Google Maps lança guia gastronômico inspirado no Michelin, mas com uma diferença: quem escolhe é o público

Renê Fraga
7 min de leitura

Principais destaques

  • Um novo guia gastronômico: Google Maps estreia uma lista anual com restaurantes populares e tendências culinárias identificadas em 10 cidades do mundo.
  • Sabores que viraram tendência: menções a frozen yogurt em Nova York cresceram 320%, enquanto o dosa avançou 136% em Seattle.
  • Mais do que encontrar restaurantes: a plataforma combina avaliações, listas temáticas, recomendações com IA e integrações com serviços de entrega para ajudar na escolha do próximo prato.

Escolher um restaurante nunca foi tão fácil. Escolher o que vale a pena experimentar é outra história. O Google quer resolver justamente essa dúvida com uma novidade no Maps: um guia gastronômico anual que identifica os restaurantes e os sabores que conquistaram o público.

A proposta lembra o famoso Guia Michelin, mas troca os inspetores especializados por milhões de usuários que pesquisam, avaliam e compartilham suas experiências na plataforma.

🍽️ O Google quer descobrir o próximo prato da moda

O Google Maps está lançando sua primeira lista anual de restaurantes favoritos do público, reunindo estabelecimentos populares e tendências gastronômicas identificadas em 10 cidades ao redor do mundo.

Para montar a seleção de 2026, a empresa analisou avaliações, classificações e solicitações de rotas feitas pelos usuários. A ideia é identificar quais pratos e restaurantes ganharam popularidade ao longo do ano.

📊 Os números mostram o que está conquistando os consumidores:

  • Nova York: menções a frozen yogurt, ou iogurte congelado, cresceram 320%.
  • Tóquio: referências a cheesebúrgueres aumentaram 216%, enquanto as de mochi avançaram 168%.
  • Seattle: menções ao dosa, prato tradicional do sul da Índia, subiram 136%.
  • Londres: o hojicha, chá verde japonês torrado, registrou crescimento de 114%.
  • Montreal: referências à canela aumentaram 84%.

Outras tendências identificadas incluem sebo bovino em Chicago, beignets em Atlanta, ube em Melbourne, micheladas em Santiago e katsu em São Francisco.

Os percentuais representam o crescimento das menções identificadas, não necessariamente o aumento das vendas desses alimentos.

⭐ Um Michelin sem inspetores?

A comparação com o Guia Michelin ajuda a entender a proposta, mas existe uma diferença fundamental.

No guia tradicional, restaurantes são avaliados por inspetores especializados segundo critérios próprios. No Google Maps, a popularidade emerge do comportamento coletivo dos usuários.

💡 A ideia é transformar o comportamento cotidiano de quem pesquisa e visita restaurantes em um retrato das tendências gastronômicas.

Isso não significa que a lista anual substitua avaliações profissionais ou garanta a qualidade de cada estabelecimento. Ela oferece outra perspectiva: o que está chamando a atenção das pessoas naquele momento.

O resultado também pode ajudar quem deseja fugir das escolhas habituais e experimentar algo novo durante uma viagem ou na própria cidade.

🔎 A novidade não substitui as listas semanais

A seleção anual é diferente das listas gastronômicas que o Google Maps já apresenta na aba Explorar.

Essas coleções continuam sendo atualizadas ao longo do ano e ajudam a encontrar estabelecimentos de acordo com sua popularidade e seu perfil.

  • Trending: restaurantes que estão ganhando destaque.
  • Gems: descobertas e favoritos de bairros.
  • Top: estabelecimentos consolidados e populares.

Os usuários também podem salvar os restaurantes encontrados em suas próprias coleções para consultar as recomendações posteriormente.

Na prática, o Google está combinando diferentes escalas de descoberta: tendências anuais para entender o cenário gastronômico, listas semanais para acompanhar novidades e recomendações personalizadas para decidir onde comer agora.

🤖 A inteligência artificial também entra no cardápio

A estratégia vai além das listas. O Google também aposta no Ask Maps, recurso que permite pesquisar restaurantes usando descrições mais específicas e linguagem natural.

Em vez de procurar apenas por hamburguerias, por exemplo, o usuário pode pedir sugestões de smashburgers crocantes acompanhados de milk-shakes.

Segundo o material divulgado, o recurso analisa grandes volumes de informações, incluindo fotos, avaliações e cardápios, para encontrar opções compatíveis com o pedido.

A plataforma também pode conectar usuários a serviços de entrega, como Uber Eats, Toast e Square, ampliando as possibilidades depois que um restaurante é escolhido.

🅿️ Antes de sair de casa, há mais uma etapa

Encontrar um lugar interessante não resolve todas as dúvidas. É preciso saber se vale a pena reservar, onde estacionar e quais pratos pedir.

É aí que entram as dicas comunitárias do Google Maps, que podem reunir informações sobre reservas, estacionamento e especialidades recomendadas por outros visitantes.

Essa combinação aproxima o aplicativo de um guia gastronômico completo: da descoberta inicial à decisão de visitar o estabelecimento ou pedir comida em casa.

🌎 O que isso significa para restaurantes e consumidores?

Para quem procura experiências gastronômicas, as listas podem funcionar como um radar de tendências e uma maneira de descobrir estabelecimentos fora do circuito habitual.

Para os restaurantes, ganhar visibilidade nas buscas e avaliações pode representar uma oportunidade de atrair novos clientes. Ao mesmo tempo, a popularidade identificada pelo Maps não deve ser confundida com uma avaliação independente da qualidade culinária.

Há também uma questão interessante: quando milhões de pesquisas e avaliações ajudam a definir o que está em alta, os próprios hábitos dos consumidores passam a influenciar a próxima onda gastronômica.

E o Brasil? O anúncio apresentado pela Android Authority destaca cidades de diferentes países, mas não informa uma cidade brasileira entre as selecionadas para a primeira lista anual. Ainda não há, nesse material, confirmação de quando uma edição brasileira poderá chegar.

O Google Maps já era uma ferramenta para encontrar o caminho até um restaurante. Agora, a ambição é ajudar a decidir o que merece entrar no roteiro antes mesmo de sair de casa.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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