Sergey Brin transforma microcozinha em centro de comando da corrida de IA do Google

Renê Fraga
23 min de leitura

Principais destaques

  • Sergey Brin voltou a atuar de forma intensa e presencial ao lado das equipes que trabalham no Gemini, mesmo sem ocupar atualmente um cargo executivo no Google.
  • Uma pequena área de convivência no campus de Mountain View ganhou status informal de centro de decisões, aproximando Brin de pesquisadores e de Koray Kavukcuoglu, que assumiu o comando operacional do Google DeepMind.
  • O movimento acontece em um momento crítico para o Google, que enfrenta forte concorrência de empresas como OpenAI e Anthropic, além da saída de pesquisadores importantes e de uma profunda mudança na liderança de sua divisão de IA.

Sergey Brin está novamente no coração da operação de inteligência artificial do Google. Quase três décadas depois de ajudar a criar a empresa, o cofundador passou a trabalhar de maneira muito mais próxima das equipes responsáveis pelo Gemini, participando de discussões técnicas e pressionando os pesquisadores para acelerar o desenvolvimento dos modelos.

O cenário escolhido para essa atuação é, no mínimo, incomum para uma das maiores disputas tecnológicas do mundo.

Brin vem trabalhando em uma microcozinha localizada no segundo andar do Gradient Canopy, uma estrutura em formato de tenda situada a leste da sede do Google, em Mountain View, na Califórnia. O espaço, que normalmente teria uma função de convivência para funcionários, ganhou uma nova identidade dentro da empresa e passou a ser conhecido informalmente como a “microcozinha do Sergey”.

Ali, uma formação de mesas funciona como uma espécie de sala de guerra para parte do trabalho relacionado ao Gemini. O CEO do Google, Sundar Pichai, aparece no local várias vezes por semana, enquanto outros nomes importantes da empresa também já foram vistos por ali.

A descrição foi feita pelo Business Insider a partir de entrevistas com oito funcionários atuais e antigos do Google. Segundo a reportagem, o ambiente se tornou um dos pontos mais importantes para decisões relacionadas ao futuro dos modelos de IA da companhia.

A microcozinha que virou uma espécie de startup dentro do Google

A importância daquele espaço não está no tamanho, mas em quem passou a ocupá-lo e nas decisões tomadas ali.

Brin trabalha próximo de Koray Kavukcuoglu, que ganhou novas responsabilidades na recente reorganização do Google DeepMind. A proximidade entre os dois criou uma estrutura paralela, mais enxuta e com capacidade de tomar decisões rapidamente, segundo pessoas familiarizadas com a operação ouvidas pelo Business Insider.

A lógica é diferente daquela de uma grande corporação, na qual uma decisão pode precisar passar por diversas equipes e níveis hierárquicos antes de chegar à execução.

Dentro da microcozinha, a proposta seria justamente reduzir esse caminho.

Um ex-funcionário familiarizado com a estrutura descreveu o espaço como uma espécie de startup dentro do Google, onde Brin e outros líderes conseguem discutir prioridades, recursos e problemas técnicos sem passar por toda a burocracia da companhia.

Isso é particularmente relevante porque o desenvolvimento de grandes modelos de inteligência artificial depende de recursos extremamente disputados. Entre eles estão capacidade computacional, chips especializados, pesquisadores experientes e tempo para treinar e testar novos sistemas.

Segundo o Business Insider, até mesmo o acesso aos chips usados para treinar modelos pode exigir negociações internas entre equipes. Uma das rotas informais para acelerar esse processo seria justamente recorrer à influência de Brin.

Por que isso importa?

Em uma corrida de IA, velocidade não significa apenas treinar um modelo mais rapidamente. Também significa conseguir recursos, mudar prioridades, resolver conflitos internos e colocar pesquisadores para trabalhar em uma direção comum antes que os concorrentes avancem.

A influência de Brin é peculiar porque ele não precisa exercer autoridade por meio de um cargo executivo tradicional.

