- O Tensor G5 ganhou sua própria identidade 🧩
- E o Pixel 10 também entrou na história 📱
- Já dá para dar boot. E só isso? 🚀
- A tela ainda não está nessa festa 🖥️
- Até o USB mudou de lugar 🔌
- O bootloader também coloca obstáculos
- Essa história começou em 2025 ⏳
- E o Android? Continua exatamente onde está
- Ainda é cedo para chamar de “celular Linux” 📲
Principais destaques
- Tensor G5 ganha espaço: o chip do Pixel 10 está chegando ao kernel Linux principal com uma nova categoria própria para os SoCs do Google.
- Pixel 10 entra no mainline: arquivos iniciais de hardware dos modelos Pixel 10, 10 Pro e 10 Pro XL foram preparados para o Linux 7.4.
- Ainda falta quase tudo: o avanço permite inicialização básica, mas tela, conectividade e recursos de IA ainda não estão contemplados.
O Pixel 10 está começando a deixar de ser apenas um aparelho Android aos olhos do kernel Linux. Um pull request enviado em 5 de outubro prepara o suporte ao Tensor G5 e aos novos smartphones do Google para o ciclo de desenvolvimento do Linux 7.4.
Isso não significa que alguém possa instalar Linux no Pixel 10 e sair usando o celular normalmente. Longe disso. O que chegou agora é uma das primeiras fundações necessárias para que isso eventualmente aconteça.
O Tensor G5 ganhou sua própria identidade 🧩
O principal detalhe técnico da mudança é a criação do símbolo de kernel ARCH_GOOGLE, destinado à família Tensor G5, conhecida internamente como Laguna.
A decisão tem uma explicação interessante.
Os primeiros chips Tensor, como o GS101, tinham forte relação com projetos da Samsung e acabaram agrupados entre os SoCs da fabricante sul-coreana. O G5 mudou de direção.
🔎 A diferença está na origem: segundo o mantenedor de SoCs Krzysztof Kozlowski, o Tensor G5 não compartilha elementos com os chips da Samsung e, por isso, passa a ter uma categoria própria dentro do kernel.
Isso não quer dizer que o Google tenha criado uma arquitetura de processador completamente nova. O G5 continua baseado em núcleos Arm conhecidos:
| Componente | Tensor G5 |
|---|---|
| CPU | 1× Cortex-X4 + 5× Cortex-A725 + 2× Cortex-A520 |
| GPU | Imagination PowerVR DXT-48-1536 |
| Memória | LPDDR5X |
| TPU | 4ª geração |
O que muda é a maneira como o Google integrou esses componentes no SoC.
E o Pixel 10 também entrou na história 📱
O pull request adiciona os primeiros arquivos de device tree, que descrevem para o Linux como o hardware do aparelho está organizado.
Os três modelos contemplados são:
- Pixel 10: codinome Frankel
- Pixel 10 Pro: codinome Blazer
- Pixel 10 Pro XL: codinome Mustang
Esses arquivos ainda são considerados uma base inicial. Eles permitem que o kernel reconheça e inicialize componentes fundamentais do aparelho, mas estão muito longe de oferecer uma experiência semelhante à do Android.
💡 Entrar no kernel mainline é uma fundação, não uma versão Linux do Pixel 10.
Já dá para dar boot. E só isso? 🚀
A situação atual é quase uma demonstração técnica.
As device trees já contemplam elementos como:
- inicialização da CPU;
- estados de ociosidade;
- controlador de interrupções;
- timers;
- console serial UART;
- memória reservada para registros de falhas.
Com isso, os desenvolvedores conseguiram chegar a um shell BusyBox executado a partir de um initramfs.
Para quem está acostumado a usar um smartphone, isso parece pouco. E, na prática, é mesmo.
Mas para desenvolvimento de suporte de hardware, conseguir chegar ao prompt de comando já representa uma etapa importante.
