Google reformula buscas com IA para tentar levar mais cliques aos sites

Renê Fraga
9 min de leitura

Principais destaques

  • Mais links dentro das respostas: o Google amplia a presença de links contextuais e os posiciona mais acima, dando maior visibilidade às fontes citadas.
  • Artigos ganham mais espaço visual: carrosséis, miniaturas e recomendações de conteúdo relacionado ajudam a destacar publicações dentro das experiências de busca com IA.
  • Perfis de criadores e fontes preferidas: o Google expande os links para perfis de autores e informa um crescimento de sete vezes no uso do recurso Preferred Sources neste ano.

A busca do Google está ganhando mais links contextuais, carrosséis de artigos e informações sobre os criadores de conteúdo. A mudança em AI Overviews e AI Mode tem um objetivo claro: facilitar o acesso às fontes originais em meio a respostas cada vez mais completas geradas por inteligência artificial.

Mas existe uma questão importante para quem vive de tráfego orgânico: colocar mais links na resposta da IA será suficiente para convencer as pessoas a visitar os sites?

O Google anunciou mudanças no AI Mode e no AI Overviews para tornar a exploração da web mais visual, interativa e simples. Uma das principais novidades é o aumento dos links inseridos diretamente nas respostas geradas pela inteligência artificial.

Em vez de depender apenas de uma lista de fontes ao final da resposta, o usuário encontra links incorporados em palavras e expressões relevantes. A empresa também está posicionando esses links mais acima no conteúdo, facilitando o acesso às páginas que sustentam determinadas informações.

O detalhe importante: visibilidade não é sinônimo de clique.

Uma resposta que já explica um assunto de maneira completa pode reduzir a necessidade de abrir outros sites. O Google está tentando mudar essa dinâmica, mas ainda falta uma informação essencial para avaliar o resultado: dados detalhados sobre os cliques gerados pelas experiências de busca com IA.

O Google Search Console ainda não oferece, segundo o artigo do Search Engine Land, a transparência necessária para entender esse comportamento de maneira aprofundada.

🎯 Quando existem poucas fontes, elas ganham destaque

Outra mudança busca facilitar tarefas em que há apenas alguns destinos oficiais relevantes para o usuário.

Nesses casos, o Google pode apresentar uma seção dedicada no topo da resposta, reunindo links para páginas que ajudam a concluir uma tarefa ou encontrar uma informação específica. A experiência também inclui explicações sobre a utilidade de cada destino.

Pense em alguém que procura informações para solicitar um reembolso de passagem aérea. Em vez de precisar encontrar sozinho o canal correto, o usuário pode receber links mais destacados para os recursos pertinentes.

A proposta é diminuir o caminho entre a resposta gerada pela IA e a fonte que permite agir.

💡 O desafio do Google é transformar a resposta da inteligência artificial em uma porta de entrada para a web, e não em um destino final que dispensa qualquer visita adicional.

📰 Carrosséis de artigos chegam a mais lugares

O Google também está ampliando a exibição de carrosséis de artigos em consultas relacionadas a acontecimentos recentes.

Esses módulos apresentam publicações dentro das respostas de IA e estão chegando a mais localidades, idiomas e uma variedade maior de pesquisas. Segundo a empresa, eles também podem destacar fontes que o próprio usuário selecionou como preferidas.

Isso cria uma oportunidade adicional para veículos de comunicação e produtores de conteúdo: uma publicação pode ganhar visibilidade em um espaço visualmente distinto dos tradicionais resultados de busca.

Há, porém, uma diferença entre aparecer nesse carrossel e conquistar tráfego. O desempenho dependerá de fatores como a relevância da publicação, o interesse pelo assunto e a disposição do usuário para sair da interface do Google.

🖼️ Miniaturas para tornar os artigos mais clicáveis

O movimento não se limita aos carrosséis. Algumas respostas de IA estão recebendo imagens, miniaturas e links para artigos relacionados.

A ideia é tornar essas recomendações mais fáceis de identificar e explorar. Elementos visuais podem ajudar o usuário a distinguir conteúdos e encontrar perspectivas adicionais sem precisar reformular a pesquisa.

Para os editores, isso reforça a importância de apresentar páginas que tenham títulos claros, imagens relevantes e informações úteis. Ainda assim, não há garantia de que a mudança aumentará os acessos orgânicos.

👤 Criadores também ganham espaço na busca com IA

O AI Mode está recebendo links clicáveis para perfis de pesquisa de determinados criadores, especialmente em experiências que incluem vídeos.

Ao clicar no nome de um autor, o usuário é direcionado a um perfil dentro do próprio Google. Essa página pode reunir links para diferentes sites e plataformas associados ao criador.

A distinção é importante: o clique inicial não leva diretamente ao site do autor. Primeiro, o usuário passa por uma página do Google, de onde pode acessar os demais destinos.

Esse recurso amplia a presença dos criadores nas respostas de IA, mas também mantém o relacionamento inicial com o público dentro do ecossistema da empresa.

⭐ Preferred Sources cresce sete vezes

O Google informou que o uso do recurso Preferred Sources cresceu sete vezes neste ano.

A funcionalidade permite que as pessoas indiquem publicações que preferem encontrar nos resultados de busca. Com isso, veículos selecionados podem ganhar destaque em determinadas experiências, incluindo os carrosséis de artigos.

Para os editores, existe um incentivo adicional para construir uma audiência recorrente e estimular leitores a selecionar suas publicações como fontes preferidas.

O crescimento anunciado é expressivo, mas precisa ser interpretado com cuidado: a empresa não apresentou, no material reproduzido pelo Search Engine Land, detalhes suficientes para avaliar a base inicial de usuários, a distribuição desse crescimento ou o impacto direto sobre o tráfego dos sites.

📉 O problema que continua sem resposta

As mudanças mostram que o Google reconhece um desafio para o ecossistema editorial. Quanto mais as respostas geradas por IA conseguem satisfazer o usuário diretamente na página de resultados, maior é a importância de criar motivos para que ele visite as fontes originais.

O aumento de links, os carrosséis e os perfis de criadores são tentativas de tornar essas fontes mais acessíveis. Mas ainda falta comprovar se essas melhorias se traduzem em mais visitas, engajamento e oportunidades comerciais para os produtores de conteúdo.

MudançaOportunidade para os sitesQuestão em aberto
Links contextuaisMais visibilidade para fontes citadasOs usuários clicam mais?
Carrosséis de artigosDestaque visual para publicaçõesQuais sites recebem tráfego?
Artigos relacionados com imagensMaior facilidade para descobrir conteúdoAumentam as visitas orgânicas?
Perfis de criadoresMais exposição de autores e suas publicaçõesQuantos usuários chegam aos sites?
Preferred SourcesPossibilidade de fortalecer a recorrênciaQual é o impacto sobre os acessos?

🔎 O próximo passo deveria ser a transparência dos dados. Sem relatórios que permitam separar impressões e cliques originados nas diferentes experiências de IA, editores e profissionais de SEO continuarão tendo dificuldade para medir o impacto real dessas mudanças.

O Google está tornando as respostas de IA mais conectadas à web. Resta saber se os usuários também estarão dispostos a percorrer esse caminho.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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