O cofundador deixou a liderança operacional da Alphabet anos atrás, mas continua sendo uma das figuras mais poderosas da empresa. Ele e Larry Page possuem ações com direitos especiais de voto que lhes conferem influência decisiva sobre questões de governança da Alphabet.

Por isso, sua posição dentro da estrutura de IA do Google é difícil de comparar com a de um executivo convencional.

Um ex-funcionário sênior ouvido pelo Business Insider resumiu essa diferença ao dizer que Kavukcuoglu possui mais poder formal na hierarquia, mas Brin tem algo que poucos outros executivos podem reproduzir: a autoridade simbólica e prática de ser um dos fundadores do Google.

Brin voltou à linha de frente depois do surgimento do ChatGPT

O retorno de Brin ao trabalho mais próximo dos pesquisadores de IA não aconteceu por acaso.

O lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, mudou radicalmente a percepção do mercado sobre a posição do Google na inteligência artificial. A empresa já possuía algumas das pesquisas mais importantes da área, mas passou a enfrentar a necessidade de transformar essa vantagem científica em produtos capazes de competir em velocidade e escala.

Brin voltou a se aproximar das equipes de IA nesse período. Em 2024, ele afirmou publicamente que o avanço da inteligência artificial nos anos anteriores era uma das coisas mais empolgantes que havia visto em sua carreira como cientista da computação.

Desde então, seu envolvimento aumentou.

Segundo relatos reunidos pelo Business Insider, Brin participa de conversas sobre questões como tamanho dos modelos, cronogramas de lançamento e caminhos para alcançar sistemas mais avançados de inteligência artificial. Ele também teria se envolvido em discussões sobre como o Gemini deveria ser integrado aos produtos do Google.

Sua atuação não é apenas estratégica.

Em determinados momentos, Brin teria apresentado ideias relacionadas ao uso de técnicas de aprendizado por reforço para melhorar a capacidade de programação do Gemini. Uma das propostas mencionadas envolvia utilizar software para acompanhar como alguns funcionários programavam, com o objetivo de gerar sinais que pudessem ajudar no treinamento dos sistemas.

Esse tipo de participação ajuda a explicar por que sua presença é vista internamente de maneira diferente da de um fundador que simplesmente acompanha a empresa de longe.

Brin está tentando interferir diretamente no processo técnico.

Uma obsessão por autoaperfeiçoamento

Outro tema que ganhou espaço nas discussões internas é o chamado recursive self-improvement, ou autoaperfeiçoamento recursivo.

A ideia, em termos simples, é desenvolver sistemas capazes de contribuir para a própria evolução, ajudando pesquisadores a encontrar melhorias em modelos futuros. É um conceito diretamente associado às discussões sobre AGI, a inteligência artificial geral capaz de executar uma ampla variedade de tarefas cognitivas em nível comparável ou superior ao humano.

Segundo pessoas familiarizadas com as discussões, Brin vem pressionando os pesquisadores a dedicar mais atenção a essa área. A Reuters também informou que ele incentivou funcionários a acelerar o trabalho e a buscar maneiras de aproximar o Google da fronteira tecnológica.

Para Brin, portanto, a questão parece ir além de lançar uma nova versão do Gemini.

O objetivo é descobrir como acelerar o próprio processo de evolução da IA.

A reorganização do Google DeepMind muda o equilíbrio de poder

A influência de Brin ganhou ainda mais relevância depois da grande reformulação anunciada pelo Google em agosto.

Demis Hassabis, que liderou o Google DeepMind desde a fusão entre o DeepMind e o Google Brain, deixou a função de CEO da organização. Ele passou a atuar como chairman do DeepMind e cientista-chefe da Alphabet, com maior concentração em questões científicas, estratégicas e no futuro da AGI.

Koray Kavukcuoglu assumiu a responsabilidade pelo funcionamento diário da organização como vice-presidente sênior.

