Google deixa agentes Gemini mais fáceis de construir

Renê Fraga
9 min de leitura

Principais destaques

  • Menos tokens nas alterações: o novo harness usa 40% menos tokens de saída em mudanças de arquivos, segundo benchmarks internos do Google.
  • Arquivos e credenciais ganham APIs próprias: desenvolvedores podem manipular arquivos em um sandbox e conectar serviços como GitHub e Slack sem entregar os tokens ao modelo.
  • A versão antiga tem data para sair: o antigravity-preview-05-2026 será descontinuado em 5 de outubro de 2026, com redirecionamento automático para a nova versão.

O Google atualizou o ambiente que dá autonomia aos seus agentes de IA Gemini. A nova versão, chamada antigravity-preview-09-2026, chega com duas APIs novas e promete reduzir o esforço necessário para criar agentes capazes de executar tarefas complexas sozinhos.

A atualização roda nativamente no Gemini 3.8 Flash e mira um problema cada vez mais importante no desenvolvimento com IA: não basta o modelo raciocinar bem. Ele também precisa conseguir lidar com arquivos, ferramentas e serviços externos sem transformar credenciais sensíveis em mais um risco.

O que mudou por baixo do capô? 🔎

O antigravity-preview-09-2026 é uma atualização do harness usado pelos agentes gerenciados do Gemini. Na prática, ele funciona como a infraestrutura que permite ao agente não apenas responder a uma solicitação, mas executar uma sequência de ações até tentar concluí-la.

Isso inclui trabalhar em uma sandbox Linux segura, executar código, navegar na web e editar arquivos por meio de uma única chamada de API.

A proposta aproxima esse ambiente das ferramentas e do comportamento observados no Antigravity, o agente de codificação autônomo do Google.

⚙️ O ganho não está apenas no modelo: o Google está mexendo também na camada que conecta o modelo às ferramentas necessárias para realizar uma tarefa.

Menos tokens, mais tarefas concluídas

Segundo benchmarks internos do Google, a nova versão apresenta ganhos em diferentes cenários de uso.

Em alterações de arquivos, o consumo de tokens de saída caiu 40%. Já em tarefas de engenharia de software e pesquisas com múltiplas interações, a taxa de conclusão aumentou em até 6%.

Há ainda outro indicador: as taxas de acerto de cache cresceram em até 16% em conversas longas e tarefas de pesquisa.

MétricaResultado informado
Tokens de saída em alterações de arquivos40% menos
Taxa de conclusão de tarefasAté 6% maior
Acerto de cache em conversas longas e pesquisasAté 16% maior

Os números são do próprio Google e, portanto, representam benchmarks internos da empresa, não uma comparação independente entre diferentes sistemas.

A primeira novidade: arquivos 📁

Uma das novas APIs é dedicada aos arquivos.

A API de Arquivos permite fazer upload de dados para um sandbox ativo, listar arquivos criados durante uma sessão e baixar arquivos ou diretórios individualmente.

Isso é especialmente útil em fluxos nos quais o agente precisa trabalhar diretamente sobre um conjunto de materiais. Em vez de tratar arquivos como simples anexos de uma conversa, o ambiente passa a oferecer operações próprias para administrá-los durante a execução da tarefa.

Pense em um agente analisando vários arquivos, executando código, produzindo novos resultados e depois disponibilizando esses arquivos para o usuário. É esse tipo de fluxo que a API procura facilitar.

E a segunda API cuida do problema mais delicado 🔐

A API de Credenciais trata de conexões com serviços externos.

O Google cita integrações como GitHub e Slack, mas o ponto central não é apenas conectar o agente a essas plataformas. É fazer isso sem expor os tokens ao próprio modelo.

As credenciais ficam armazenadas de forma criptografada e são injetadas somente no proxy de saída, e apenas para destinos aprovados.

💡 A ideia é separar o que o agente precisa usar daquilo que ele precisa conhecer: o modelo pode acionar uma conexão autorizada sem receber diretamente o segredo usado para autenticá-la.

Esse desenho reduz a necessidade de colocar tokens sensíveis no contexto do modelo, algo particularmente relevante quando agentes passam a operar com mais autonomia e acesso a ferramentas externas.

Um modelo com espaço para tarefas enormes 🧠

Por trás do novo harness está o Gemini 3.8 Flash.

O modelo oferece uma janela de contexto de até 1 milhão de tokens e pode gerar até 64.000 tokens de saída. Também aceita texto, imagens, áudio e vídeo como entrada.

Para agentes de software, a janela de contexto tem uma função prática.

Uma tarefa de engenharia pode envolver código distribuído em vários arquivos, testes, logs e configurações. Quanto mais dessas informações o agente consegue manter dentro de uma mesma tarefa, menor é a necessidade de fragmentar o trabalho em etapas isoladas.

🧩 Código, testes e logs no mesmo contexto: essa capacidade é particularmente relevante quando o agente precisa investigar um problema, modificar arquivos, executar testes e continuar raciocinando a partir dos resultados.

Parece uma evolução do próprio conceito de agente

O movimento também mostra onde o Google está concentrando parte do esforço no desenvolvimento de agentes.

Um modelo de linguagem sozinho responde a comandos. Um agente precisa fazer mais: acessar informações, executar ações, manipular arquivos e conversar com serviços externos.

Por isso, a infraestrutura ao redor do modelo passa a ser tão importante quanto a capacidade de geração de texto.

O novo harness reúne justamente essas peças em um ambiente controlado. O objetivo é fazer com que o agente consiga passar do “aqui está o código” para “eu executei, encontrei o problema, alterei os arquivos e avancei na tarefa”.

E quem já usa a versão anterior? ⏳

A atualização já está disponível no Google AI Studio e na API de Interações.

O Google também informou que os preços permanecem sem alteração em relação à versão anterior.

Mas existe um prazo importante para quem ainda utiliza o harness antigo.

A versão antigravity-preview-05-2026 será descontinuada em 5 de outubro de 2026. Depois dessa data, as solicitações serão redirecionadas para o harness atualizado.

Isso significa que a mudança não fica apenas no campo das novidades opcionais. Para quem depende da versão anterior, o calendário já está definido.

Agora falta descobrir o que os agentes farão com tudo isso 🚀

A combinação é significativa: um modelo com contexto de até 1 milhão de tokens, um ambiente Linux para execução, ferramentas para manipular arquivos e uma camada específica para administrar credenciais.

O Google está, na prática, tentando tirar parte do atrito que aparece quando um agente deixa de ser apenas um chatbot e começa a operar dentro de um fluxo de trabalho real.

É como trocar uma calculadora por alguém que também tem acesso à oficina. O desafio seguinte passa a ser garantir que essa pessoa tenha as ferramentas certas, mas não as chaves de tudo.

E é justamente aí que as novas APIs entram na história. Com a antiga versão marcada para desaparecer em outubro, os próximos meses devem mostrar quanto dessa infraestrutura será incorporada aos fluxos reais de desenvolvimento com Gemini.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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