Google deixa o Quick Share mais fácil com novo recurso de toque entre celulares Android

Renê Fraga
12 min de leitura

Principais destaques

  • O Quick Share ganhou o recurso “Tap to Share”, que permite iniciar o compartilhamento aproximando dois celulares Android compatíveis.
  • A função pode ser usada para trocar contatos, fotos, vídeos, links, localização e outros conteúdos, reduzindo etapas durante o envio.
  • A novidade começou a ser liberada para o Pixel 6 e modelos mais recentes e chegará a outros aparelhos Android, incluindo novos celulares da Samsung.

O Google está mudando a maneira como os usuários Android compartilham arquivos e informações entre celulares. A empresa começou a distribuir uma nova função do Quick Share que transforma a aproximação de dois aparelhos em um atalho para iniciar uma transferência.

A novidade foi anunciada junto à nova geração de produtos Pixel e representa uma evolução importante de um recurso que já fazia parte do Android. Em vez de abrir o Quick Share, procurar o aparelho disponível na lista e escolher manualmente o destinatário, o usuário poderá simplesmente aproximar os dois celulares compatíveis.

A experiência lembra bastante o que a Apple oferece com o NameDrop, recurso introduzido no iPhone com o iOS 17. A diferença é que o Google está levando a ideia para uma variedade maior de conteúdos, tornando o gesto útil não apenas para contatos, mas também para arquivos e mídias.

Quick Share agora pode começar com a aproximação dos celulares

O funcionamento do novo modo é bastante simples. Quando duas pessoas estão com celulares compatíveis, basta aproximar os aparelhos para que eles reconheçam a intenção de compartilhar conteúdo.

No caso de informações de contato, o processo pode ser iniciado diretamente pela tela inicial. O Google descreve a experiência como uma troca instantânea e de duas vias, permitindo que as pessoas compartilhem seus dados de contato de maneira mais natural.

Há também controle sobre o que será compartilhado. Em vez de necessariamente enviar todas as informações armazenadas no cartão de contato, o usuário pode escolher quais dados deseja disponibilizar.

Para fotos, vídeos e outros conteúdos, o processo começa de uma forma ligeiramente diferente. Primeiro, é necessário selecionar o conteúdo desejado e abrir a tradicional tela de compartilhamento do Android, conhecida como Share Sheet. Depois, basta aproximar os aparelhos para iniciar a transferência.

A nova interação reduz justamente uma das partes menos intuitivas do Quick Share: descobrir qual aparelho selecionar entre os dispositivos próximos. O sistema continua fazendo o trabalho de conexão em segundo plano, mas o usuário ganha um gesto físico que torna a intenção de compartilhar muito mais clara.

O Quick Share já permitia enviar fotos, vídeos, links, textos e outros arquivos para dispositivos próximos. A tecnologia também pode funcionar entre diferentes tipos de equipamentos, incluindo celulares Android, Chromebooks e alguns PCs com Windows.

A diferença agora está na forma de iniciar essa comunicação. O Google está transformando o recurso em algo mais próximo de uma ação natural entre duas pessoas, em vez de uma função escondida dentro dos menus do sistema.

Google tenta aproximar o Android da experiência do iPhone

A nova função também tem um significado maior para o ecossistema Android. Durante anos, a Apple construiu uma experiência bastante reconhecida em torno do AirDrop, permitindo que usuários compartilhassem arquivos entre aparelhos próximos sem precisar lidar com processos complicados.

O NameDrop levou essa ideia para os contatos. Com ele, usuários de iPhone podem aproximar seus aparelhos para iniciar uma troca de informações. Agora, o Android passa a contar com uma experiência semelhante no próprio sistema.

Isso não significa que o Quick Share tenha se tornado uma cópia do AirDrop. O recurso do Google já existia há bastante tempo e possui mecanismos próprios para descoberta, transferência e controle de visibilidade. A novidade é uma nova camada de interação sobre essa infraestrutura.

O Quick Share também oferece diferentes níveis de visibilidade. Dependendo da configuração, um aparelho pode ficar disponível para os próprios dispositivos do usuário, para contatos ou para qualquer pessoa por um período limitado. O Android permite, por exemplo, usar a opção “Todos por 10 minutos”, que retorna automaticamente à configuração anterior depois desse período.

Esse detalhe é importante porque compartilhar algo por proximidade não significa necessariamente deixar o celular permanentemente aberto para qualquer pessoa. O usuário continua tendo mecanismos para controlar quem pode encontrá-lo e enviar arquivos.

Outra característica interessante é que o Quick Share não depende exclusivamente de uma conexão com a internet para realizar transferências entre aparelhos próximos. A documentação do Google destaca que o recurso pode compartilhar conteúdo localmente entre dispositivos compatíveis.

