Samsung Z Fold 8 e Z Flip 8 serão os primeiros com o Gemini Intelligence do Google

Renê Fraga
10 min de leitura

Principais destaques:

  • Galaxy Z Fold 8 e Z Flip 8 serão os primeiros smartphones Samsung lançados com Gemini Intelligence integrado de fábrica.
  • Nova IA do Google promete automatizar tarefas complexas entre vários aplicativos sem intervenção manual.
  • Samsung acelera estratégia de inteligência artificial enquanto enfrenta a futura entrada da Apple no mercado de dobráveis.

A Samsung prepara um dos lançamentos mais ambiciosos de sua história recente no mercado mobile.

Os próximos Galaxy Z Fold 8 e Galaxy Z Flip 8 não chegarão apenas como uma atualização de hardware da linha dobrável da empresa.

Os aparelhos marcarão oficialmente o início de uma nova geração de smartphones fortemente centrados em inteligência artificial agêntica, graças à integração do Gemini Intelligence, nova plataforma avançada de IA criada pelo Google.

Os dispositivos serão apresentados durante o Galaxy Unpacked, evento confirmado para acontecer em Londres no dia 22 de julho.

A previsão é que os modelos comecem a chegar ao mercado já no início de agosto, transformando os novos dobráveis da Samsung nos primeiros celulares do mundo a estrearem a tecnologia Gemini Intelligence já ativa desde o lançamento.

A novidade representa um passo importante tanto para a Samsung quanto para o Google. Nos últimos anos, as duas empresas ampliaram significativamente a parceria envolvendo Android, inteligência artificial e experiências móveis avançadas. Agora, essa colaboração parece entrar em sua fase mais importante até aqui.

Gemini Intelligence vai além dos assistentes tradicionais

O Gemini Intelligence foi apresentado oficialmente pelo Google durante o The Android Show: I/O Edition 2026 e rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados do setor de tecnologia.

Diferente dos assistentes virtuais convencionais, que normalmente dependem de comandos diretos e respostas limitadas, o novo sistema aposta em uma IA muito mais contextual, proativa e capaz de executar ações completas sozinha.

A ideia principal do Google é transformar o smartphone em um assistente realmente inteligente, capaz de entender objetivos complexos e concluir tarefas automaticamente entre vários aplicativos simultaneamente.

Em uma das demonstrações feitas pela empresa, um usuário escreve uma lista de compras em um aplicativo de notas e pede ao Gemini para organizar os itens em um serviço de delivery.

A IA então identifica os produtos, abre o aplicativo correspondente, pesquisa os itens, adiciona tudo ao carrinho e prepara o pedido sem que o usuário precise navegar manualmente entre as telas.

Outro exemplo citado envolve aplicativos de transporte. O Gemini Intelligence pode interpretar compromissos na agenda, calcular horários e solicitar corridas automaticamente com base no trânsito e no local do evento.

Na prática, o Google quer eliminar boa parte da necessidade de alternar entre aplicativos ou repetir comandos constantemente. O objetivo é criar uma experiência mais natural, automatizada e integrada ao cotidiano do usuário.

One UI 9 baseada no Android 17 será peça central da experiência

Toda essa nova camada de inteligência artificial será integrada à One UI 9, nova interface da Samsung construída sobre o Android 17. Segundo informações divulgadas pelo Seoul Economic Daily, o sistema operacional foi desenvolvido já pensando na integração profunda com o Gemini Intelligence.

Isso significa que os novos dobráveis não apenas terão acesso ao recurso, mas serão projetados para explorar totalmente suas capacidades desde o primeiro dia.

A Samsung já vinha introduzindo recursos de IA em seus smartphones recentes, especialmente após a chegada do Galaxy AI. No entanto, as funções atuais ainda operam de maneira relativamente limitada, geralmente executando ações simples e isoladas.

Com a One UI 9, a proposta muda completamente. O sistema deverá permitir que a IA atravesse diferentes aplicativos e serviços de maneira contínua, criando automações muito mais avançadas.

A expectativa é que o Gemini Intelligence consiga aprender padrões de uso, antecipar necessidades do usuário e sugerir ações antes mesmo que comandos sejam dados.

Segundo a Samsung, a nova plataforma entregará uma experiência mais personalizada, eficiente e inteligente, aproveitando o potencial do Android de próxima geração para ampliar a produtividade e simplificar tarefas do dia a dia.

Samsung tenta assumir liderança da nova corrida da IA mobile

O movimento da Samsung também possui um peso estratégico enorme dentro do mercado global de smartphones. Nos últimos anos, a inteligência artificial passou de recurso experimental para prioridade absoluta entre as gigantes de tecnologia.

