Google investiu US$ 900 milhões na SpaceX e hoje tem participação de US$ 69 bilhões

Renê Fraga
8 min de leitura

Principais destaques

  • Participação bilionária: Alphabet aumentou sua posição na SpaceX em quase 4 milhões de ações, chegando a aproximadamente 555 milhões de papéis.
  • Valorização impressionante: O investimento inicial de US$ 900 milhões, realizado em 2015, alcançou um valor estimado de US$ 68,6 bilhões.
  • Uma relação de mão dupla: Além de acionista, Google também se tornou cliente da SpaceX, com um contrato de US$ 920 milhões mensais para ampliar sua capacidade computacional de inteligência artificial.

O Google está em uma posição curiosa em relação à SpaceX: é um dos grandes investidores da empresa de Elon Musk, mas também depende dela para atender à crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

A Alphabet, controladora do Google, aumentou sua participação na companhia espacial durante o terceiro trimestre de 2026. Foram quase 4 milhões de ações adicionais, mesmo em um período marcado por uma forte queda no preço dos papéis.

O resultado é uma participação que hoje vale aproximadamente US$ 68,6 bilhões. Nada mal para um investimento inicial de US$ 900 milhões.

De US$ 900 milhões a quase US$ 69 bilhões 🚀

A história começou em janeiro de 2015, quando o Google participou de uma rodada de financiamento de US$ 1 bilhão da SpaceX, ao lado da gestora Fidelity.

Na época, o investimento ajudava a financiar os planos de Elon Musk para desenvolver foguetes reutilizáveis e construir uma rede global de comunicação via satélite.

A ambição era bastante ousada.

Dias antes, Musk havia descrito sua visão para uma rede global de satélites como algo semelhante a reconstruir a internet no espaço.

Mais de uma década depois, aquela aposta se transformou em um dos investimentos mais expressivos da história recente da Alphabet.

📊 O tamanho da participação:

Segundo informações reportadas pela Reuters, a Alphabet possuía aproximadamente 555 milhões de ações da SpaceX no fim de setembro.

IndicadorValor
Investimento inicialUS$ 900 milhões
Ações no fim de junho551,2 milhões
Ações no fim de setembro555 milhões
Valor estimado da participaçãoUS$ 68,6 bilhões
Preço da ação utilizadoUS$ 123,62

A participação aumentou mesmo com a desvalorização das ações.

Google comprou mais ações enquanto a SpaceX perdia valor 📉

Existe um detalhe interessante nessa movimentação.

As ações da SpaceX caíram de US$ 170,86 no fim de junho para US$ 123,62 no fechamento de quinta-feira.

Essa queda reduziu em aproximadamente US$ 25,6 bilhões o valor de mercado da participação da Alphabet.

Apenas no terceiro trimestre, a desvalorização representou cerca de US$ 10,5 bilhões.

💸 E o impacto não terminou em setembro: outros US$ 15,1 bilhões em valor foram perdidos desde então, considerando a comparação apresentada pela reportagem.

O documento financeiro da Alphabet confirma o aumento da quantidade de ações, mas não informa exatamente quando ou como os papéis adicionais foram adquiridos.

💡 Uma oscilação de apenas US$ 10 no preço das ações da SpaceX altera em aproximadamente US$ 5,5 bilhões o valor estimado da participação do Google.

Isso ajuda a explicar por que o investimento também aparece nos resultados financeiros da companhia.

A aposta espacial já afeta os resultados do Google

A diretora financeira da Alphabet, Anat Ashkenazi, afirmou no mês passado que as perdas não realizadas relacionadas à SpaceX foram a principal responsável por US$ 8,2 bilhões em resultado negativo na linha de outras receitas e despesas durante o terceiro trimestre.

É importante entender o significado desse número.

Uma perda não realizada não significa necessariamente que a Alphabet vendeu suas ações e perdeu dinheiro efetivamente. Ela representa a redução contábil do valor de um investimento que continua na carteira.

Se os papéis recuperarem valor, parte dessa perda poderá desaparecer nos próximos balanços.

Por outro lado, se a desvalorização continuar, a exposição financeira da Alphabet permanecerá relevante.

Google também paga bilhões à empresa de Elon Musk 💰

A relação entre as duas companhias vai muito além da participação acionária.

Em junho, o Google concordou em pagar US$ 920 milhões por mês à SpaceX para acessar aproximadamente 110 mil GPUs da Nvidia.

O objetivo é ampliar temporariamente a capacidade computacional necessária para atender à demanda de sua plataforma Gemini Enterprise.

Um porta-voz do Google afirmou que a procura pelo serviço estava sendo ainda maior do que o esperado.

O acordo permite que as duas empresas encerrem o contrato com aviso prévio de 90 dias após 31 de dezembro.

🔎 A dimensão financeira chama atenção:

IndicadorValor
Pagamento mensalUS$ 920 milhões
GPUs contratadasAproximadamente 110 mil
Investimento original do GoogleUS$ 900 milhões

Na prática, o investimento que o Google fez na SpaceX em 2015 já não seria suficiente para pagar sequer um mês desse contrato de capacidade computacional.

SpaceX também está atraindo outros gigantes da tecnologia

O Google não é o único interessado na infraestrutura da companhia de Musk.

Durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre de 2026, o empresário afirmou que a SpaceX estava sendo procurada insistentemente por empresas de infraestrutura em nuvem e grandes fornecedores de serviços tecnológicos, conhecidos como hyperscalers.

Segundo Musk, a procura é tão elevada que a empresa poderia alugar várias vezes mais capacidade computacional do que disponibiliza atualmente.

Isso coloca a SpaceX em uma posição estratégica em um mercado que vai muito além de foguetes, satélites e exploração espacial.

A infraestrutura computacional tornou-se um recurso essencial para o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial, e empresas como Google, Microsoft e Amazon disputam acesso a capacidade cada vez maior.

Uma aposta que conecta espaço e inteligência artificial

A estratégia da Alphabet revela uma relação cada vez mais complexa com a SpaceX.

De um lado, o Google mantém uma participação acionária bilionária em uma das empresas privadas mais importantes do setor espacial. De outro, utiliza sua infraestrutura para atender à expansão dos serviços de inteligência artificial.

São duas apostas conectadas: o futuro das comunicações via satélite e a crescente necessidade de processamento para IA.

Mas existe um risco nessa combinação. A Alphabet está exposta à volatilidade das ações da SpaceX enquanto também mantém um compromisso financeiro expressivo com a companhia.

E, se a demanda por computação continuar crescendo no ritmo descrito por Musk, a infraestrutura da SpaceX poderá se tornar ainda mais valiosa.

O investimento de 2015 começou como uma aposta no futuro dos foguetes reutilizáveis. Em 2026, ele também representa uma posição estratégica na corrida global pela inteligência artificial.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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