A mudança não representa apenas uma troca de nomes. Ela também indica uma alteração na forma como o Google pretende conduzir sua estratégia de IA, aproximando o desenvolvimento dos modelos das necessidades comerciais e dos produtos da companhia.

Kavukcuoglu já vinha ganhando espaço antes da reorganização.

Ele deixou Londres e passou a trabalhar em Mountain View, onde assumiu também o cargo de principal arquiteto de IA da Alphabet. A Reuters informou que ele já tinha se tornado uma figura central nas decisões relacionadas ao Gemini e nas discussões entre o DeepMind e o Google Cloud.

Agora, sua proximidade física com Brin na microcozinha torna a estrutura ainda mais significativa.

O que mudou no DeepMind

Antes da reorganizaçãoNova estrutura
Demis Hassabis comandava o Google DeepMindHassabis passa a concentrar-se em ciência e estratégia
Hassabis tinha papel operacional centralKavukcuoglu assume as operações do dia a dia
DeepMind mantinha forte identidade de laboratório de pesquisaA integração com produtos e negócios ganha mais peso
Parte importante da liderança estava concentrada em LondresO centro de decisões se aproxima ainda mais de Mountain View

A mudança também acontece depois de anos de tensão sobre a melhor maneira de administrar a divisão.

O DeepMind nasceu como um laboratório de pesquisa independente e ganhou reputação mundial por avanços de longo prazo em inteligência artificial. Depois da aquisição pelo Google, em 2014, Hassabis procurou preservar parte dessa autonomia e manter espaço para projetos cuja aplicação comercial não fosse imediata.

A fusão com o Google Brain, anunciada em 2023, mudou esse equilíbrio.

As duas organizações passaram a formar o Google DeepMind justamente quando o avanço do ChatGPT havia transformado a IA em uma prioridade estratégica para toda a companhia. A nova organização precisava conciliar culturas diferentes: de um lado, pesquisa de longo prazo; de outro, a necessidade de colocar modelos competitivos dentro dos produtos do Google.

Esse conflito de prioridades é uma das peças importantes para entender por que a microcozinha de Brin ganhou tanta importância.

Google também está perdendo pesquisadores importantes

A pressão aumentou com a saída de nomes de destaque.

Jeff Dean, uma das figuras mais conhecidas da história técnica do Google, deixou a empresa após 27 anos para participar da criação da startup Discovery Loop. Outros pesquisadores importantes, como Sanjay Ghemawat, Oriol Vinyals e Quoc Le, também deixaram a companhia para integrar o novo empreendimento.

A empresa ainda perdeu outros talentos para concorrentes.

Noam Shazeer, que havia retornado ao Google com sua equipe depois de uma contratação avaliada em bilhões de dólares, deixou a companhia e foi para a OpenAI. John Jumper, vencedor do Nobel de Química ao lado de Hassabis em 2024, também decidiu se juntar à Anthropic.

A saída desses pesquisadores tem um peso que vai além do prestígio individual.

Grandes modelos dependem de equipes capazes de combinar pesquisa, engenharia, infraestrutura e experimentação em uma escala enorme. Quando profissionais que participaram da construção desses sistemas deixam a empresa, parte do conhecimento acumulado também precisa ser reorganizada.

Ao mesmo tempo, os concorrentes continuam avançando.

A Reuters informou que o Google adiou por cerca de dois meses o lançamento de sua próxima versão principal do Gemini depois que testes internos indicaram desempenho inferior ao de rivais em áreas como programação.

O problema, portanto, não é apenas lançar um modelo novo.

É lançar algo que seja claramente competitivo em um mercado no qual os principais laboratórios estão atualizando seus sistemas em ciclos cada vez mais rápidos.

A batalha pelo Gemini 4

É nesse contexto que o próximo grande Gemini ganhou uma importância estratégica enorme dentro do Google.

A empresa chegou a demonstrar avanços significativos em determinados momentos. Segundo a Reuters, o Gemini chegou a ultrapassar concorrentes em avaliações no fim de 2025, mas novos avanços de empresas como Anthropic e OpenAI recolocaram o Google em uma posição de perseguição.