A tela ainda não está nessa festa 🖥️
O problema é que um smartphone moderno é muito mais do que CPU, memória e boot.
Os trabalhos atuais ainda não incluem suporte completo para componentes fundamentais como a tela, conectividade e processamento de IA.
Isso significa que o Pixel 10 pode chegar a um terminal, mas ainda não está perto de funcionar como um celular Linux convencional.
🧱 O caminho que falta é grande: cada componente precisa de definições de hardware, drivers e integração adequada com o kernel.
E o Tensor G5 ainda tem algumas particularidades próprias.
Até o USB mudou de lugar 🔌
Um exemplo está no controlador USB.
Em uma proposta anterior, Roy Luo, do Google, explicou que o bloco USB da Synopsys usado no Tensor G5 está conectado ao SoC de maneira diferente das gerações anteriores.
Resultado: não basta reaproveitar os drivers existentes.
Será necessário adicionar novos drivers e novas definições de hardware para acomodar a implementação do G5.
É um detalhe que ajuda a explicar por que levar um smartphone para o Linux mainline é um trabalho tão demorado.
O bootloader também coloca obstáculos
Há outra peça nessa equação: o bootloader.
Uma publicação de Peter Griffin, da Linaro, em 18 de setembro apontava que o bootloader disponível naquele momento tratava a ausência de um alias para o armazenamento UFS como um erro fatal.
Enquanto uma versão mais nova não chega, as entradas ausentes estão sendo adicionadas durante a compilação usando a ferramenta pixelscripts, da Linaro.
Ou seja, até a sequência de inicialização ainda está sendo ajustada.
Essa história começou em 2025 ⏳
O suporte não apareceu do nada.
A primeira versão da série foi proposta em novembro de 2025. Naquele momento, a ideia era usar overlays de device tree para aplicar as diferenças entre os aparelhos sobre uma base compartilhada.
A abordagem acabou gerando discussões.
Em julho de 2026, Griffin mudou para o modelo mais tradicional, com um arquivo de device tree separado para cada aparelho. Depois, Kozlowski aplicou quatro patches em 29 de setembro.
Poucos dias depois, veio o pull request.
📌 Mas atenção ao detalhe: entrar na árvore de um mantenedor não significa automaticamente entrar no Linux oficial.
A próxima etapa será a janela de merge. Só depois desse processo será possível saber se o trabalho realmente fará parte do Linux 7.4.
E o Android? Continua exatamente onde está
É importante separar duas coisas.
O suporte ao Pixel 10 no kernel Linux não significa que o Android instalado nesses aparelhos será atualizado para o Linux 7.4.
Também não representa uma mudança no período oficial de suporte oferecido pelo Google.
O objetivo é outro: construir suporte de hardware diretamente no kernel principal, reduzindo a dependência de versões específicas e mantidas separadamente.
Isso pode parecer uma diferença de bastidores, mas é justamente o tipo de trabalho que, ao longo do tempo, pode tornar determinados aparelhos mais interessantes para sistemas operacionais alternativos.
Ainda é cedo para chamar de “celular Linux” 📲
Por enquanto, o Pixel 10 está mais para uma máquina de desenvolvimento do que para um smartphone Linux.
A situação pode ser resumida assim:
Agora: o kernel consegue reconhecer e inicializar uma parte fundamental do hardware.
Próximos passos: drivers, conectividade, tela, armazenamento, periféricos e outros componentes precisam avançar.
Objetivo de longo prazo: aumentar progressivamente o suporte no kernel principal e tornar o hardware utilizável fora do ambiente Android.
O curioso é que o caminho começou justamente pelo lugar menos visível para quem compra um celular: o kernel.
E, se o Pixel 10 está começando a ganhar uma identidade própria dentro do Linux, a pergunta agora não é se ele já roda Linux como um smartphone convencional. É quanto tempo ainda será necessário para transformar esse primeiro prompt do BusyBox em uma experiência completa de celular.