Mais de 150 mil pessoas de 96 países já assinaram pela volta do Orkut

Renê Fraga
6 min de leitura

Principais destaques

  • 150 mil apoiadores: a campanha do Orkut já ultrapassou essa marca poucas horas depois de ser lançada.
  • Brasil domina: brasileiros representam 69,6% das assinaturas, mostrando a força da memória deixada pela antiga rede social.
  • Apoio internacional: pessoas de 96 países já aderiram à proposta de uma nova rede social baseada em comunidades e conexões reais.

A volta do Orkut já ganhou uma primeira dimensão concreta. Mais de 150 mil pessoas de 96 países assinaram a petição lançada por Orkut Büyükkökten para apoiar a criação de uma nova rede social.

O número chama atenção principalmente pela velocidade com que a campanha começou a ganhar adesões e pela concentração das assinaturas no Brasil, país que transformou o Orkut em um dos maiores fenômenos da internet dos anos 2000.

Brasil responde por quase 70% das assinaturas 🇧🇷

Os brasileiros representam 69,6% de todas as assinaturas registradas até agora. Considerando a marca de 150 mil apoiadores, isso significa algo próximo de 104 mil assinaturas vindas do Brasil.

Não é exatamente uma surpresa para quem acompanhou a história da plataforma. O Orkut chegou ao Brasil em 2004 e rapidamente se tornou parte da cultura digital do país, especialmente por causa das comunidades, dos scraps e das relações construídas dentro da rede.

🌎 Mas a campanha não ficou por aqui: outros 95 países já aparecem entre os locais de origem dos apoiadores.

Portugal aparece em segundo lugar, com 12,5% das assinaturas, seguido por Irlanda, com 3,2%, e Paraguai, com 1,7%.

PaísParticipação
🇧🇷 Brasil69,6%
🇵🇹 Portugal12,5%
🇮🇪 Irlanda3,2%
🇵🇾 Paraguai1,7%
🇧🇿 Belize1,4%
🇺🇾 Uruguai1,2%
🇪🇪 Estônia1,1%
🇨🇭 Suíça0,7%
🇱🇺 Luxemburgo0,6%
🇪🇸 Espanha0,5%

Os dez países acima, somados ao Brasil, concentram a maior parte das assinaturas divulgadas na página, enquanto os demais países completam a distribuição internacional da campanha.

Portugal aparece forte na segunda posição 🇵🇹

O desempenho de Portugal merece atenção. Com 12,5% das assinaturas, o país representa uma parcela considerável do apoio internacional à proposta.

A diferença para o Brasil, porém, continua enorme. A participação brasileira é mais de cinco vezes maior que a portuguesa, reforçando como a história do Orkut ainda está particularmente ligada ao público brasileiro.

A presença de países como Paraguai, Uruguai e Espanha também mostra que a lembrança da antiga rede social não desapareceu completamente fora do Brasil.

Mas ainda não existe um novo Orkut

É importante separar duas coisas.

A campanha já tem números expressivos, mas a nova rede social ainda não foi lançada. O site apresentado por Büyükkökten funciona, neste momento, como uma espécie de manifesto e campanha de apoio para medir o interesse na criação do novo projeto.

Quem assina informa seus dados e recebe um código individual de apoiador, além de um cartão compartilhável. O próprio site deixa claro que a assinatura não garante uma conta, um nome de usuário ou uma posição em uma eventual fila de lançamento.

O Orkut voltou primeiro como uma ideia que está sendo medida pelo interesse das pessoas. O próximo passo é transformar esse apoio em produto.

A proposta vai além da nostalgia

A campanha também tenta deixar claro que a intenção não é simplesmente recriar o Orkut de 2004.

Büyükkökten fala em uma internet mais humana, com pessoas autênticas, conexões reais e comunidades, em contraste com redes sociais cada vez mais orientadas por algoritmos, métricas de engajamento e conteúdo sintético produzido por inteligência artificial.

O próprio site apresenta três ideias centrais para essa futura experiência: conhecer novos amigos, reencontrar amigos e ser amigos melhores.

🤖 E a inteligência artificial entra justamente nesse debate: para o criador do Orkut, a tecnologia pode ajudar as pessoas a formar e aprofundar amizades, mas não deveria substituir as relações humanas.

Por enquanto, ainda faltam respostas para algumas das perguntas mais importantes: como será a nova plataforma, quando ela será lançada, como funcionará a moderação e de que maneira o projeto pretende evitar os mesmos mecanismos de captura de atenção que Büyükkökten critica nas redes atuais.

O Brasil ainda quer o Orkut?

Pelos primeiros números, a resposta parece ser um sonoro sim.

Mais de 100 mil brasileiros já deixaram seus nomes na campanha, em um movimento que mistura nostalgia com a expectativa de uma experiência diferente daquela oferecida pelas grandes redes sociais atuais.

A grande questão agora é o que acontecerá quando a nostalgia deixar de ser suficiente e chegar a hora de construir a plataforma prometida.

150 mil pessoas já assinaram. Agora, Orkut precisa descobrir quantas delas estarão dispostas a voltar não apenas para lembrar do passado, mas para construir uma nova comunidade.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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