A situação cria uma pressão difícil de administrar.

O Google possui uma das maiores infraestruturas computacionais do mundo, seus próprios chips de IA e uma enorme quantidade de dados, produtos e usuários nos quais pode distribuir seus modelos. Mesmo assim, transformar essa escala em liderança consistente na fronteira dos modelos continua sendo um desafio.

A disponibilidade de computação também se tornou um problema interno.

A Reuters relatou que a disputa por capacidade dos chips TPU, desenvolvidos pelo próprio Google, contribuiu para tensões entre equipes. A nova estrutura sob Kavukcuoglu também é vista como uma tentativa de melhorar essa coordenação.

Isso ajuda a explicar por que a capacidade de Brin de “cortar caminhos” pode ser tão valiosa.

Se uma equipe precisa de mais capacidade computacional, pesquisadores adicionais ou uma mudança rápida de prioridade, uma estrutura informal capaz de tomar decisões rapidamente pode fazer diferença.

O risco é que velocidade e concentração de poder também podem gerar conflitos.

Brin quer que o Gemini funcione como uma startup

A filosofia por trás da microcozinha parece ser justamente essa: criar dentro do Google uma equipe capaz de agir como uma startup, mas com acesso aos recursos de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo.

A diferença é importante.

Uma startup pequena pode decidir rapidamente porque tem poucos níveis hierárquicos. O Google, por outro lado, possui uma estrutura gigantesca, com dezenas de produtos, equipes e interesses diferentes disputando recursos.

Brin parece tentar combinar os dois modelos.

Segundo um ex-funcionário ouvido pelo Business Insider, a ideia seria administrar o Gemini com uma mentalidade de startup. A microcozinha, nesse contexto, não seria apenas um local físico, mas um símbolo de uma forma diferente de trabalhar.

Alguns pesquisadores e engenheiros envolvidos em trabalhos importantes do Gemini passaram a trabalhar próximos dali.

A reportagem cita, entre outros, Sebastian Borgeaud, ligado ao esforço para melhorar as capacidades de programação do Gemini, além de pesquisadores como Emanuel Taropa e Enrique Piqueras. A proximidade fez com que o espaço se tornasse um ponto de atração para profissionais envolvidos em projetos considerados prioritários.

O efeito é semelhante ao de um centro de comando informal.

Quem está ali consegue conversar diretamente com quem toma decisões, acompanhar problemas em tempo real e, potencialmente, conseguir respostas mais rápidas do que em uma estrutura corporativa tradicional.

O preço de acelerar também pode ser alto

A estratégia, porém, não é unanimemente vista como positiva.

Alguns funcionários demonstraram desconforto com a influência direta de Brin e com decisões tomadas fora das estruturas tradicionais. Um episódio citado pelo Business Insider envolve o projeto Frozen, relacionado à tentativa de incorporar uma versão da arquitetura do Gemini diretamente em um chip.

Brin teria decidido cortar o projeto em 2025, uma decisão que teria frustrado Jeff Dean. O projeto posteriormente voltou em uma segunda versão, mas recebeu menos recursos antes da saída de Dean.

Também houve controvérsia em torno da cultura de trabalho.

Em 2025, Brin escreveu em um canal interno do Google DeepMind que considerava cerca de 60 horas semanais o ponto ideal de produtividade. A mensagem incomodou alguns funcionários e gestores, que recomendaram às suas equipes que não adotassem necessariamente aquela orientação.

Esses episódios mostram o outro lado da estratégia.

Um fundador com enorme influência pode acelerar decisões, mas também pode interferir em escolhas que normalmente seriam discutidas dentro das estruturas técnicas da organização.

A questão central para o Google é encontrar o equilíbrio entre velocidade e qualidade de decisão.

