Google revela os bastidores dos novos emojis 3D do Android

Renê Fraga
7 min de leitura

Principais destaques

  • Emojis ganharam volume e personalidade: o Noto 3D transforma os símbolos em personagens tridimensionais sem abrir mão da clareza visual.
  • Até o lado “NSFW” entrou na discussão: ao estudar o que existe atrás de um emoji, a equipe descobriu problemas curiosos nos desenhos 2D, como um poodle que aparentemente tinha só três patas.
  • A novidade vai além dos Pixels: o Noto 3D começou a chegar a apps do Google, ao Android e a aparelhos de várias fabricantes parceiras.

A ideia parece simples: pegar um emoji conhecido, dar profundidade, iluminação e volume e pronto.

Só que, segundo o próprio Google, transformar um desenho de poucas dezenas de pixels em um objeto 3D exigiu muito mais do que apertar o botão de “extrudar”.

A empresa publicou um mergulho detalhado no processo de criação do Noto 3D, justamente enquanto o novo estilo começa a se espalhar para além dos aparelhos Pixel.

Não era para fazer um emoji mais realista 🎨

O ponto de partida do projeto não foi o realismo.

O Google diz que o processo envolveu “desenhar, esculpir e debater cada personagem à mão”, com uma preocupação específica: adicionar dimensão sem tirar a personalidade dos emojis.

🧠 A prioridade era outra: “clareza emocional”.

Em vez de transformar cada emoji em uma espécie de miniatura escaneada do mundo real, a equipe buscou preservar aquilo que faz o símbolo ser reconhecido rapidamente.

💡 “Usar 3D para dar um corpo ao personagem, mas ilustração para dar uma alma.”

Essa diferença é importante. Um emoji precisa ser entendido quase instantaneamente. Não existe muito espaço para o usuário ficar examinando detalhes.

Menos detalhes podem dizer mais 👀

As pesquisas citadas pelo Google ajudaram a definir essa filosofia.

Segundo a equipe, detalhes anatômicos muito específicos, como íris ou profundidade das narinas, podem tornar mais lenta a identificação de emoções. A solução foi reduzir a geometria facial e eliminar elementos considerados desnecessários.

O mesmo vale para acessórios e texturas.

Em um tamanho de apenas 18 × 18 pixels, elementos de fundo podem virar simplesmente “ruído visual”. Por isso, o time estabeleceu uma regra bastante objetiva: cada emoji poderia ter no máximo três detalhes essenciais para comunicar o que ele representa.

É quase a versão digital de arrumar uma mala pequena: se não couber, provavelmente não é essencial.

E o que existe atrás de um emoji? 😅

Foi aí que o 3D trouxe uma pergunta que parece óbvia, mas que raramente precisa ser respondida no mundo dos emojis planos: o que existe na parte de trás de um rosto sorridente?

A pergunta rendeu uma situação curiosa durante o desenvolvimento. Ao transformar os desenhos em modelos tridimensionais, a equipe percebeu que alguns emojis simplesmente não tinham sido pensados para serem vistos de todos os lados.

O exemplo citado pelo Google é o do poodle.

Na versão plana, o animal podia funcionar visualmente mesmo com uma representação incompleta. Quando passou para 3D, porém, ficou evidente que ele tinha apenas três pernas.

🧐 Em 2D, ninguém precisava olhar atrás. Em 3D, de repente, alguém precisava decidir o que estava lá.

Os animais também ganharam corpo 🐕🦝

A pesquisa trouxe outra mudança importante.

O Google afirma que as pessoas demonstram mais empatia por silhuetas completas, especialmente quando o emoji representa animais reais. Isso levou a equipe a abandonar, em alguns casos, a ideia de mostrar apenas cabeças flutuantes.

A postura passou a fazer parte da comunicação.

Patas, posição do corpo e maneira de ficar em pé ajudam a transmitir intenção e personalidade.

O guaxinim é um dos exemplos mencionados pela empresa. O animal recebeu uma representação mais completa para abraçar seu lado travesso, algo que agora também pode ser explorado no formato tridimensional.

O 3D começou nos Pixels, mas não vai ficar lá 📱

A expansão acontece depois do lançamento da linha Pixel 11.

O Google afirma que o Noto 3D está chegando a aplicativos do Google, Android e aparelhos selecionados de fabricantes parceiras.

Entre as marcas citadas estão:

• Nothing
• Lenovo
• Xiaomi
• OPPO
• OnePlus
• realme
• vivo
• iQOO
• HONOR
• TECNO
• Infinix
• itel
• Motorola

Isso transforma a mudança em algo maior do que uma simples atualização visual dos emojis de um aparelho específico.

A proposta é que o novo conjunto passe a aparecer em diferentes partes do ecossistema Android, dependendo do dispositivo e da implementação.

Então é um novo padrão de emoji? 🔎

Ainda é preciso separar duas coisas.

O Google está expandindo o Noto 3D, mas a própria empresa descreve a distribuição como um processo que alcança Google apps, Android e dispositivos selecionados de parceiros. Portanto, a presença do novo visual pode variar conforme plataforma e fabricante.

O projeto também não abandona a lógica que tornou os emojis reconhecíveis.

Na verdade, a aposta é justamente o contrário: usar o 3D sem deixar que o 3D roube a cena.

Esse talvez seja o detalhe mais interessante de todo o projeto. A tecnologia permite acrescentar profundidade, sombras, volumes e perspectivas, mas o design precisa continuar funcionando quando reduzido a um símbolo pequeno na tela.

A coleção inteira está disponível 👇

Para quem quiser observar o resultado de perto, o Google também disponibilizou a coleção completa do Noto Emoji em uma página dedicada.

Coleção Noto Emoji do Google

No fim, a transformação de um emoji plano em 3D revelou uma espécie de problema de bastidor que quase nunca aparece para quem simplesmente toca na tela.

Um desenho que parecia completo de frente pode esconder uma pata inexistente, uma parte do corpo que nunca foi planejada ou detalhes que simplesmente não ajudam ninguém.

Agora o Google precisa fazer esse pequeno universo funcionar de todos os ângulos. E, pelo jeito, até descobrir o que existe atrás de um sorriso pode dar bastante trabalho.

Apoie o Eurisko
Este conteúdo é independente, sem anúncios e feito por pessoas.
A inteligência artificial e as mudanças recentes do Google reduziram significativamente o alcance dos sites independentes. Se este conteúdo foi útil para você, considere apoiar o Eurisko e todo o ecossistema de projetos com qualquer valor.
Quero apoiar
Seguir
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
Nenhum comentário