Gemini ganha integração direta com o Notebook e aproxima pesquisa e conversas

Renê Fraga
8 min de leitura

Principais destaques

  • Cadernos dentro do Gemini: usuários podem criar, editar e consultar notebooks sem sair da conversa com o chatbot.
  • Integração com fontes e anotações: é possível salvar conversas, adicionar materiais e recuperar informações de pesquisas anteriores.
  • Recurso disponível globalmente: a integração atende contas pessoais do Google e clientes elegíveis do Workspace, com configuração diferente no Espaço Econômico Europeu.

O Google está aproximando duas ferramentas que fazem cada vez mais parte da rotina de quem usa inteligência artificial para estudar, pesquisar e organizar informações. Agora, o Gemini pode acessar os cadernos do Gemini Notebook diretamente durante uma conversa, permitindo que o usuário trabalhe com suas pesquisas sem precisar alternar constantemente entre aplicativos.

Anunciada na sexta-feira, 23 de outubro, no blog Workspace Updates, a novidade transforma o chatbot em uma porta de entrada mais prática para os cadernos de pesquisa da empresa.

A mudança também reforça uma estratégia do Google: fazer com que o Gemini deixe de ser apenas um lugar para fazer perguntas e passe a funcionar como uma central de acesso a diferentes serviços.

NotebookLM agora está mais perto do chatbot 🤖

O Gemini Notebook é a ferramenta de pesquisa e aprendizado que anteriormente era conhecida como NotebookLM. Ela permite organizar fontes, consultar materiais e trabalhar com informações reunidas em cadernos temáticos.

Antes da atualização, os notebooks já apareciam no painel lateral do Gemini. A novidade é uma integração mais profunda, que permite interagir com eles diretamente por meio de comandos escritos na conversa.

A experiência se aproxima do funcionamento de outros aplicativos conectados ao Gemini, como os serviços do Google Workspace e o Google Fotos.

🔎 O que muda na prática: em vez de abrir um caderno, localizar uma informação e retornar ao chatbot, o usuário pode solicitar essas operações dentro da própria conversa.

Isso reduz as interrupções no fluxo de trabalho, especialmente para quem utiliza a IA para desenvolver pesquisas longas, preparar trabalhos acadêmicos ou organizar informações de diferentes fontes.

Basta mencionar o Gemini Notebook na conversa

A integração pode ser acionada digitando @Gemini Notebook no campo de conversa. A partir daí, o usuário pode solicitar diferentes operações usando linguagem natural.

Entre os exemplos apresentados pelo Google estão:

• Criar cadernos: abrir um notebook dedicado a um tema, como tendências de mercado de fazendas solares.

• Adicionar fontes: reunir materiais de referência em um caderno de pesquisa.

• Salvar conversas: adicionar uma cópia da conversa atual ao notebook de um curso ou projeto.

• Editar e excluir cadernos: administrar os materiais existentes por meio de comandos.

• Consultar informações: perguntar o que os notebooks já reunidos dizem sobre determinado assunto.

• Listar fontes: identificar os materiais utilizados em um caderno específico.

O usuário também não precisa necessariamente mencionar o aplicativo em todas as solicitações. Segundo o Google, o Gemini pode identificar automaticamente quando uma tarefa é adequada para o aplicativo conectado e utilizá-lo em prompts relevantes.

📚 As pesquisas passam a acompanhar as conversas

Imagine que você esteja pesquisando o mercado de energia solar. Durante uma conversa, pede ao Gemini que compare tendências, organize informações e identifique oportunidades.

Com a integração, é possível solicitar a criação de um notebook sobre o tema e adicionar materiais relevantes à pesquisa. Depois, você pode voltar ao caderno para consultar o que já foi reunido, sem precisar reconstruir todo o contexto.

O mesmo vale para estudantes que utilizam a ferramenta para organizar disciplinas, leituras e anotações.

💡 A principal mudança não está apenas em conectar dois aplicativos, mas em permitir que uma conversa com a IA se transforme em material organizado para consultas futuras.

As alterações são sincronizadas automaticamente entre o Gemini e o Gemini Notebook. Isso ajuda a manter os cadernos atualizados quando o usuário trabalha com eles a partir de diferentes pontos de acesso.

A sincronização, porém, não significa que todos os conteúdos da conta serão incorporados automaticamente. As operações continuam dependendo dos comandos, das fontes e das permissões aplicáveis.

Quem pode usar a novidade?

Segundo o anúncio, a integração está disponível para contas pessoais do Google, assinantes do Workspace Individual e clientes do Google Workspace.

Tipo de contaDisponibilidade
Conta pessoal do GoogleDisponível
Workspace IndividualDisponível
Google Workspace empresarialDepende da habilitação dos serviços e das políticas da organização
Usuários no Espaço Econômico EuropeuÉ necessário ativar a integração manualmente

O recurso vem ativado por padrão para usuários nas regiões atendidas, exceto no Espaço Econômico Europeu, onde começa desativado.

Para conferir a configuração, basta acessar Gemini → Configurações → Apps conectados. No Espaço Econômico Europeu, a conexão precisa ser autorizada manualmente.

Nas organizações, os administradores também precisam considerar quais grupos ou unidades organizacionais têm acesso ao Gemini e ao Gemini Notebook.

⚠️ Há uma limitação importante

De acordo com a página de ajuda do Google citada no material original, o aplicativo conectado funciona em gemini.google.com e nos aplicativos móveis do Gemini.

O aplicativo do Gemini para Mac não é compatível com essa integração neste momento.

Para quem alterna entre computador e celular, portanto, a experiência pode variar conforme o dispositivo utilizado.

Google quer transformar o Gemini em uma central de serviços

A integração faz parte de um movimento mais amplo. O Google vem ampliando o número de aplicativos que podem ser utilizados dentro do Gemini, em vez de manter cada serviço isolado em sua própria interface.

Entre as integrações recentes mencionadas estão Peloton, SeatGeek e Airtable.

O Gemini Notebook tem um papel particularmente interessante nessa estratégia porque conecta a conversa imediata a um acervo de informações que pode continuar sendo útil ao longo do tempo.

Uma pergunta feita hoje pode ajudar a construir um projeto consultado semanas depois. Para pesquisadores, estudantes e profissionais que trabalham com grandes volumes de informação, essa continuidade pode ser mais relevante do que simplesmente obter respostas rápidas.

A questão agora é até onde essa integração avançará. Se o Google conseguir tornar a transição entre conversar, pesquisar, organizar fontes e recuperar conhecimento realmente fluida, o Gemini poderá assumir um papel mais central na rotina de trabalho dos usuários.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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