Google apresenta Gemini 4 Argon com foco em programação e agentes de IA

Renê Fraga
16 min de leitura

Principais destaques

  • Novo modelo de ponta: o Gemini 4 Argon chega ao público após uma fase de testes restrita a parceiros de segurança cibernética.
  • Desempenho com ressalvas: o modelo lidera diversas avaliações divulgadas pelo Google, mas ainda perde para concorrentes em alguns testes de programação.
  • Mais autonomia e integração: assinantes dos planos pagos ganham acesso a recursos de programação por agentes e tarefas executadas entre aplicativos.

O Google acaba de colocar mais uma peça importante na disputa pela liderança da inteligência artificial. O Gemini 4 Argon, primeiro modelo da geração Gemini 4, foi liberado globalmente após uma estreia limitada a parceiros selecionados.

O movimento acontece em um momento de competição intensa. OpenAI, Anthropic e Meta também disputam espaço com modelos cada vez mais capazes de programar, raciocinar e executar tarefas complexas.

A novidade não é apenas uma atualização do chatbot. O Google quer que o Gemini funcione como um sistema capaz de trabalhar por mais tempo, utilizar ferramentas e resolver problemas com menos intervenção humana.

🧠 Um modelo para tarefas que exigem mais do que conversar

O Gemini 4 Argon foi desenvolvido para atividades que exigem raciocínio prolongado, especialmente em engenharia de software, análise de documentos empresariais, finanças, direito e defesa cibernética.

Segundo o Google, o modelo também apresenta mudanças na experiência cotidiana: respostas mais diretas, menos repetições, menos clichês e atualizações mais frequentes sobre o andamento de tarefas longas.

O detalhe importante: o foco não está somente em responder melhor a uma pergunta, mas em concluir trabalhos que envolvem várias etapas.

Esse direcionamento aproxima o Gemini da tendência dos agentes de IA, sistemas que recebem um objetivo, planejam ações, utilizam ferramentas e acompanham a execução de uma tarefa.

📊 Os benchmarks colocam o Google na briga pelo primeiro lugar

Os resultados divulgados pela empresa são expressivos, embora precisem ser interpretados com cuidado.

Na avaliação independente Intelligence Index, da Artificial Analysis, o Gemini 4 Argon com raciocínio de alta intensidade alcançou 53 pontos, empatando com o GPT-6 Astra nessa configuração.

Intelligence Index

Pontuação informada em 13 de outubro de 2026

Fonte: Artificial Analysis, conforme reportagem da Mashable.

A reportagem também afirma que o Argon ficou cerca de cinco pontos atrás do Claude Opus 5.5 e do Claude Sonnet 5.5. O resultado indica uma disputa acirrada entre os modelos mais avançados, mas não significa que todos tenham o mesmo desempenho em aplicações reais.

🔎 Um salto em relação à geração anterior: segundo a publicação, a pontuação representa um avanço de 23 pontos sobre o Gemini 3.1 Pro Preview na mesma avaliação.

O índice reúne dez avaliações de matemática, ciência, programação, tarefas com agentes e raciocínio. A vantagem desse tipo de comparação é reduzir a dependência de números divulgados exclusivamente pelos próprios fabricantes.

Ainda assim, um índice agregado não determina qual modelo será melhor para cada usuário. O resultado depende da tarefa, das ferramentas disponíveis, do custo e do nível de autonomia exigido.

💻 Programação é o campo em que a disputa fica mais interessante

O Google afirma que já utiliza o Argon em parte de suas próprias atividades de engenharia.

Entre os resultados apresentados pela empresa, o modelo atingiu 77,9% no DeepSWE v1.1, avaliação voltada a tarefas prolongadas de engenharia de software.

Mas a liderança não aparece em todos os testes.

• No FrontierSWE v2, o Argon fica atrás do GPT-6 Astra.

• No Terminal-Bench 4.0, o modelo também perde para os três concorrentes mencionados na comparação.

• Em avaliações de segurança cibernética, o Google afirma que o Argon empata com o GPT-6 em um dos testes apresentados.

💡 O recado para o mercado: ser o melhor modelo em raciocínio geral não significa necessariamente ser o melhor programador em todos os ambientes.

Essa diferença importa especialmente para empresas que pretendem contratar serviços de IA para desenvolver software, corrigir bugs ou automatizar operações. Um modelo pode se destacar na resolução de problemas complexos e ainda apresentar limitações em tarefas realizadas diretamente no terminal.

🛠️ Gemini também quer executar tarefas enquanto você está longe

Uma das novidades mais relevantes está na integração de recursos de programação e execução de tarefas.

O Google Antigravity, ambiente de programação com agentes de IA, passa a ser integrado ao aplicativo Gemini no macOS. A proposta é permitir que o usuário alterne entre conversas e atividades de desenvolvimento sem precisar trocar constantemente de aplicativo.

