Google transforma o Gemini em um hub de aplicativos com 14 novas integrações

Renê Fraga
8 min de leitura

Principais destaques

  • 14 novos aplicativos: Gemini passa a integrar Airtable, Linear, Adobe, Picsart, Peloton, SeatGeek e outros serviços diretamente nas conversas.
  • 27 parceiros em 42 dias: Google acelerou a expansão dos Connected Apps depois de lançar as primeiras integrações em maio.
  • Modelo ainda fechado: enquanto concorrentes apostam em padrões mais amplos como MCP, o Google continua adicionando serviços individualmente, com disponibilidade variável por país e conta.

O Gemini está deixando de ser apenas uma janela para conversar com uma IA e começando a funcionar mais como uma central de aplicativos.

O Google anunciou mais 14 serviços de terceiros que podem ser conectados ao assistente. A ideia é permitir que o usuário execute tarefas dentro da própria conversa, sem precisar ficar pulando entre abas e aplicativos.

A nova leva cobre produtividade, criatividade e estilo de vida.

A lista ficou bem maior 📱

Os novos parceiros foram divididos em três grandes grupos:

CategoriaNovos aplicativos
ProdutividadeAirtable, Linear, monday.com, PandaDoc, Wispr AI e Zoho
CriatividadeAdobe, Picsart, Squarespace e Webflow
Estilo de vidaapartments.com, Experian, Peloton e SeatGeek

⚙️ Na prática: o usuário pode conectar esses serviços pelas configurações do Gemini, mencionar um aplicativo usando @ dentro da conversa ou simplesmente pedir ao assistente para utilizá-lo.

Isso muda um pouco a natureza do chatbot.

Em vez de apenas responder a uma pergunta sobre um projeto, por exemplo, o Gemini pode começar a atuar como uma interface para ferramentas que já fazem parte daquele trabalho.

Google está acelerando

A velocidade da expansão chama atenção.

O novo anúncio adiciona 14 serviços depois de uma primeira rodada de 13 integrações apresentada em 12 de agosto. Isso significa que o Google chegou a 27 parceiros nomeados em apenas 42 dias.

E a história começou alguns meses antes.

No Google I/O de maio, o Gemini Spark foi apresentado com integrações envolvendo serviços como Canva, OpenTable e Instacart.

Agora, a estratégia começa a ganhar escala.

🔗 O movimento é claro: o Google está tentando transformar o Gemini em uma camada de acesso aos serviços que as pessoas já utilizam, em vez de depender exclusivamente das funções construídas pela própria empresa.

Adobe contra Canva. Webflow contra Wix.

Há também uma curiosidade na composição da nova lista.

Algumas das novas integrações entram diretamente em categorias que já tinham concorrentes conectados ao Gemini.

• Adobe e Picsart chegam ao lado do Canva no segmento criativo.

• Squarespace e Webflow entram onde o Wix já estava presente.

• SeatGeek passa a dividir espaço com o Ticketmaster em ingressos e eventos.

• apartments.com aparece ao lado do Zillow Rentals na busca por imóveis.

Isso cria um cenário interessante: em vez de escolher um único parceiro para cada tarefa, o Gemini começa a oferecer uma espécie de menu de serviços concorrentes.

💡 O Gemini começa a parecer menos um aplicativo isolado e mais uma porta de entrada para outros aplicativos.

E o usuário faz tudo pelo chat?

Essa é justamente a promessa.

Imagine que alguém esteja trabalhando em um projeto e precise organizar dados, criar uma apresentação visual, revisar um documento e depois encontrar ingressos para um evento.

Em vez de abrir uma sequência de sites, a proposta é fazer parte dessas operações conversando com o Gemini.

É uma mudança importante de interface: o aplicativo deixa de ser necessariamente o destino final e passa a ser um serviço acionado pela IA.

Mas existe uma diferença importante 👀

A expansão do Google também expõe uma diferença de estratégia em relação a outros assistentes de IA.

O Gemini está adicionando integrações de maneira bastante específica, aplicativo por aplicativo.

Já concorrentes como Claude e ChatGPT vêm apostando em padrões de integração mais amplos, incluindo suporte ao Model Context Protocol (MCP), que permite conectar modelos de IA a uma variedade muito maior de ferramentas por meio de uma arquitetura comum.

Isso não significa necessariamente que uma abordagem seja superior à outra. São estratégias diferentes para resolver o mesmo problema: fazer a IA deixar de ser apenas uma interface de texto e passar a executar tarefas em serviços externos.

A disponibilidade continua sendo uma incógnita 🌎

Existe, porém, uma questão prática.

O anúncio do Google não especificou de forma detalhada quais países, idiomas, tipos de conta ou planos terão acesso às novas integrações.

Os Connected Apps anteriores tiveram disponibilidade concentrada em determinados mercados, especialmente para usuários nos Estados Unidos com contas pessoais e idioma inglês. Em alguns casos, a disponibilidade europeia também foi limitada.

Para quem está fora desses mercados, portanto, o anúncio não significa necessariamente acesso imediato.

Experian levanta outra questão

Entre as novas integrações, a Experian merece atenção especial porque envolve dados financeiros extremamente sensíveis.

A empresa já oferece, no Reino Unido, acesso autenticado à pontuação de crédito dentro do ChatGPT por meio de um widget que mantém essas informações separadas do modelo de IA.

O Google, porém, não detalhou no anúncio quais mecanismos de proteção e isolamento serão utilizados na integração da Experian com o Gemini.

🔐 E aqui está o ponto delicado: conectar uma IA a um editor de imagens é uma coisa. Dar a ela acesso a informações financeiras pessoais exige outro nível de transparência sobre autenticação, permissões, armazenamento e tratamento dos dados.

O Gemini está virando uma plataforma?

A resposta ainda depende de quanto essa estratégia vai crescer.

Por enquanto, o movimento já é mensurável: 27 parceiros nomeados em pouco mais de um mês, depois de uma primeira fase iniciada no Google I/O.

A próxima etapa será observar se o Google continuará aumentando a quantidade de integrações individuais ou se adotará uma abordagem mais aberta para permitir que desenvolvedores conectem seus próprios serviços ao Gemini.

Porque, se a primeira fase era fazer o Gemini conversar com aplicativos, a próxima pode ser fazer qualquer aplicativo conversar com o Gemini.

E aí a disputa deixa de ser apenas sobre qual chatbot responde melhor. Passa a envolver quem consegue se tornar a interface através da qual as pessoas fazem as coisas no computador e no celular.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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