região como contexto.

A ferramenta aparece no fim do carrossel de recursos do Gemini, ao lado de opções como Fotos, Câmera, Arquivos, Drive e Notebooks.

Ao abrir o mapa, a localização atual aparece indicada por um círculo. Também é possível navegar, ampliar ou reduzir o mapa e pesquisar diretamente por outro local.

🗺️ O detalhe interessante: depois de posicionar o mapa, aparece a opção “Explorar esta área”. É a partir daí que o Gemini pode responder perguntas relacionadas à região selecionada.

Por exemplo, alguém que esteja planejando um passeio pode escolher uma área e perguntar o que vale a pena visitar nas proximidades.

💡 Em vez de descrever o lugar para a IA, você aponta para ele.

Uma mudança pequena, mas bastante prática

O recurso elimina uma etapa que parece banal, mas que pode fazer diferença no uso cotidiano.

Até agora, uma pergunta sobre determinado local normalmente exigia que o usuário digitasse o nome de uma cidade, endereço, bairro ou ponto turístico. Com o mapa, o próprio mapa passa a funcionar como uma espécie de seletor de contexto geográfico.

Isso combina especialmente bem com o uso do Gemini no celular, onde perguntas sobre lugares tendem a surgir enquanto a pessoa está se deslocando.

📱 Por enquanto, só no celular: a ferramenta está disponível nos aplicativos Android e iOS e não foi levada ao Gemini para computadores.

O Google já dava pistas do recurso

A novidade foi identificada inicialmente pelo 9to5Google, que apontou o suporte a prompts do Gemini baseados em localização.

O Computer Hoy também detalhou o funcionamento da ferramenta e observou que o Google já havia dado sinais meses antes de que estava trabalhando nessa possibilidade.

Ou seja, não parece ser apenas mais um botão jogado no aplicativo. O recurso faz parte de uma evolução maior do Gemini para trabalhar com diferentes tipos de contexto.

E a barra / está dando lugar ao @ 👀

Enquanto o mapa chega ao Gemini, outra mudança aparece em uma versão beta do app Google.

O atalho usado para acessar recursos adicionais está mudando de / para @.

O próprio aplicativo apresenta um aviso explicando a alteração: “/ agora é @”. A ideia é concentrar em um único lugar o acesso às skills, conectores e outros recursos.

Ao digitar @, o usuário passa a visualizar uma lista com suas skills e uma opção para criar novas.

🔄 É uma mudança de interface, mas também de conceito: o Google está reorganizando a maneira como o usuário encontra e aciona as capacidades adicionais do Gemini.

Gems estão virando skills

A alteração também acompanha uma mudança de nomenclatura.

Os antigos Gems estão sendo gradualmente substituídos pelo termo skills, enquanto os aplicativos que podem ser vinculados ao assistente passam a ser chamados de conectores.

Na prática, o Google parece estar tentando colocar todas essas extensões do Gemini dentro de uma mesma lógica de acesso.

Em vez de procurar diferentes menus para diferentes tipos de integração, o @ funciona como uma porta de entrada única.

Ainda está em beta

A mudança para o @ não está disponível para todos os usuários. Ela aparece na versão beta mais recente do app do Google e ainda está sendo distribuída.

Já a ferramenta de Mapa representa uma implementação mais concreta dessa nova fase do Gemini, com disponibilidade nos aplicativos móveis.

🧩 A direção parece clara: o Gemini está deixando de ser apenas uma caixa de texto para perguntas e respostas e ganhando mais maneiras de receber contexto.

Localização, arquivos, fotos, câmera, Drive e outras fontes passam a ser peças diferentes de uma mesma conversa.

E isso acontece em meio a uma semana movimentada

As duas novidades chegam enquanto o Google continua acelerando as mudanças no Gemini.

Ao mesmo tempo, a empresa anunciou o Gemini 4 Argon, apresentado como seu novo modelo de ponta. Nem tudo, porém, avançou sem atrito.

O 9to5Google também informou que o Gemini no Android Auto está deixando de responder a determinadas perguntas dos motoristas, justamente enquanto se torna a opção principal de assistente nos veículos.

Isso cria um contraste interessante: de um lado, o Gemini ganha novas formas de compreender contexto; de outro, o Google continua ajustando onde e como o assistente deve responder.

🚗 No celular, a tendência é colocar mais contexto nas mãos do usuário. E um mapa talvez seja uma das formas mais naturais de fazer isso.

Afinal, quando alguém quer saber o que existe ao redor, explicar o endereço pode ser trabalhoso. Apontar para o mapa é muito mais fácil.

A pergunta agora é quanto tempo essa lógica levará para sair do smartphone e chegar também ao Gemini no computador.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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