Principais destaques
- Search perdeu participação: a busca respondeu por 49,7% da receita total da Alphabet no terceiro trimestre, pela primeira vez abaixo da metade desde 2018.
- Google Cloud dispara: a divisão cresceu 103% em um ano, alcançando US$ 30,7 bilhões e mudando o equilíbrio financeiro da empresa.
- Mercado continua desconfiado: mesmo com o crescimento da receita de buscas, as ações da Alphabet despencaram 12,6% após a divulgação dos resultados.
A Pesquisa Google deixou de representar mais da metade da receita da Alphabet. Para alguns investidores, isso é um sinal preocupante sobre o futuro do negócio que construiu o império da companhia.
David Sacks, investidor de tecnologia e coapresentador do podcast All-In, discorda dessa interpretação. Para ele, o mercado está confundindo uma mudança no tamanho relativo das divisões com uma deterioração do negócio principal do Google.
E existe um número importante por trás desse argumento: enquanto a Busca cresce, o Google Cloud está avançando em um ritmo muito mais acelerado.
Um marco que chamou a atenção dos investidores
Os resultados do terceiro trimestre de 2026 revelaram uma mudança histórica na composição das receitas da Alphabet.
A divisão Google Search e outros registrou US$ 63,35 bilhões, diante de uma receita total de US$ 127,58 bilhões.
| Indicador | Receita |
|---|---|
| Google Search e outros | US$ 63,35 bilhões |
| Receita total da Alphabet | US$ 127,58 bilhões |
| Participação da Busca | 49,7% |
O cálculo foi destacado pelo FourWeekMBA. Segundo o levantamento, foi a primeira vez em 32 trimestres analisados, desde o final de 2018, que a participação da Busca ficou abaixo de 50%.
Mas existe uma diferença importante: perder participação na receita total não significa necessariamente faturar menos.
Sacks questiona a interpretação do mercado
Em uma publicação repercutida pela Stocktwits e pelo Yahoo Finance, Sacks criticou a maneira como investidores estavam interpretando os números.
Segundo ele, a queda da participação percentual da Pesquisa Google está sendo apresentada como uma situação catastrófica, embora a receita absoluta do negócio continue crescendo.
O argumento central: o Google não está necessariamente perdendo força. Outras divisões estão crescendo mais rapidamente.
Sacks apontou especialmente para o Google Cloud, cuja expansão está alterando o peso de cada unidade dentro da Alphabet.
“É o crescimento do negócio do Google Cloud que fez a Pesquisa Google parecer estar em declínio.”
A leitura é relativamente simples: quando uma divisão cresce muito mais rápido que outra, a participação percentual da segunda diminui, mesmo que sua receita continue aumentando.
Google Cloud está mudando o jogo
Os números ajudam a explicar por que Sacks considera a diversificação positiva.
No terceiro trimestre, a receita da Pesquisa Google cresceu 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o Google Cloud avançou impressionantes 103%, alcançando US$ 30,7 bilhões.
A diferença de velocidade é significativa.
Crescimento anual da receita:
| Divisão | Crescimento |
|---|---|
| Google Search | 12% |
| Google Cloud | 103% |
Segundo a contagem da StockTitan, o Cloud foi responsável por aproximadamente 62% de toda a receita adicional gerada pela Alphabet em um ano.
Isso ajuda a explicar por que a empresa está cada vez menos dependente de uma única fonte de faturamento.
A expansão também reforça a importância da infraestrutura de computação, dos serviços corporativos e da demanda por inteligência artificial para os próximos anos.
Wall Street não comprou a explicação
Apesar dos argumentos de Sacks, a reação dos investidores foi bastante negativa.
As ações Classe A da Alphabet despencaram 12,6% na quinta-feira, 29 de outubro, um dia depois da divulgação dos resultados.
Foi a pior queda diária desde que a empresa começou a ser negociada em 2004, eliminando aproximadamente US$ 482 bilhões em valor de mercado.
Apenas a Nvidia havia registrado uma perda diária maior entre empresas listadas nos Estados Unidos.
O problema não foi apenas a participação da Busca: o crescimento da divisão também desacelerou ao longo de 2026.
| Período | Crescimento da Busca |
|---|---|
| Primeiro trimestre | 19% |
| Segundo trimestre | 17% |
| Terceiro trimestre | 12% |
Além disso, a receita ficou abaixo da expectativa dos analistas, que projetavam US$ 64,96 bilhões.
O Bank of America chegou a avaliar o negócio principal de buscas em aproximadamente 10 vezes o lucro, segundo a Fortune.
Esse cenário mostra que o mercado não está olhando apenas para o tamanho do Google Cloud. Também quer entender se a Pesquisa continuará sendo uma máquina de geração de receita diante da transformação provocada pela IA.
Google insiste que a inteligência artificial está ajudando
A Alphabet tem defendido que a inteligência artificial está fortalecendo a Pesquisa Google, em vez de destruir seu modelo de negócios.
Durante a apresentação dos resultados, o CEO Sundar Pichai afirmou que o crescimento anual no volume de consultas atingiu seu maior nível em cinco anos.
A empresa também atribuiu principalmente aos efeitos cambiais a desaceleração do crescimento da Busca em relação ao segundo trimestre.
Mas existe um desafio que o próprio Google reconhece.
A monetização ainda é diferente: o Modo IA atualmente gera menos receita do que a pesquisa tradicional.
Philipp Schindler, diretor comercial da Alphabet, afirmou que a companhia está ampliando a presença de anúncios de alta qualidade nas Visões Gerais criadas por IA e no Modo IA, alcançando mais usuários e consultas.
Isso significa que o Google precisa resolver duas questões simultaneamente:
- Fazer com que as experiências de busca baseadas em IA continuem atraindo usuários.
- Desenvolver formatos publicitários capazes de preservar a rentabilidade do negócio.
O verdadeiro teste ainda está por vir
O argumento de David Sacks tem fundamento quando se observa a composição das receitas: uma empresa que cresce em diferentes frentes pode reduzir sua dependência de um único negócio sem necessariamente enfraquecê-lo.
Entretanto, a preocupação dos investidores não é totalmente infundada.
A Pesquisa Google está passando por uma transformação estrutural. Com respostas geradas por IA, Modo IA e novas formas de interação, a Alphabet precisa demonstrar que consegue preservar sua capacidade de monetização sem comprometer a experiência dos usuários.
O Google Cloud está ajudando a financiar essa transformação e a diversificar os resultados da companhia.
A questão agora é outra: quando a inteligência artificial mudar definitivamente a maneira como as pessoas pesquisam na internet, o Google conseguirá transformar essa nova experiência em uma fonte de receita tão poderosa quanto a busca tradicional?