Principais destaques
- Feeds sob medida: usuários poderão descrever em linguagem natural o tipo de vídeo que querem receber nas recomendações.
- Gemini entra em cena: a IA do Google vai interpretar pedidos detalhados, incluindo temas, formatos, prioridades e conteúdos a evitar.
- Uma nova disputa pelo algoritmo: YouTube se junta a Bluesky, Threads, Instagram, X e Spotify na tentativa de dar mais controle sobre os feeds.
O YouTube está mexendo justamente na parte mais importante da experiência de quem abre o aplicativo: o que aparece na tela sem que você precise procurar.
A plataforma anunciou os chamados custom feeds, feeds personalizados que poderão ser criados a partir de uma descrição escrita pelo próprio usuário. A ideia é simples: em vez de apenas aceitar o algoritmo tradicional, você poderá dizer à plataforma o que gostaria de assistir.
E não precisa ser uma instrução curta.
Você poderá explicar o contexto, definir preferências, indicar o que deve ser priorizado e até dizer o que não quer encontrar.
É quase como conversar com o algoritmo 🤖
Imagine que você esteja indo para o trabalho e tenha exatamente 30 minutos disponíveis.
Em vez de procurar vídeos individualmente, poderá pedir ao YouTube algo como um feed de podcasts em vídeo para assistir durante o trajeto.
Ou então criar uma seleção de vídeos com comentários tranquilos para relaxar depois de um dia de trabalho.
A diferença está no nível de descrição que a plataforma pretende aceitar.
🧠 O algoritmo ganha uma camada de conversa: os pedidos serão interpretados pelo Gemini, modelo de inteligência artificial do Google responsável por transformar a descrição do usuário em uma nova lógica de recomendação.
“Você diz o que quer assistir. A IA tenta transformar isso em um feed inteiro.”
O sistema poderá considerar não apenas o assunto, mas também o formato, o objetivo daquele feed e as características desejadas para os vídeos.
E o feed principal, vai desaparecer?
Não.
O YouTube afirma que os feeds personalizados não substituirão a página inicial tradicional.
A recomendação convencional continuará existindo, enquanto os novos feeds funcionarão como espaços separados, criados para finalidades específicas.
A diferença é que esses novos espaços poderão ficar fixados no topo da página inicial, em suas próprias abas.
Isso transforma a experiência em algo mais parecido com uma coleção de “modos” de consumo.
Um feed para aprender. Outro para relaxar. Outro para uma viagem. Outro para acompanhar determinado assunto.
YouTube tem 20 bilhões de vídeos para escolher 😮
A aposta faz sentido diante do tamanho do catálogo da plataforma.
Emily Moxley, vice-presidente de gerenciamento de produto da área de Viewer AI do YouTube, afirmou em conversa com jornalistas antes do evento Made On YouTube que a plataforma possui mais de 20 bilhões de vídeos.
🔎 O problema mudou: quando existe conteúdo demais, encontrar exatamente aquilo que interessa pode ser tão difícil quanto encontrar uma agulha em um palheiro.
Segundo Moxley, o usuário está sempre a uma busca de distância de uma enorme quantidade de assuntos.
Os feeds personalizados tentam atacar justamente essa dificuldade, usando IA para transformar uma intenção mais complexa em uma seleção de conteúdo.
A ideia não nasceu no YouTube
O movimento também mostra como as grandes plataformas estão repensando uma das peças mais importantes das redes sociais: quem controla o algoritmo que decide o que você vê?
O Bluesky ajudou a popularizar a ideia de feeds personalizados anos atrás, permitindo que usuários escolhessem diferentes experiências de recomendação.
Mais recentemente, a plataforma lançou o Attie, uma ferramenta baseada em IA para facilitar a criação desses feeds.
Outras empresas seguiram caminhos semelhantes:
• Threads: passou a oferecer feeds personalizados públicos.
• Instagram: criou experiências de recomendação compartilhadas, como o Blend para Reels.
• X: vem trabalhando em feeds personalizados baseados em IA.
• Spotify: também começou a oferecer ferramentas para que usuários tenham maior controle sobre suas recomendações.
Agora o YouTube entra nessa mesma corrida.
A diferença é a escala 🎯
Há uma particularidade importante no caso do YouTube.
Enquanto algumas redes estão essencialmente tentando organizar posts de pessoas, o YouTube trabalha com um catálogo gigantesco de vídeos produzidos para finalidades completamente diferentes.
Um pedido aparentemente simples pode envolver duração, assunto, formato, estilo, idioma, nível de conhecimento e até momento de consumo.
💡 É aí que a IA pode fazer diferença: em vez de o usuário precisar entender como o sistema de recomendação funciona, basta explicar o resultado que deseja.
É uma mudança de lógica.
Antes, você precisava aprender a navegar pelo algoritmo.
Agora, a proposta é fazer o algoritmo interpretar você.
E isso pode mudar a relação com as recomendações
Durante anos, as plataformas sociais ensinaram usuários a aceitar a lógica de seus feeds personalizados.
Você assiste a determinado conteúdo, interage com outro e, pouco a pouco, o sistema tenta descobrir seus interesses.
Os custom feeds introduzem uma camada diferente: a intenção explícita do usuário.
Você não precisa esperar que o sistema descubra que está interessado em determinado assunto.
Pode simplesmente pedir.
Isso não significa que o algoritmo tradicional desapareça. O feed principal continuará funcionando normalmente. Mas o usuário ganhará novas portas de entrada para o catálogo.
Quando começa?
O YouTube informou que a possibilidade de criar múltiplos feeds personalizados começará a ser disponibilizada no próximo mês, tanto na versão web quanto nos aplicativos móveis.
A expansão será gradual.
Por enquanto, a promessa é menos “crie seu próprio algoritmo” no sentido literal e mais “diga ao YouTube como você quer que uma parte dele funcione”.
E talvez essa diferença seja justamente o detalhe mais interessante.
Porque, se funcionar como o Google está propondo, a próxima geração de algoritmos pode não ser aquela que simplesmente aprende seus hábitos.
Pode ser aquela que você descreve em uma caixa de texto.