O dilema do Google

Mais velocidade

→ decisões técnicas mais rápidas
→ menos burocracia
→ maior concentração de recursos no Gemini
→ reação mais ágil aos concorrentes

Possíveis custos

→ menor autonomia para pesquisadores
→ conflitos com lideranças técnicas
→ pressão maior sobre funcionários
→ risco de priorizar resultados de curto prazo

Esse dilema ganhou importância depois da reorganização de agosto.

Para alguns funcionários, a mudança representa uma tentativa necessária de colocar o Google em modo de competição total. Para outros, existe o receio de que a pressão por resultados comerciais enfraqueça justamente a cultura de pesquisa que ajudou a empresa a construir algumas das bases da inteligência artificial moderna.

De um laboratório de pesquisa para uma corrida de velocidade

A transformação do Google DeepMind ajuda a ilustrar uma mudança maior no setor.

Durante muitos anos, o Google esteve entre os principais centros mundiais de pesquisa em inteligência artificial. Seus pesquisadores participaram de avanços fundamentais que ajudaram a formar a tecnologia por trás dos atuais modelos generativos.

O desafio atual é diferente.

Não basta publicar pesquisas importantes. É necessário transformar rapidamente essas descobertas em modelos capazes de competir em tarefas práticas, chegar aos usuários e sustentar uma estratégia comercial que envolve busca, nuvem, produtividade, programação e inúmeros outros produtos.

O próprio Google vem ampliando o uso comercial do Gemini. Em agosto, por exemplo, a empresa anunciou uma expansão do Gemini Enterprise para o setor jurídico, incluindo ferramentas destinadas a escritórios de advocacia e profissionais da área.

Isso mostra que a disputa não acontece apenas nos testes de modelos.

Cada avanço precisa encontrar um caminho para chegar aos produtos.

É justamente nesse ponto que a nova configuração do DeepMind pode fazer diferença. A aproximação entre pesquisadores, infraestrutura, Google Cloud e equipes de produto pretende reduzir a distância entre o laboratório e o mercado.

Uma pequena sala para uma disputa gigantesca

Sergey Brin não voltou ao Google para simplesmente observar a transformação causada pela inteligência artificial.

Ele parece ter escolhido um papel muito mais próximo da operação, usando sua autoridade informal para pressionar equipes, questionar decisões e tentar acelerar uma organização que considera grande demais para competir com a velocidade das novas empresas de IA.

A microcozinha é a representação mais curiosa desse movimento.

Em vez de uma grande sala de reuniões ou de um escritório executivo, um espaço com café, máquinas de espresso, geladeira e mesas agrupadas se transformou em um dos pontos mais importantes da estratégia de IA do Google.

Sundar Pichai aparece ali com frequência. Kavukcuoglu trabalha ao lado de Brin. Pesquisadores importantes circulam pelo espaço, enquanto decisões relacionadas ao Gemini são discutidas cada vez mais perto desse núcleo.

A cena também resume o momento vivido pela empresa.

O Google tem dinheiro, infraestrutura, chips próprios, bilhões de usuários e alguns dos maiores pesquisadores de IA do mundo. Mas a liderança na fronteira da tecnologia não é garantida por nenhum desses fatores isoladamente.

A empresa precisa transformar esses ativos em velocidade.

Brin parece acreditar que uma das maneiras de fazer isso é voltar às origens: uma equipe pequena, altamente concentrada, com acesso direto aos recursos necessários e liberdade para tomar decisões rapidamente.

A diferença é que, desta vez, o “garagem” da história do Google foi substituído por uma microcozinha dentro de um campus gigantesco.

E o produto em disputa não é um mecanismo de busca.

É a próxima geração da inteligência artificial.

O sucesso dessa estratégia ainda está em aberto. O Google continua enfrentando concorrentes agressivos, perdeu pesquisadores importantes e precisa provar que suas mudanças organizacionais conseguem produzir modelos capazes de recuperar ou ampliar sua posição na fronteira da IA.

Por enquanto, porém, a mensagem de Brin parece clara: para disputar a próxima fase da inteligência artificial, o Google não quer apenas investir mais.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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