Na prática, isso torna a função especialmente útil em situações corriqueiras. Uma pessoa pode tirar várias fotos durante um encontro, escolher as imagens que deseja enviar e simplesmente aproximar os celulares. Em vez de procurar o nome do amigo em uma lista de dispositivos, a ação passa a ser muito mais direta.

Também pode ser útil em situações profissionais. Um contato pode compartilhar rapidamente seus dados, enquanto outra pessoa pode enviar um documento, uma apresentação ou uma imagem sem precisar recorrer a aplicativos de mensagens.

Recurso começa nos Pixel e será ampliado para mais aparelhos

A distribuição inicial do Tap to Share começou pelos celulares Pixel. O Google informou que a função está sendo liberada para o Pixel 6 e modelos mais recentes.

A escolha faz sentido dentro da estratégia da empresa de usar os aparelhos Pixel como uma espécie de vitrine para novas funções do Android. Ao mesmo tempo, o Google já confirmou que o recurso não ficará limitado à sua própria linha de smartphones.

A novidade será disponibilizada em breve para os Samsung Galaxy Z Fold8 Ultra, Galaxy Z Fold8 e Galaxy Z Flip8. A empresa também pretende ampliar a compatibilidade para outros aparelhos Android até o fim de 2026.

Informações divulgadas sobre a implementação indicam que a expansão será direcionada a mais dispositivos com Android 17 ou versões posteriores. O cronograma exato para cada fabricante e modelo ainda pode variar.

Isso é particularmente importante porque o universo Android é muito mais fragmentado do que o ecossistema da Apple. No iPhone, uma nova função pode ser distribuída para uma linha relativamente pequena de aparelhos. No Android, existem fabricantes, interfaces e configurações diferentes, o que torna a expansão de recursos desse tipo mais complexa.

Ainda assim, o fato de o Google já estar preparando a chegada para outros fabricantes mostra que a empresa quer transformar o Tap to Share em uma característica mais ampla do Android, e não apenas em um diferencial dos Pixel.

Uma pequena mudança que pode fazer diferença no uso diário

O novo recurso não muda radicalmente o que o Quick Share consegue fazer. O sistema já era capaz de enviar arquivos entre aparelhos próximos. O que muda é a quantidade de passos necessários para começar.

Essa diferença pode parecer pequena, mas é justamente esse tipo de detalhe que determina se uma função será usada com frequência ou ficará esquecida dentro das configurações do aparelho.

A própria evolução do Quick Share mostra essa tentativa de simplificação. Em 2024, o Google já descrevia o recurso como uma maneira de compartilhar fotos, links, textos e outros conteúdos com aparelhos próximos em poucos toques.

Em 2025, a empresa também introduziu melhorias na experiência de compartilhamento, incluindo prévia das fotos, alternância mais rápida entre envio e recebimento e indicador de progresso para acompanhar a transferência.

Agora, o próximo passo é diminuir ainda mais a interação necessária.

Para quem usa Android diariamente, a vantagem pode aparecer justamente nos momentos mais simples. Compartilhar uma foto recém tirada, enviar um vídeo pesado, trocar informações de contato ou mandar um link para alguém próximo deixa de exigir uma sequência de menus.

A novidade também acontece em um momento em que o compartilhamento entre diferentes ecossistemas está se tornando mais importante. O Quick Share já possui suporte para determinados dispositivos Apple em aparelhos Android compatíveis, embora essa experiência seja diferente do novo Tap to Share. A documentação atual do Google lista suporte para determinados Pixel e aparelhos de fabricantes como Samsung, Oppo, OnePlus, Vivo, Xiaomi, Honor, Transsion e Motorola.

Na Samsung, por exemplo, o Quick Share também utiliza Bluetooth e Wi-Fi para transferências e oferece alternativas como QR Code e compartilhamento por link. A empresa informa ainda que alguns aparelhos Galaxy já conseguem compartilhar arquivos com dispositivos Apple compatíveis.

Por enquanto, porém, o novo gesto de aproximar os aparelhos está focado no compartilhamento entre dispositivos Android compatíveis.

A mudança pode parecer apenas uma conveniência, mas segue uma tendência importante no mercado de smartphones: esconder a complexidade técnica e transformar tarefas digitais em gestos que qualquer pessoa consegue entender.

Se o Google conseguir levar essa experiência para uma quantidade maior de celulares, o Quick Share poderá deixar de ser apenas uma alternativa ao envio de arquivos por aplicativos de mensagem e se tornar uma das formas mais naturais de compartilhar conteúdo entre aparelhos Android.

Meta descrição em português:
O novo Tap to Share simplifica o Quick Share ao permitir que celulares Android compatíveis iniciem trocas de contatos, fotos, vídeos e outros conteúdos por aproximação.

Meta descripción en español:
La nueva función Tap to Share simplifica Quick Share y permite intercambiar contactos, fotos, videos y otros contenidos al acercar teléfonos Android compatibles.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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