Exclusivo: Orkut já tem 300 mil apoiadores e uma empresa por trás do projeto

Renê Fraga
9 min de leitura

Principais destaques

  • 300 mil assinaturas: a campanha pela criação de uma nova rede social do Orkut já reúne apoiadores de 135 países.
  • Uma empresa em operação: a Orkut, Inc. apresenta Orkut Büyükkökten como CEO e John R. Murphy como CTO e cofundador, segundo os perfis profissionais consultados pelo GD.
  • Experiência em tecnologia: Murphy passou mais de 11 anos no Google e foi cofundador da Hello Network, empresa que desenvolveu outra rede social com Büyükkökten.

O retorno do Orkut deixou de ser apenas uma possibilidade alimentada pela nostalgia e ganhou novos elementos para investigação. A campanha lançada por Orkut Büyükkökten já ultrapassou 300 mil assinaturas de pessoas em 135 países, mas o número de apoiadores não responde à principal pergunta: existe uma estrutura capaz de transformar a proposta em uma nova rede social?

O GD investigou os perfis profissionais associados ao projeto e encontrou um dado relevante: a Orkut, Inc. apresenta uma estrutura executiva com CEO e CTO desde janeiro de 2026, de acordo com as informações profissionais fornecidas. O próprio Büyükkökten aparece como CEO, enquanto John R. Murphy ocupa o cargo de CTO e cofundador.

A descoberta não confirma que o lançamento esteja próximo, mas ajuda a entender que o projeto apresentado no site oficial tem uma dimensão empresarial que vai além de uma campanha para reunir assinaturas.

Orkut, Inc. já tem liderança executiva

A página profissional da Orkut, Inc. no LinkedIn identifica a empresa como uma organização ligada ao projeto atual. Entre os cargos informados estão os de CEO, atribuído a Orkut Büyükkökten, e CTO e cofundador, ocupado por John R. Murphy.

A referência a janeiro de 2026 como início dessas funções é especialmente relevante porque antecede a campanha pública pela volta da rede social, apresentada em outubro. Isso indica que a estrutura executiva já era associada ao projeto antes de a proposta ganhar visibilidade com a petição.

É necessário, porém, fazer uma distinção: a existência de cargos executivos e de uma empresa identificada publicamente não comprova, por si só, que uma nova plataforma esteja pronta para operar. Até o momento, o site oficial apresenta uma visão de produto e uma campanha de apoio, sem anunciar uma data de lançamento.

Quem é John R. Murphy, o CTO do projeto? 🧑‍💻

Murphy não é um nome sem experiência no setor. Seu histórico profissional reúne passagens pelo Google, participação na criação de uma rede social e formação acadêmica em computação e robótica.

Sua trajetória inclui três etapas importantes:

Google, de 2002 a 2014

Murphy trabalhou por mais de 11 anos no Google, ocupando funções de engenheiro de software e gerente. Segundo seu perfil profissional, atuou em áreas como engenharia corporativa, educação para engenheiros, software social e comitês de contratação.

O período coincide com uma fase importante de expansão dos serviços digitais do Google, quando a empresa desenvolveu produtos e iniciativas em diferentes áreas, incluindo redes sociais.

Hello Network, de 2014 a 2022

Depois de deixar o Google, Murphy foi cofundador e CTO da Hello Network, empresa ligada à rede social Hello, criada por ele e Büyükkökten.

A Hello foi apresentada como uma alternativa social centrada em interesses e paixões compartilhadas. O aplicativo chegou a oferecer experiências para dispositivos móveis, mas não alcançou a escala do antigo Orkut e acabou sendo descontinuado.

Essa experiência é importante para entender o novo projeto: Murphy e Büyükkökten já trabalharam juntos na construção de uma rede social depois do encerramento do Orkut original.

Formação em robótica e ciência da computação

Murphy cursou doutorado em Ciência da Computação e Robótica na Carnegie Mellon University, entre 1992 e 1998. Antes disso, estudou física, matemática, ciência da computação e artes cênicas na University of Richmond.

A combinação entre formação técnica, experiência em engenharia e participação anterior na criação de uma rede social dá ao CTO um histórico compatível com os desafios de desenvolver uma nova plataforma.

A Hello é uma pista importante sobre o futuro

Para avaliar a possibilidade de uma nova rede social, vale olhar para a experiência anterior dos dois fundadores.

A Hello Network foi criada depois que o Google encerrou o Orkut, em 2014. A proposta buscava reunir pessoas em torno de interesses comuns, com uma abordagem diferente das redes sociais tradicionais. Apesar da experiência acumulada pela equipe, o produto não conseguiu reproduzir o alcance da plataforma original.

A trajetória da Hello mostra que experiência e conhecimento técnico são importantes, mas não garantem o sucesso de uma rede social. Além de desenvolver o produto, é necessário conquistar usuários, manter comunidades ativas e criar motivos para que as pessoas voltem à plataforma.

No caso do novo Orkut, a situação é diferente em um aspecto: a marca já carrega uma história conhecida, especialmente no Brasil. A campanha atual também apresenta uma proposta explícita de reconstrução das relações sociais na internet, em vez de simplesmente recuperar a experiência antiga.

O que o novo Orkut pretende construir? 🌐

No site oficial, Büyükkökten afirma que quer criar uma rede social voltada a pessoas autênticas, conexões reais e comunidades. A proposta também aborda os desafios trazidos pela inteligência artificial, incluindo a dificuldade de distinguir interações humanas de conteúdos sintéticos.

O projeto apresenta três objetivos centrais para a experiência futura:

  • Conhecer novos amigos.
  • Reencontrar amigos.
  • Ser amigos melhores.

A ideia é que a tecnologia ajude a formar e aprofundar amizades, em vez de substituir as relações humanas. O site também destaca comunidades que aproximem pessoas tanto no ambiente digital quanto fora dele.

Essa visão pode ajudar a diferenciar o projeto das grandes plataformas atuais, mas ainda faltam informações práticas sobre como ela será implementada.

Não há, por enquanto, detalhes suficientes para determinar quais recursos estarão disponíveis no lançamento, como funcionará a moderação ou qual será o modelo de negócio. Também não foi divulgada uma data para a abertura da nova rede social.

300 mil assinaturas são suficientes para trazer o Orkut de volta?

A campanha alcançou 300 mil apoiadores distribuídos por 135 países, segundo os números informados na página do projeto. O Brasil continua liderando a adesão, com 68,9% das assinaturas, seguido por Portugal, com 10,8%.

O interesse é expressivo, mas uma petição mede disposição para apoiar uma ideia, não necessariamente a quantidade de pessoas que usarão um produto regularmente. Transformar esse apoio em uma comunidade ativa exigirá uma plataforma funcional, segurança, moderação eficiente e motivos para que os usuários permaneçam nela.

O site também deixa claro que assinar a petição não reserva um nome de usuário, uma conta nem um lugar em uma eventual fila de lançamento. A iniciativa funciona como uma manifestação de apoio à criação da rede social, e não como um cadastro antecipado de usuários.

O dado mais interessante não é apenas que 300 mil pessoas querem o Orkut de volta. É que o projeto reúne um fundador experiente e um CTO que já trabalhou com ele na criação de outra rede social.

Isso não elimina as incertezas, mas muda a maneira de olhar para a iniciativa. Há uma proposta pública, uma campanha internacional e uma equipe com experiência anterior em tecnologia e redes sociais.

O próximo passo será transformar esses elementos em algo que as pessoas possam efetivamente usar. Afinal, uma petição pode demonstrar interesse, mas só uma rede social funcionando poderá mostrar se ainda existe espaço para o Orkut na internet atual.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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