A OpenAI acelerou a popularização da IA generativa, o Google respondeu com a expansão da família Gemini, e empresas como Apple, Microsoft e Meta passaram a investir bilhões no desenvolvimento de plataformas próprias.

Dentro desse cenário, a Samsung busca se posicionar como a fabricante Android mais avançada em inteligência artificial aplicada ao consumidor.

No início de 2026, o co-CEO da empresa, TM Roh, afirmou que a Samsung pretendia dobrar o número de dispositivos compatíveis com tecnologia Gemini ao longo do ano. A meta é saltar de cerca de 400 milhões de aparelhos compatíveis em 2025 para aproximadamente 800 milhões até o final de 2026.

A linha Galaxy S26 já havia dado alguns sinais dessa estratégia ao introduzir recursos mais “acionáveis” da IA por meio da One UI 8.5. Na ocasião, o Gemini já conseguia abrir aplicativos específicos e executar algumas tarefas simples dentro deles.

Agora, o Gemini Intelligence representa uma evolução muito mais profunda dessa integração.

Samsung ganha vantagem antes do próximo Pixel do Google

Curiosamente, mesmo sendo uma tecnologia criada pelo Google, a estreia mais completa do Gemini Intelligence pode acontecer primeiro em um aparelho da Samsung.

O Google confirmou que os novos recursos serão liberados inicialmente para os modelos Galaxy e Pixel mais recentes durante o verão de 2026. Porém, a linha Pixel 11 ainda não possui uma data oficial de lançamento.

Isso cria uma oportunidade rara para a Samsung assumir temporariamente a dianteira na corrida da IA mobile, oferecendo primeiro ao consumidor a experiência completa da nova plataforma.

A empresa sul-coreana já liberou o programa beta da One UI 9 para usuários da linha Galaxy S26 em 12 de maio, mas o Gemini Intelligence ainda não aparece disponível na versão de testes.

Segundo informações da própria Samsung, a funcionalidade está reservada para a versão final do sistema, prevista justamente para estrear junto aos novos dobráveis.

Essa estratégia também ajuda a aumentar a importância do Z Fold 8 e do Z Flip 8, transformando os aparelhos em uma vitrine global para o futuro da inteligência artificial no Android.

Mercado de dobráveis entra em fase decisiva com chegada da Apple

Além da corrida pela IA, a Samsung também enfrenta outro grande desafio: a iminente entrada da Apple no segmento de celulares dobráveis.

Rumores indicam que a empresa de Cupertino prepara seu primeiro iPhone dobrável para o segundo semestre de 2026, movimento que pode alterar drasticamente o equilíbrio do mercado.

Segundo projeções da Counterpoint Research, a Apple poderia conquistar cerca de 28% do mercado global de dobráveis logo após sua estreia. Caso isso aconteça, a participação da Samsung poderia cair de aproximadamente 40% para 31%.

Diante dessa ameaça, a Samsung parece apostar justamente na inteligência artificial como principal diferencial competitivo para manter sua liderança.

A estratégia faz sentido. Embora o design dobrável já não seja mais uma novidade absoluta, a integração profunda entre hardware flexível e IA avançada pode abrir espaço para experiências inéditas de multitarefa, produtividade e automação.

No Galaxy Z Fold 8, por exemplo, o Gemini Intelligence poderá aproveitar a tela ampliada para executar fluxos multitarefa mais complexos. Já no Z Flip 8, a IA deve explorar fortemente a tela externa e os comandos contextuais rápidos.

IA agêntica pode redefinir o futuro dos smartphones

O conceito de IA agêntica vem sendo tratado como o próximo grande salto da indústria de tecnologia. Diferente das inteligências artificiais tradicionais, que apenas respondem perguntas ou geram conteúdo, sistemas agênticos possuem capacidade de tomar decisões, interpretar objetivos e executar tarefas em sequência.

Na prática, isso aproxima os smartphones de um comportamento mais próximo ao de um “assistente pessoal digital”.

Especialistas acreditam que esse tipo de tecnologia pode redefinir completamente a forma como usamos aplicativos, navegamos em interfaces e realizamos tarefas cotidianas.

Em vez de abrir manualmente vários apps para organizar uma viagem, comprar comida ou gerenciar compromissos, o usuário poderá simplesmente pedir o resultado final desejado, deixando a IA responsável pela execução.

O lançamento do Gemini Intelligence nos novos dobráveis da Samsung pode acabar sendo lembrado justamente como o primeiro grande passo dessa transformação.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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