Google Earth Pro deixará de receber novos downloads no desktop em 2027

Renê Fraga
8 min de leitura

Principais destaques

  • O Google encerrará os novos downloads do Google Earth Pro para computadores em 25 de junho de 2027.
  • Usuários que já tiverem o aplicativo instalado poderão continuar utilizando o programa, mas ele não receberá mais atualizações.
  • Profissionais da área de geoprocessamento afirmam que a versão web ainda não oferece todos os recursos presentes no software para desktop.

O Google Earth Pro deixará de ser disponibilizado para novos downloads em computadores a partir de 25 de junho de 2027. A empresa pretende concentrar o desenvolvimento da plataforma nas versões para navegador e dispositivos móveis, incentivando a migração dos usuários para essas alternativas.

Embora a notícia tenha gerado preocupação entre os usuários, especialmente aqueles que utilizam a ferramenta no trabalho, o Google esclareceu um ponto importante. Quem já possuir o Google Earth Pro instalado antes do prazo continuará podendo utilizar o aplicativo normalmente após a data anunciada. A diferença é que o programa deixará de receber atualizações, novos recursos e suporte oficial.

A decisão representa mais um passo da estratégia do Google de reduzir a dependência de softwares tradicionais para desktop e ampliar o uso de aplicações baseadas na nuvem. No entanto, para parte da comunidade, essa transição ainda acontece antes que a experiência na web consiga substituir completamente as funcionalidades do aplicativo original.

Google aposta definitivamente nas versões web e mobile

O Google Earth Pro se tornou uma das ferramentas mais conhecidas da empresa ao permitir que qualquer pessoa explorasse imagens de satélite de praticamente todo o planeta. Desde seu lançamento, o software conquistou milhões de usuários interessados em visualizar cidades em alta resolução, acompanhar mudanças em regiões específicas e até explorar representações tridimensionais da Terra.

Com o passar dos anos, o serviço também passou a oferecer acesso a imagens da Lua, de Marte e de outras áreas do espaço, tornando-se uma plataforma bastante utilizada por estudantes, pesquisadores, professores e curiosos.

Além do público geral, o Google Earth Pro ganhou importância em diversas áreas profissionais. Engenheiros, arquitetos, urbanistas, geógrafos, agrônomos, pesquisadores ambientais e especialistas em sistemas de informações geográficas passaram a utilizar o programa em diferentes tipos de projetos graças às ferramentas avançadas disponíveis na versão para computador.

Agora, o Google pretende concentrar seus investimentos nas versões acessadas pelo navegador e pelos aplicativos móveis. Segundo a empresa, essa mudança permitirá evoluir a plataforma de forma mais rápida e simplificar sua manutenção. Ainda assim, muitos usuários acreditam que a experiência atual oferecida pela versão web ainda está distante da encontrada no software tradicional.

Comunidade critica limitações da versão para navegador

Logo após o anúncio, diversos usuários passaram a discutir a decisão em fóruns especializados e comunidades online. As críticas vieram principalmente de profissionais que utilizam diariamente grandes volumes de dados geoespaciais.

Entre os comentários mais frequentes está a dificuldade da versão web em exibir determinadas informações de atributos de maneira consistente. Para quem trabalha com projetos complexos, esse tipo de limitação pode representar perda de produtividade e dificuldades na análise dos dados.

Outro ponto bastante citado envolve a quantidade máxima de vértices suportada pela versão online. Segundo alguns usuários, esse limite impede o carregamento de conjuntos de dados maiores, tornando o navegador inadequado para determinados fluxos de trabalho desenvolvidos ao longo dos últimos anos.

Há também quem considere que o Google Earth Pro continua oferecendo uma experiência muito mais completa para manipulação de arquivos KML e KMZ, criação de projetos personalizados, importação de dados e navegação em mapas tridimensionais. Para esses usuários, abandonar o aplicativo para desktop significa abrir mão de funcionalidades importantes que ainda não foram totalmente reproduzidas na versão web.

Apesar das críticas, parte da comunidade acredita que o período de quase um ano até o encerramento dos downloads será suficiente para que empresas e profissionais adaptem seus processos. Alguns também enxergam a decisão como uma oportunidade para avaliar outras plataformas de geoprocessamento que oferecem recursos semelhantes ou até mais avançados.

O que muda para quem utiliza o Google Earth Pro

Na prática, a principal mudança é simples. Depois de 25 de junho de 2027, o Google não permitirá mais que novos usuários façam o download oficial do Google Earth Pro para desktop. Quem pretende continuar utilizando o programa deverá instalá-lo antes dessa data.

Já os usuários que mantiverem o aplicativo instalado poderão seguir utilizando normalmente o software. O Google confirmou que ele continuará funcionando mesmo após o encerramento do suporte. No entanto, não haverá mais atualizações de segurança, correções de erros nem novos recursos.

Essa diferença é importante porque muitas pessoas interpretaram inicialmente o anúncio como o fim definitivo do programa. Na realidade, trata-se do encerramento da distribuição e do desenvolvimento da versão para computadores, e não de uma desativação imediata do aplicativo.

Os usuários de Mac podem enfrentar um cenário um pouco mais delicado. Atualmente, o Google Earth Pro não possui uma versão desenvolvida especificamente para os processadores Apple Silicon da família M. O aplicativo depende da tecnologia Rosetta para executar código criado originalmente para computadores Intel.

Caso a Apple realmente remova esse sistema de compatibilidade em futuras versões do macOS, como vem sendo especulado para os próximos lançamentos, o Google Earth Pro poderá deixar de funcionar nesses equipamentos. Como o aplicativo não receberá mais atualizações, dificilmente haverá uma adaptação oficial para essa nova realidade.

A decisão do Google reforça uma tendência observada nos últimos anos. Cada vez mais serviços da empresa estão migrando para plataformas totalmente baseadas na web, reduzindo a necessidade de programas instalados localmente. Embora essa estratégia ofereça vantagens como atualizações automáticas e maior integração entre dispositivos, ela também gera preocupação entre usuários avançados que dependem de recursos específicos presentes apenas nas versões tradicionais para desktop.

Para o público que utiliza o Google Earth apenas para explorar cidades, localizar endereços ou visualizar imagens de satélite ocasionalmente, a mudança provavelmente terá pouco impacto. Já para profissionais que construíram seus fluxos de trabalho em torno do Google Earth Pro, os próximos meses deverão ser de adaptação e avaliação das melhores alternativas para o futuro.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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