Outra novidade é um botão que alterna entre o modo de conversa e o modo de tarefas.

Nesse segundo formato, o Gemini pode trabalhar com aplicativos do Google e outros serviços enquanto o usuário está longe do computador. O acesso é destinado aos assinantes dos planos Pro e Ultra.

Na prática, a mudança é de comportamento: em vez de simplesmente explicar como fazer algo, a IA passa a assumir parte da execução.

O Google também anuncia conexões com mais de 40 aplicativos, incluindo Instacart, OpenTable, Adobe e Shopify. Os exemplos vão de compras de supermercado e reservas em restaurantes à criação e administração de negócios digitais.

A disponibilidade de cada integração pode variar conforme o serviço, o país e o plano contratado.

💰 Quanto custa usar o Gemini 4 Argon?

O acesso pelo aplicativo Gemini está disponível para assinantes do Google AI Pro e do Google AI Ultra, conforme os preços apresentados pela Mashable.

PlanoPreço mensal informado
Google AI ProUS$ 19,99
Google AI UltraUS$ 200

Os valores são os citados na reportagem e não representam necessariamente os preços praticados no Brasil, onde impostos, condições comerciais e planos locais podem alterar o custo final.

Para desenvolvedores, o Google também divulgou preços promocionais iniciais para a API do Argon.

API do Gemini 4 Argon

Quanto custa usar o modelo?

Tokens de entrada US$ 2 Por milhão de tokens
Tokens de saída US$ 10 Por milhão de tokens
Entrada em cache US$ 0,10 por milhão de tokens Preço promocional informado na reportagem.

💸 A comparação favorece o Google no preço inicial: a reportagem informa tarifas de US$ 4 para entrada e US$ 20 para saída no Claude Opus 5.5, contra US$ 10 e US$ 50 no GPT-6 Astra.

Isso representa um custo inicial consideravelmente menor por token. Entretanto, preços de API não contam toda a história: o volume de tokens consumidos, o número de tentativas, a velocidade e a qualidade dos resultados também influenciam o custo de uma aplicação.

O Google não esclareceu, no anúncio descrito pela publicação, se o acesso à API foi ampliado além dos planos de disponibilização anteriores.

🛡️ Segurança: uma preocupação que acompanha a autonomia

O Argon passou por uma disponibilização em etapas. Inicialmente, ficou restrito a defensores de segurança cibernética participantes do programa Fairwind, do Google.

Agora, a empresa afirma que o modelo foi projetado para recusar solicitações que possam facilitar ataques cibernéticos ou o desenvolvimento de ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares.

Um dos resultados destacados diz respeito à chamada prompt injection indireta. Esse tipo de ataque tenta manipular uma IA por meio de instruções maliciosas escondidas em documentos, páginas ou outros conteúdos que ela consulta.

No benchmark da Gray Swan citado pela reportagem, os ataques tiveram sucesso nas seguintes proporções:

Resistência a ataques de prompt injection

Taxa de sucesso dos ataques no benchmark citado. Quanto menor, melhor.

Modelo Taxa de sucesso
Gemini 4 Argon 0,7%
Claude Opus 5.5 1,0%
Fable 5.1 1,0%
GPT-6 Astra 8,5%

Fonte: dados reportados pelo Google e reproduzidos pela Mashable.

Nesse teste, quanto menor a taxa, melhor.

Os números são resultados reportados pelo Google e devem ser entendidos dentro das condições específicas da avaliação. Eles não garantem imunidade contra ataques em situações reais, especialmente quando agentes recebem acesso a arquivos, aplicativos e ferramentas externas.

🌐 O que essa estreia muda na disputa entre Google, OpenAI e Anthropic?

O lançamento reforça uma mudança na competição por IA. Já não basta apresentar um modelo que responda perguntas com fluência ou consiga escrever trechos de código.

O diferencial está em combinar raciocínio, programação, integração com serviços e execução de tarefas mais longas. É justamente nesse território que o Google tenta ampliar a utilidade do Gemini.

Os benchmarks apresentados pela empresa apontam avanços em trabalho especializado e automação empresarial, enquanto os resultados independentes mostram que a liderança ainda depende do tipo de avaliação.

Também existe uma ressalva importante: boa parte dos resultados comparativos da reportagem vem de testes selecionados pelo próprio Google. A avaliação independente ajuda a contextualizar os números, mas não substitui testes práticos com tarefas reais.

O próximo passo será observar o desempenho fora dos laboratórios. Se o Argon conseguir transformar seus resultados em ganhos concretos de produtividade, especialmente em programação e trabalho corporativo, a integração com os aplicativos poderá ser tão importante quanto a pontuação nos benchmarks.

A disputa agora não envolve apenas quem tem o modelo mais inteligente, mas quem consegue transformar inteligência em trabalho concluído.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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