Principais destaques
- Gems viram Skills: as instruções personalizadas poderão ser reutilizadas em diferentes conversas e combinadas para executar tarefas mais específicas.
- Spark vira Task: o agente autônomo passa a integrar a interface principal do Gemini, com suporte para até 15 tarefas simultâneas.
- Migração em etapas: contas pessoais começarão a ter os Gems convertidos em 17 de novembro de 2026, enquanto contas corporativas e educacionais terão cronogramas próprios para 2027.
O Google está mudando a maneira como os usuários personalizam e automatizam tarefas no Gemini. Os chatbots personalizados, conhecidos como Gems, estão dando lugar às Skills, enquanto o agente autônomo Gemini Spark passa a aparecer como Task dentro da interface principal do assistente.
🧩 Adeus aos Gems como conhecemos
Os Gems foram criados para permitir que os usuários configurassem versões personalizadas do Gemini, com instruções específicas para determinadas atividades. Era possível, por exemplo, criar um assistente para produzir conteúdo, analisar documentos ou ajudar em pesquisas.
A proposta continua existindo, mas muda de formato.
As novas Skills funcionam como conjuntos de instruções salvas que podem ser acionados durante qualquer conversa. Em vez de abrir um chatbot independente, o usuário poderá chamar uma Skill diretamente na caixa de prompt.
O comando atual é a barra /, mas o Google pretende substituí-lo pelo símbolo @.
🔗 A principal diferença: as Skills podem ser combinadas. Isso permite utilizar diferentes conjuntos de instruções em um mesmo pedido, sem precisar alternar entre vários assistentes personalizados.
Imagine combinar uma Skill de pesquisa, outra de SEO e uma terceira de redação. Em vez de conduzir três conversas separadas, o usuário poderá reunir essas orientações em uma única solicitação.
📄 Um formato que vai além do Gemini
As Skills utilizam o formato aberto SKILL.md, baseado em Markdown. Isso facilita o armazenamento, a leitura e a reutilização das instruções em ferramentas compatíveis de outros fornecedores.
A mudança aproxima o Gemini de um modelo em que os recursos personalizados funcionam como módulos reutilizáveis, e não como assistentes isolados dentro de uma plataforma.
Mas há uma ressalva importante: nem tudo o que funcionava com os Gems estará disponível nas Skills desde o início.
Entre os recursos ainda ausentes estão:
- Canvas;
- Deep Research;
- Aprendizado Guiado;
- geração de vídeos e músicas;
- compartilhamento de Skills;
- anexos de arquivos do Google Drive.
O Google afirma que alguns desses recursos chegarão posteriormente, mas não há uma data confirmada para todos eles.
📅 Quando os Gems vão desaparecer?
A migração será realizada em etapas, dependendo do tipo de conta.
| Tipo de conta | Cronograma informado |
|---|---|
| Contas pessoais | Conversão automática a partir de 17 de novembro de 2026 |
| Contas empresariais e corporativas | Remoção dos Gems a partir de 1º de março de 2027, no mínimo |
| Organizações sem fins lucrativos | Remoção a partir de 1º de março de 2027, no mínimo |
| Contas educacionais | Remoção a partir de 1º de junho de 2027, no mínimo |
Os Gems restantes nas contas organizacionais serão convertidos em Skills no formato de rascunho. Seus criadores precisarão revisar as instruções e ativá-las antes de utilizá-las.
⚠️ Vale fazer um backup: o Android Police recomenda salvar as instruções e os arquivos de conhecimento dos Gems antes de 17 de novembro. É uma precaução útil para evitar perder configurações importantes durante a transição.
Há também uma diferença entre os ambientes: as Skills criadas no aplicativo Gemini não são sincronizadas com os aplicativos do Google Workspace neste momento. O lançamento para o Workspace foi adiado.
🤖 Spark agora é Task: o Gemini quer trabalhar sozinho
A outra mudança envolve o Gemini Spark, apresentado pelo Google na conferência I/O, em maio de 2026, como um agente autônomo capaz de trabalhar continuamente, 24 horas por dia, sete dias por semana.
Agora, o recurso começa a aparecer com o nome Task, em um novo seletor que permite alternar entre Chat e Task ao lado da caixa de prompt.
A diferença vai além do nome. O Google está aproximando a execução autônoma do fluxo normal de interação com o Gemini.
Enquanto o modo Chat atende a solicitações convencionais, o modo Task é voltado a atividades que podem continuar sendo executadas sem a presença constante do usuário.
☁️ O trabalho continua mesmo depois que você fecha o notebook
O Spark utiliza máquinas virtuais do Google Cloud para executar suas atividades. Por isso, as tarefas podem continuar em andamento mesmo depois que o usuário fecha o computador.
O sistema permite executar até 15 tarefas simultaneamente.
Entretanto, o acesso exige uma assinatura Google AI Pro ou Ultra e a opção Manter atividade ativada.
Há um detalhe curioso: apesar da mudança de nome na interface, as páginas de ajuda do próprio Google ainda utilizam o nome Spark.
💡 A mudança central é esta: o Gemini está deixando de ser apenas uma interface para conversar com a IA e passa a reunir instruções reutilizáveis e agentes capazes de executar atividades em segundo plano.
🔐 A autonomia também traz riscos
A execução de tarefas sem supervisão exige cuidados adicionais, especialmente quando um agente pode realizar ações no ambiente digital do usuário.
Segundo o veículo alemão t3n, a documentação do Google alerta que as verificações de segurança das Tasks, que solicitam confirmação antes de determinadas etapas, como compras, podem falhar.
Isso significa que uma ação potencialmente indesejada pode não ser interrompida a tempo durante a execução na nuvem.
A questão merece atenção porque existe uma diferença importante entre um chatbot que sugere uma ação e um agente que pode efetivamente executá-la.
Quanto maior a autonomia, maior a importância de definir permissões, limitar o acesso a dados e verificar o que o sistema está autorizado a fazer.
🇪🇺 Por que algumas funções não chegam à Europa?
A implementação também terá diferenças regionais.
O Google está deixando a União Europeia e a Suíça de fora das tarefas executadas na nuvem e dos agendamentos acionados por eventos associados ao recurso.
Por outro lado, as Skills e os chats agendados básicos estão disponíveis nessas regiões, tanto para usuários gratuitos quanto para assinantes.
A disponibilidade geográfica, portanto, será um dos fatores que determinarão quais recursos cada usuário poderá acessar.
🔎 O que muda para quem usa o Gemini diariamente?
As duas alterações seguem uma direção semelhante: reduzir a fragmentação da experiência e colocar mais recursos dentro da conversa principal.
As Skills tornam as instruções personalizadas mais flexíveis e potencialmente portáveis entre ferramentas compatíveis. As Tasks, por sua vez, aproximam a automação contínua da interface que os usuários já conhecem.
Para quem trabalha com produção de conteúdo, pesquisa, marketing ou desenvolvimento, a combinação pode permitir fluxos de trabalho mais complexos, desde que as ferramentas necessárias estejam disponíveis.
O desafio imediato será a transição. Recursos que funcionavam nos Gems ainda não estão presentes nas Skills, e a integração com o Workspace continua incompleta.
O Gemini está sendo reorganizado para combinar personalização e execução autônoma em um mesmo ambiente. A próxima etapa será descobrir se essa integração conseguirá entregar a praticidade prometida sem sacrificar os recursos que fizeram os Gems úteis em primeiro lugar.