Seria mesmo a segunda bolha da Internet? E se ela estourasse?

Rômulo de Araújo Mendes
5 min de leitura

Bolha da Internet 2.0Nos últimos dias, tive oportunidade de ler duas reportagens, que me chamaram muito a atenção pela gravidade do tema e por quem as assina. Resolvi então compartilha-lhas com os leitores deste blog.

A primeira foi assinada por John C. Dvorak, na Revista Info, deste mês, página 38. Ele afirma categoricamente que estamos nos caminhando para uma segunda bolha da Internet (lembram-se daquela de 1999, que faliu muita gente?). Em resumo, dá três motivos:

  • congestionamento de tráfego da Internet nos EUA;
  • extravagâncias dos novos ricos do Vale do Silício;
  • imensa onda de especulação, tanto na bolsa de valores, quanto em startups sem modelos de negócio definidos ou com modelos de negócio inviáveis do ponto de vista comercial.

A segunda reportagem, publicada ontem, e assinada por Rebecca Buckman, do respeitado The Wall Street Journal, é mais focada na enorme quantidade de sites destinados a serviços inúteis ou que reciclam idéias de sites já quebrados em 1999, mas também demonstra preocupação, não apenas do WSJ, mas o que também já começa a ocorrer com os mais experientes, entre os investidores do Vale do Silício.

O lado ruim desta história é que, se a bolha existir mesmo, um dia ela terá que estourar, muita gente perderá dinheiro e, como de costume, a economia dos países emergentes sofrerá as consequências, sem nada ter contribuído para com isso.

E parece mesmo haver uma bolha, em função do preço atual dos ativos de Internet. Apenas para citar dois exemplos recentes, ontem a Google adquiriu a Jaiku e houve quem dissesse que a negociação com a Twitter (que era nossa previsão inicial, aliás) não foi adiante em função do preço exigido pelos proprietários e o Facebook está em negociação com a Microsoft, mas afirmando valer USD$ 15 Bilhões. Ora, o Mark Zuckerberg ficou completamente louco! Todos sabemos que sites de relacionamento possuem tráfego muito irregular e o valor dado a ele pelo serviço equivale a uma vez e meia o valor de mercado da Embraer, que é a terceira maior fábrica de aviões do mundo. Os meninos do vale do silício estão perdendo a noção do valor do dinheiro, porque ele está vindo muito fácil.

Nestes momentos, o próprio mercado trata de dar um freio de arrumação, que acaba por falir um bom número de empresas pequenas, mas mantém aquelas sólidas e que possuem modelos de negócios e tecnologia estáveis.

Se a bolha estourar, a maior parte destas startups quebrarão e grande parte destes engenheiros ficarão desempregados e, às vezes, com boas patentes nas mãos, mas cujos preços ficaram aviltados (ou se tornaram reais), pela falta de financiamento fácil e, no muito das vezes, irresponsável. A infraestrutura de telecom também poderá cair de preço, como ocorreu em 1999 (em menor escala), pela diminuição da demanda. Quem ganhará com tudo isso serão as empresas bem estabelecidas. Vislumbro logo Google, Yahoo! e Microsoft, que hoje estão encontrando muita dificuldade para aumentar o seu quadro de pessoal e também para crescerem por meio de aquisições, em função da inflação dos salários e dos ativos na área da Web. Se a bolha estourar, certamente haverá uma grande consolidação do mercado.

Se a bolha estourar, virá, sem dúvida, uma recessão econômica. Para o WSJ, entretanto, em face dos agentes econômicos já terem conhecido um primeiro estouro de bolha em 1999, um segundo não seria não agudo quanto aquele, o que seria menos ruim.

Importante é se levar em conta que estes momentos de boom não são de todo ruins, pois eles incentivam a inovação e os estouros de bolhas, se causam transtornos financeiros, antes, já causaram grandes benefícios. O de 1999, como bem lembra Thomas L. Friedman em seu livro O Mundo é Plano, permitiu a globalização da economia, notadamente de uma de suas faces, a da terceirização dos serviços para os países ricos para os em desenvolvimento, o que representou um grande avanço na economia mundial. Quem sabem um novo estouro de bolha nos traga outro grande avanço econômico, que nós ainda não conseguimos hoje vislumbrar?

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